O sexo feminino e o ciclo menstrual: mitos e preconceitos

tudo sobre o ciclo menstrual da mulher
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

17 de outubro 2021

O ciclo menstrual é o período contado desde o primeiro dia da menstruação até o dia anterior ao primeiro dia do ciclo seguinte. A duração do período varia de mulher para mulher e mesmo de mês para mês. Esse ciclo tem geralmente de 23 a 35 dias de duração. Um ciclo menstrual é regular quando está estável ou varia apenas em alguns dias.

Fases do ciclo menstrual

Há 3 fases principais no ciclo menstrual:

  • A fase folicular: esse é o período a partir do primeiro dia de menstruação até a ovulação. Inicialmente, o endométrio se descama porque não foi fertilizado. A menstruação dura cerca de 2 a 6 dias (às vezes mais). Quando o período termina, os ovários expelem um novo óvulo, ao mesmo tempo que secretam hormônios que preparam a cavidade uterina para receber o óvulo fertilizado.
  • Ovulação: então, o ovário liberta o óvulo quando ele está maduro. Ao mesmo tempo, o endométrio engrossa (ele começou a engrossar no fim do período menstrual). A fim de permitir uma possível fertilização, o muco cervical fica mais aquoso, ajudando a passagem de espermatozoides entre a vagina e o útero.
  • A fase lútea corresponde aos últimos 14 dias do ciclo menstrual (entre a ovulação e o período seguinte). Enfim, o ovo é libertado e começa a sua viagem através da trompa de falópio até ao útero. Se o óvulo não encontrar um espermatozoide durante esse período, ele não ficará na cavidade uterina. O óvulo e o endométrio são então evacuados através da menstruação. Se, por outro lado, acontecer a fertilização do óvulo, ele se fixa à parede uterina (o endométrio). Por fim, lá ele se torna um embrião e depois um feto.

A concepção, portanto, inclui:

  • Ovulação (liberação do óvulo pelo ovário)
  • Fertilização (o espermatozoide fertiliza o óvulo)
  • Implantação (os óvulos fertilizados se fixam no útero)

Mas é claro: se quiser evitar a concepção, existem diversos métodos contraceptivos.

Mitos, fantasias e preconceitos sobre o órgão sexual feminino

Em primeiro lugar, muitas meninas ou mulheres jovens só descobrem a própria intimidade em uma fase tardia; e muitas, na realidade, desconhecem o próprio órgão sexual.

Além disso, o sexo feminino é frequentemente reduzido à vagina para muitos adolescentes;. Mas, como já vimos, ele inclui muitos outros órgãos!

O clitóris, do grego antigo kleitoris

Clitóris, hímen, vulva, útero… Muitos termos fazem parte da anatomia sexual feminina. Mas o que está realmente por trás desses nomes?

Porque, sim, são termos criados pelos homens que infelizmente mostram a ignorância em relação às mulheres…

Por exemplo, o clitóris vem do antigo grego kleitoris, que significa “chave” ou “fechadura” – uma analogia que mais reflete uma falta de compreensão do funcionamento dessa parte do corpo.

Em um livro publicado pela historiadora e feminista Yvonne Knibiehler, “A virgindade feminina: mitos, fantasias e emancipação” (título disponível apenas em francês), o clitóris foi assimilado na Renascença à úvula, um pequeno aglomerado de pele que pende da garganta.

Nessa época, pensava-se também que o clitóris servia apenas para “proteger a vagina de correntes de ar”… Enquanto que agora conhecemos o seu papel no prazer sexual das mulheres.

E, no entanto, muita gente continua esquecendo dele, ou o percebendo como um órgão secundário.

Vagina, útero e hímen

Vagina em latim significa literalmente “bainha”. A vagina é então pensada, nessa definição, apenas como um “recipiente” para a utilização do pênis.

Essa visão foi certamente influenciada pelos fundadores da medicina moderna, homens que se colocaram acima da mulher. Assim, reduziu-se a mulher à única função da reprodução.

Quanto ao útero (histeros em grego antigo), ele há muito tempo esteve associado à histeria, uma doença inventada no século XIX, referindo-se especificamente às mulheres – e tendo a sua origem no útero. E foi assim que se justificaram as famosas “mudanças de humor” femininas, que supostamente “subiriam” do útero para a caixa torácica…

Engravidar era considerado então o único remédio contra essa “histeria feminina”.

Por fim, terminamos no hímen, uma referência a Hymenaeus, o deus do casamento.

O hímen é, portanto, esse voto de virgindade antes do casamento objetivando a reprodução. Mas o hímen se desfaz com o tempo e a maioria das mulheres, quando começam a se masturbar ou tem suas primeiras relações sexuais, já não têm mais o hímen.

E, quanto à perda de sangue durante a primeira relação sexual, que não acontece com todas (como já mencionamos), também pode ser uma questão de fragilidade das membranas mucosas – e não apenas do rompimento do hímen.

Saúde pública: preconceitos sobre virgindade, menstruação e a sexualidade da mulher

Muitas mulheres jovens continuam a sofrer pelo mito da virgindade, que às vezes as impede de descobrir e abordar a própria sexualidade de uma forma tranquila.

Por exemplo, preconceitos como “se usar O.B. ou se masturbar com o dedo, você perde a sua virgindade” ou “a menstruação é suja”, etc.

O desafio é, portanto, proporcionar uma melhor educação sexual, dentro de uma perspectiva de saúde pública. Muitas mulheres têm até vergonha de consultar um médico quando sentem quaisquer sintomas. Além disso, em muitos casos, as consultas não acontecem com a frequência necessária – como no caso do câncer do colo do útero.

Calculou-se que no Reino Unido há alguns anos quase uma em cada quatro mulheres evitava fazer o exame de papanicolau.

Essa falta de conhecimento do sexo feminino refletiu-se novamente em uma pesquisa YouGov, mostrando que metade das mulheres britânicas não conseguiam localizar a vagina (o canal vaginal). Pois é, as mulheres estão quase em pé de igualdade com os homens nessa questão.

Muitas dessas mulheres também não sabiam que a vagina não precisava ser lavada com sabão.

A questão da higiene e dos preconceitos relativos ao órgão sexual feminino infelizmente encontram lugar no comércio: com produtos vendidos como “sabonetes íntimos” ou cremes destinados a alterar o odor ou a aparência da vagina…

Conclusão: rumo a uma normalização da menstruação

Os ciclos menstruais na vida de uma mulher são cansativos, muitas vezes difíceis de viver, mas nunca devemos esquecer a beleza do sexo feminino (e não estamos falando apenas de estética!).

Em Londres, o Museu da Vagina, por exemplo, normaliza a menstruação, que se torna bonita através de esculturas, obras de arte e até absorventes internos em que o sangue é substituído por purpurina! E, mesmo que isto seja ainda menos sexy do que a própria menstruação (pois nem tudo deve ser “lindo” na sexualidade), a exposição também mostra calcinhas manchadas com corrimentos brancos, para lembrar que é um fenômeno natural na vida de uma mulher.

Finalmente, contra a imagem que a pornografia transmite e a ideia de uma “vulva perfeita”, podemos encontrar representações de vulvas de todas as formas, de diferentes aspectos, uma diversidade de pilosidade, lábios mais ou menos grandes, etc.

A mensagem é, portanto, de mostrar que toda mulher é “normal”.

Se quiser saber mais, há alguns sites na internet que mostram um pouco das exposições.


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