Tudo o que você precisa saber sobre as ISTs: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

14 de julho 2021

O termo IST é a abreviação de Infecção Sexualmente Transmissível. Portanto, como o próprio nome já diz, as ISTs são transmitidas durante as relações sexuais. Existem várias e nós da Omens vamos apresentar a você uma breve visão geral das mais comuns.

DST ou IST: por que a definição mudou?

A OMS recomenda agora a utilização do termo “infecção sexualmente transmissível” em vez de “doença sexualmente transmissível”.

O termo “doença” implica a existência de sintomas. Contudo, não é raro contrair uma infecção sem ter os sintomas, seja no início, seja durante o desenvolvimento da infecção. Ainda assim, muitas continuam sendo contagiosas.

O objetivo é principalmente encorajar o público a realizar exames quando expostos ao risco, mesmo sem a existência de sintomas.

O que é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST)?

As infecções sexualmente transmissíveis são, como o nome indica, infecções que podem ser transmitidas durante as relações sexuais. No entanto, algumas dessas infecções também podem ser transmitidas por outras vias.

Aliás, vale lembrar que as ISTs podem ser transmitidas através de qualquer tipo de relação sexual (anal, vaginal ou oral-genital).

ISTs e os fatores de risco

Para as infecções sexualmente transmissíveis, o principal fator de risco é o sexo desprotegido.

Naturalmente, mais sexo sem proteção aumenta o risco de contágio. Por exemplo, se você tiver 2% de probabilidade de ser infectado por uma IST através de sexo sem proteção com um portador (o número é fictício e varia dependendo da IST), ter 10 encontros sexuais sem proteção com essa mesma pessoa aumenta a probabilidade para quase 20%.

Também pode-se dizer que o aumento do número de parceiros com quem um indivíduo tem relações sexuais sem proteção aumenta o risco da mesma forma.

Quais são as principais formas de proteção contra as ISTs?

A única verdadeira proteção contra as ISTs continua sendo o preservativo. O preservativo masculino é o mais difundido, mas o preservativo feminino é igualmente eficaz.

O método do coito interrompido não é de forma alguma eficaz, já que que as ISTs são transmitidas por muitos outros fluidos que não o sêmen.

Abaixo você encontrará uma lista das principais ISTs (DSTs) junto de suas causas, sintomas, diagnóstico e tratamento:

Sífilis

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum.

Ela se espalhou com rapidez antes do século XX, mas felizmente a descoberta de antibióticos reduziu significativamente essa infecção ao longo do último século. No entanto, como acontece com a maioria das ISTs, houve um ressurgimento dos casos de sífilis desde o início dos anos 2000.

A sífilis se desenvolve em 3 fases e os sintomas evoluem durante essas etapas. Há também casos de sífilis latente, ou seja, infecção sem sintomas. Para você entender melhor, vamos fazer uma distinção entre a sífilis precoce e a sífilis tardia:

Sífilis precoce

Nessa primeira fase, a sífilis está no início do primeiro ano de infecção. É possível ter sífilis latente precoce, ou seja, sífilis sem sintomas e com menos de um ano de infecção.

A categoria de sífilis precoce também inclui a sífilis com sintomas nas fases primária e secundária.

Sífilis primária

A sífilis primária ocorre entre 3 semanas e 3 meses após a infecção, e o principal sintoma é o aparecimento de um ou mais cancros (ulceração da pele ou da mucosa). Um cancro é uma “bolha” com uma lesão sem dor que ulcera e desaparece dentro de poucas semanas.

Na maioria dos casos, existe apenas um cancro. Ele pode estar localizado nas regiões genitais (glande, testículos, lábios maiores, mucosa vaginal, clitóris, colo uterino), mas também pode aparecer em outros lugares (na boca, principalmente nas amígdalas ou na língua, no ânus…).

A fase secundária ocorre entre um mês e um ano após a relação sexual em que houve a infecção.

Durante a fase secundária, a doença causa numerosas lesões na pele e nas mucosas, algumas das quais podem ser contagiosas. Além disso, ela pode também causar gânglios aumentados (mas indolores), fadiga anormal, temperatura alta e dores de cabeça.

Quando nesta fase o portador da sífilis não consulta um médico e, portanto, não inicia o tratamento, os sintomas acabam desaparecendo… Após alguns meses ou anos de inatividade, no entanto, a doença acorda e entra na fase terciária. Nessa fase, a doença tem sintomas variados: neurológicos, hepáticos, cardíacos, digestivos, renais, orais e psiquiátricos.

Detecta-se a sífilis através de exame sorológico (de sangue) e o tratamento com antibióticos é muito eficaz.

Clamídia

A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis; é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns na Europa, mas também circula bastante no Brasil.

Em 2016, observou-se mais de 127 milhões de novos casos no mundo todo – um número que está crescendo com certa intensidade.

