Pequeno manual da PrEP: respondemos as principais dúvidas!

mão segurando três cápsulas
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Escrito por

Ranieri Soares

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

11 de abril 2022

Cada pessoa tem sua maneira de viver a sexualidade, de transar e de buscar uma estratégia segura para se prevenir contra o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Algumas adotam o uso frequente da camisinha em suas relações sexuais, enquanto outras também fazem a testagem regular para o HIV a cada seis meses e/ou fazem uso da PrEP. Todo indivíduo é livre e responsável por pensar sobre cuidados pessoais e coletivos sobre sexo seguro. 

O Brasil nos últimos anos buscou muito fortemente a introdução da prevenção biomédica, baseada na utilização de medicamentos. Seja para a pessoa com HIV suprimir o vírus, seja para o uso anterior à exposição, a PrEP.

Por isso, nós da Omens preparamos este manual sobre a PrEP: a profilaxia pré-exposição, em que a pessoa soronegativa toma medicamento para, caso tenha o risco, bloquear a transmissão do vírus HIV. Vamos responder às principais dúvidas que vocês nos mandaram:

1. Para que serve a PrEP?

PrEP significa profilaxia de pré-exposição – a palavra “profilaxia” significa prevenir ou controlar a propagação de uma infecção ou doença.

Portanto, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição sexual ao vírus HIV. É uma medicação que serve para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV.

O objetivo da PrEP, então, é prevenir a infecção pelo retrovírus e promover uma vida sexual mais saudável e segura. 

Porém, você ainda deve estar se perguntando: ok, mas onde conseguir a PrEP? E como tomar? Calma, vamos chegar lá:

2. Quem deve tomar PrEP?

A PrEP é utilizada por pessoas sem HIV, mas que correm o risco de serem expostas ao vírus através do sexo (vaginal ou anal) ou do uso de drogas injetáveis. A comunidade médica prescreve a PrEP para populações em situação de maior vulnerabilidade e que tenham práticas de maior risco para infecção pelo HIV. Pois, pelos dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde brasileiro, há uma população de alta vulnerabilidade ou população chave para o HIV. São elas: 

  • homens gays;
  • homens que fazem sexo com outros homens – independentemente de como definem sua sexualidade;
  • mulheres trans;
  • profissionais do sexo;
  • casais sorodiscordante que, regularmente, têm relações sexuais (anais ou vaginais) sem usar preservativo ou que usam a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) repetidamente, ou que apresentem Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). 

Procure e converse com um profissional de saúde caso você esteja nos critérios de indicação para o uso da PrEP. Você terá que fazer alguns exames e, se eles estiverem normais, poderá usar a medicação.

PrEP: como tomar?

Além disso, a pessoa deve tomar o medicamento diariamente e fazer exames regulares.

Fique atento!

Se uma pessoa for exposta ao HIV através de sexo (anal ou vaginal) ou do uso de drogas injetáveis, ter o medicamento PrEP na corrente sanguínea pode impedir que o vírus se instale e se propague por todo o corpo. No entanto, se a PrEP não for tomada todos os dias, pode não haver medicamentos suficientes na corrente sanguínea para bloquear o HIV.

No Brasil, a Profilaxia Pré-Exposição começou a ser oferecida gradualmente no Sistema Único de Saúde no final de 2017: é uma combinação de dois medicamentos (tenofovir e entricitabina) em um único comprimido, que impede que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo.

Mas a PrEP não previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)! Então, deve ser combinada com outras formas de prevenção; por exemplo, o uso contínuo da camisinha e da testagem regular para o HIV e outras ISTs. Ambos são oferecidos gratuitamente no SUS.

Já a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, a FDA (U.S. Food and Drug Administration), aprova também o uso de dois medicamentos para utilização como PrEP: truvada e descovy. O medicamento a ser usado como PrEP depende da situação individual de cada pessoa.

3. Quem não pode usar PrEP?

Indivíduos considerados de baixo risco ou que não façam parte da população de alta vulnerabilidade à exposição ao HIV são aconselhados a não usar a PrEP… Mas por quê? Porque, nesses casos, as chances de efeito colateral são um pouco maiores do que o benefício. 

Pessoas que já tiveram ou têm algum problema hepático são orientadas a não utilizar a PrEP, já que o medicamento pode afetar tanto a função do rim quanto a função do fígado e agravar o quadro.

4. Qual a diferença entre PEP e PrEP?

PrEP e PEP são medicamentos para prevenir a infecção pelo vírus HIV. Cada tipo é utilizado numa situação diferente:

  • Como vimos, a PrEP é para pessoas que não têm o HIV, mas que correm um risco muito elevado de contraírem o retrovírus. É um medicamento diário que pode reduzir esse risco. Assim, com a PrEP, se for exposto ao vírus, o medicamento pode impedir que o HIV se instale e se espalhe pelo seu corpo.
  • Por outro lado, PEP significa profilaxia pós-exposição: para pessoas que tenham sido possivelmente expostas ao HIV. Portanto, ela é apenas para situações emergenciais. A PEP deve ser iniciada dentro de 72 horas após uma possível exposição ao vírus HIV: quanto mais cedo a iniciar, melhor; assim, cada hora conta.

Muita atenção!

É necessário tomar os medicamentos PEP durante 28 dias seguidos. Será preciso consultar um profissional de saúde em determinados momentos durante e após o uso da PEP, para poder fazer um teste de despistagem do HIV, entre outros testes.

Fizemos um artigo apenas para as diferenças entre PrEP e PEP aqui.