Uma das principais características da infecção por clamídia é que ela é muitas vezes assintomática. Em 70% das mulheres infectadas e 50% dos homens infectados, por exemplo, não há sintomas. As pessoas não sabem, então, que estão com a infecção e são contagiosas.

É por isso que se recomenda muito as consultas de rotina para pessoas sexualmente ativas.

Os jovens representam a população mais afetada, sobretudo devido à maior variedade de parceiros sexuais e à redução do uso de preservativos. 

Aqui está a principal lista de sintomas:

Nas mulheres:

  • dor na parte inferior do abdômen
  • corrimento vaginal atípico e possivelmente com mau odor
  • sensação de ardência ao urinar
  • sangramento vaginal não relacionado à menstruação
  • secreção incomum no ânus.

Nos homens:

  • sensação de ardência ao urinar
  • inchaço e dor nos testículos
  • coceira na uretra

O diagnóstico da infecção por clamídia é feito por coleta de amostras locais da secreção em mulheres e exames de urina em homens.

O tratamento, então, é feito através da administração de um único antibiótico ou de uma série de antibióticos durante 7 dias, que é bastante eficaz. Apenas em casos raros, a infecção persiste, razão pela qual se recomenda realizar novos exames alguns meses após o tratamento.

Herpes genital

Ao contrário das duas ISTs mencionadas acima, o herpes genital não é causado por uma bactéria, mas por um vírus. Portanto, uma vez que esse vírus é contraído, é impossível se livrar dele. A pessoa continua a ser portadora para toda a vida.

Embora não exista tratamento para remover o vírus do corpo, existem tratamentos que podem reduzir significativamente as manifestações de herpes genital.

O herpes genital é uma doença crônica e de reincidências: os sintomas aparecem e acabam por desaparecer com o tempo, mas é durante essas recidivas que a pessoa é contagiosa. Além disso, existem os casos de recidivas assintomáticas. Nessas ocasiões, o vírus se multiplica no corpo, mas não há herpes aparente.

Em ambas as formas (assintomática ou sintomática), a herpes é contagiosa durante as relações sexuais. A maior parte do contágio, aliás, ocorre durante essas aparições assintomáticas.

O vírus da herpes sobrevive muito pouco tempo fora do corpo humano, por isso não é possível a transmissão através de roupa suja ou assentos sanitários.

Estima-se que 10 a 12 milhões de brasileiros são portadoras do vírus do herpes genital e que a maioria delas desconhece a sua condição. Aproximadamente 80% dos infectados têm a doença na forma simples, ou seja, sem apresentar sintomas.

O tratamento por via oral existe. Porém, recomenda-se consultar um médico e não tentar se tratar com medicamentos de venda livre, porque existem muitas contraindicações e a administração indevida pode agravar a doença.

HIV

O HIV é um vírus (Vírus da Imunodeficiência Humana), mas, para sermos um pouco mais específicos, trata-se de um retrovírus.

Um retrovírus é um vírus que tem a capacidade de integrar o seu genoma com o da sua célula hospedeira. Essas mutações genéticas o tornam um vírus contra o qual é particularmente difícil desenvolver uma vacina.

O HIV destrói o sistema imunológico da pessoa infectada.

Além disso, há 3 meios de transmissão do HIV: através do sangue, da interação sexual, e da transmissão vertical (mãe para filho).

No que diz respeito à transmissão sexual, o sexo anal com ejaculação é o que corre maior risco, seguido do sexo anal sem ejaculação.

No Brasil, os homens homossexuais são uma população de risco particularmente elevado, mas o risco de transmissão heterossexual existe da mesma forma. Segundo o boletim epidemiológico da doença em 2020, dentre os infectados, mais da metade são homens homossexuais ou bissexuais. Dentre os infectados heterossexuais, cerca de 86% são mulheres.

Detecta-se o HIV por sorologia. O exame de sangue pode ser feito em:

  • um laboratório de exames médicos
  • centros de testagem, diagnóstico e informações do HIV, hepatite viral e outras ISTs, através do SUS
  • em casa, com um autoteste que pode ser adquirido em farmácias ou unidades de saúde

Desde a descoberta do HIV nos anos 80, as pesquisas progrediram consideravelmente. Ainda não sabemos como aniquilar completamente o retrovírus, mas o tratamento com triterapia tem aumentado enormemente a expectativa de vida dos pacientes. Estima-se que a expectativa de vida de uma pessoa infectada e tratada é agora superior a 70 anos.

O tratamento do HIV também reduz significativamente a contagiosidade dos portadores do vírus.

Prevenção do HIV: como funciona a PrEP?

Além de usar preservativo, há outra forma de prevenir o HIV: a Profilaxia Pré-Exposição ou PrEP.

A PrEP consiste em tomar um tratamento antirretroviral. A presença de antirretrovirais no corpo ajuda a evitar que o retrovírus se agarre às suas células se ocorrer o contato.

Esse tratamento é recomendado para populações particularmente em risco. No Brasil, só está disponível mediante receita médica e com acompanhamento médico regular. Aliás, o tratamento pode ser feito pelo SUS.

Gonorreia

É uma infecção causada por uma bactéria chamada Neisseria gonorrhoeae ou Gonococo.

As mulheres não apresentam sintomas em 70% dos casos, mas, quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • corrimento vaginal amarelado (por vezes, sangramento)
  • dor pélvica
  • dor durante as relações sexuais
  • sensação de ardência durante a micção e dificuldade em urinar

Nos homens, os sintomas são mais claros:

  • secreção purulenta na uretra
  • sensação de ardência ao urinar
  • dor e inchaço nos testículos
  • dor e secreção no reto

A gonorreia é transmitida durante o sexo (oral, vaginal ou anal). Porém, assim como a clamídia, a gonorreia raramente é transmitida pelo contato da boca com a vulva (cunnilingus).

Em caso de infecção através do sexo anal, os sintomas são:

  • prurido anal
  • secreção no ânus
  • inchaço do ânus
  • diarreia
  • sangramento no ânus
  • desconforto ao defecar

Os testes para detecção da gonorreia são feitos por coleta de amostra local e o exame não provoca dor. Quando detectada, tratamos a gonorreia com antibióticos.

Hepatite B

A hepatite B é uma infecção viral que afeta o fígado.

O vírus da hepatite B é transmitido através do sangue e dos fluidos sexuais e ele é capaz de sobreviver por pelo menos 7 dias fora do corpo humano. Além disso, a hepatite B é assintomática em muitos casos.

Após um período de incubação de 2 a 6 meses, o indivíduo infectado entra em uma fase aguda do desenvolvimento da doença, que é assintomática em 90% dos casos. Nos casos em que os sintomas ocorrem, os indivíduos mostram primeiro sintomas semelhantes aos da gripe, seguidos alguns dias mais tarde de: olhos e pele amareladas e urina escura, bem como fadiga e coceira.

Por fim, na maioria dos casos, o organismo consegue se livrar do vírus por si só e o indivíduo é curado.

Hepatite fulminante

É possível (em 1% dos casos) que o organismo seja muito agressivo na sua defesa contra o vírus. Ao tentar destruí-lo, acaba destruindo também o próprio fígado. Chamamos isso de hepatite fulminante. Um transplante de fígado de emergência é a única solução viável ao paciente.

Em 10% dos casos, a cura da hepatite B não acontece por completo apenas pela ação do organismo. O corpo combate o vírus, mas não é capaz de eliminá-lo completamente. A doença progride então para uma hepatite crônica.

No caso da hepatite crônica, a doença se repete regularmente em ciclos. Um terço dos portadores crônicos é assintomático: o vírus está presente no seu corpo, mas inativo. Para os dois terços restantes, a doença pode evoluir para a cirrose, o que pode eventualmente levar ao câncer de fígado.

Detectamos a hepatite B por sorologia.

Existem tratamentos para a hepatite crônica que bloqueiam certos mecanismos reprodutivos do vírus, com o objetivo de abrandar o máximo possível a progressão da infecção. Vale lembrar também que existe vacina hoje para a hepatite B: quem não tomou deve tomar gratuitamente pelo SUS.

Os casos de transmissão sexual são responsáveis por 5% das transmissões.

Quando procurar um urologista especializado em sexualidade? [Vídeo]

Está em dúvida se está passando por algum tipo de problema sexual? Alguma disfunção sexual, como talvez a disfunção erétil, a ejaculação precoce ou a perda de libido? Não sabe se já é hora de se consultar com um urologista?

Nesse primeiro vídeo, nosso médico Dr. João Brunhara tira algumas dúvidas sobre quando se consultar com urologistas especializados em sexualidade. Algumas das dúvidas mais frequentes são abordadas, como em que casos se consultar com um médico especialista e se há algum tipo de limite de idade.

Diagnosticando ISTs (DSTs): como e onde fazer os testes?

Há várias maneiras de se testar para as ISTs:

  • em centros gratuitos de informação, teste e diagnóstico do HIV, hepatite viral e outras ISTs, disponíveis pelo SUS;
  • em um laboratório de exames médicos, após a consulta com um médico (clínico geral, ginecologista, urologista, dermatologista… – dependendo do caso);
  • para certas ISTs, particularmente o HIV, existem autotestes que podem ser obtidos em farmácias ou em unidades de saúde e que podem ser feitos em casa.

Há várias infecções e os casos assintomáticos não são raros. Por isso, recomendamos consultar regularmente um médico.

Quando consultar um médico?

Recomenda-se consultar um médico o mais rápido possível, após um exame que apresentou algo atípico ou após a constatação de sintomas. Para algumas ISTs, existem tratamentos preventivos, a sua eficácia depende diretamente do tempo entre a infecção e o tratamento. 

Mais uma vez: recomendamos que pessoas sexualmente ativas estejam em dia com suas consultas de rotina.

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