5. Como conseguir a PrEP?

O programa brasileiro de Aids está inserido no Sistema Único de Saúde. Por essa razão, sendo o SUS, universal e gratuito, sem dúvidas o programa de Aids tem uma importância muito grande. Por isso, é inevitável fazer a seguinte indagação sobre a PrEP: onde conseguir?

Você pode obter essa medicação nos centros de referência em tratamento para HIV/AIDS, hepatites virais e ISTs do país. No Brasil ela ainda está, infelizmente, concentrada nas grandes capitais e cidades de médio porte. Só São Paulo concentra 40% da PrEP no país.

E, então, se eu quiser comprar, qual o valor da PrEP?

6. Quanto custa a PrEP?

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) faz parte do programa brasileiro de Aids e está inserida gratuitamente no Sistema Único de Saúde. 

No entanto, em breve será possível comprar o genérico em redes particulares. Daí agora você deve estar entusiasmado e se questionando: qual será o preço da PrEP? Em qual farmácia vou encontrar esse medicamento?

A farmacêutica Blanver disponibilizará o medicamento nas lojas da Drogaria São Paulo no Estado de São Paulo, que terá exclusividade na venda do produto.

Na farmácia, a PrEP tem um valor que gira em torno de R$150,00 (o frasco com 30 comprimidos), ou seja, metade do preço da medicação de referência.

7. Precisa de receita para comprar PrEP?

Somente será possível a venda privada com apresentação de receita médica. Mas é preciso recordar que a PrEP não é para todas as pessoas. Ela é indicada apenas para aqueles indivíduos que têm maior risco de entrar em contato com o HIV.

8. Quanto tempo a PrEP fica no organismo?

O Truvada permanece no organismo durante cerca de uma semana após tê-lo deixado de tomar. O principal ingrediente do Truvada, um dos medicamentos usados na PrEP, tem normalmente uma meia-vida de mais de seis dias, segundo a comunidade médica. Além disso, a pessoa deve também fazer teste de HIV a cada 3 meses enquanto toma PrEP.

Se tiver dificuldades em tomar a PrEP diariamente ou se quiser parar de tomar, fale com o médico que faz o seu acompanhamento!

Em vista disso, é essencial não abandonar o uso da medicação!

9. O que acontece se esquecer de tomar o PrEP?

A PrEP é mais eficaz quando tomada de forma consistente diariamente. Se a pessoa para com o uso ou esquece, isso abre brechas para possível infecção pelo vírus HIV.

A comunidade médica relata que estudos sobre a eficácia da PrEP demonstraram que o uso contínuo da PrEP reduz o risco de contrair o HIV a partir do sexo em cerca de 99% e do uso de drogas injetáveis em pelo menos 74%.

É indispensável recorrer à prevenção combinada. Isto é, usar o preservativo juntamente com a PrEP, além da testagem regular para HIV e outras ISTs. Seguir essas orientações pode reduzir ainda mais o risco de uma pessoa contrair o retrovírus.

10. Quais os efeitos colaterais do PrEP?

Como todo e qualquer medicamento, a PrEP pode apresentar efeitos colaterais em alguns indivíduos. Apesar de ser um medicamento seguro, algumas pessoas que usam a PrEP sentem efeitos colaterais como:

  • diarreia, 
  • náuseas, 
  • dores de cabeça, 
  • fadiga
  • e dores de estômago. 

Esses efeitos não são graves e normalmente desaparecem com o tempo. Em relação aos efeitos mais graves, felizmente raríssimos, é imprescindível retornar ao serviço médico para realizar novos exames de reavaliação pela equipe médica. 

A PrEP também pode interagir com outros medicamentos que uma pessoa esteja tomando (chamados de interação medicamentosa). Por isso, é importante informar o seu o profissional de saúde sobre quaisquer outros medicamentos que esteja fazendo uso regular. 

Conclusão

A PrEP e PEP são uma forma segura de se prevenir contra infecção pelo HIV e devem ser combinadas com outras formas de prevenção. A falta de investimento em campanhas de prevenção, às vezes movido por moralismo e questões religiosas, prejudicará a prevenção.

Campanhas de esclarecimento e prevenção, precisam ser uma constante. É muito importante e sempre necessário falar sobre sexualidade e sexo seguro. 

As pessoas de modo geral sabem pouco sobre HIV/Aids e prevenção. Tem-se cada vez menos espaços para se discutir, para problematizar as questões da sexualidade. E, quanto mais o exercício da sexualidade está dentro do armário, tratado como tabu, mais vulneráveis estarão os jovens e idosos para infecções como HIV e outras sexualmente transmissíveis.

Uma pesquisa da ANAIDS, movimento de Luta Contra a Aids, revelou uma diminuição de 56% no orçamento e recursos humanos para Políticas de HIV e Aids, desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil. É uma redução muito grande, ainda mais em equipes técnicas que já não eram completas, que já estavam frágeis. Como uma pessoa que queira usar a PrEP ou PEP ou que receba o diagnóstico positivo para HIV vai conseguir acessar uma rede de apoio? 

Resta que o SUS e a experiência brasileira em Aids, com todos os conceitos sujeitos a eles também sejam uma referência, um exemplo dentro do próprio Brasil, sejam reconhecidos e fortalecidos pelos governantes. Nós temos um SUS que trabalha a saúde e os cidadãos não são despesas. Se o nosso SUS conseguisse trabalhar mais a saúde preventiva, muito menos seria gasto com a doença.

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