Truvada: PrEP, tratamento para o HIV. Em que patamar estamos?

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Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

4 de março 2022

O Truvada é há muito tempo um tratamento de uso único para evitar a contaminação do HIV em pessoas de risco: estima-se que cerca de 2,3 mil indivíduos tomam PrEP (a pílula “anti-AIDS”) no Brasil, principalmente homens que fazem sexo com outros homens (HSH).

Pois é, trata-se de uma verdadeira questão de saúde pública e a Omens apresentará o medicamento com detalhes.

Composição e fórmula farmacêutica do Truvada

O medicamento combina dois remédios antirretrovirais que são ativos contra os vírus da imunodeficiência humana (HIV). Esses antirretrovirais pertencem à família do inibidor da transcriptase reversa dos nucleosídeos (NRTI).

Assim, ao bloquear a atividade de uma enzima viral chamada transcriptase reversa, os antirretrovirais impedem a reprodução do HIV em células infectadas. Mas, infelizmente, eles não as eliminam completamente.

Estamos falando de um estimulante bastante conhecido.

O Truvada vem em comprimidos revestidos de 200 mg/245 mg. Cada comprimido contém 200 mg de emtricitabina e 245 mg de tenofovir disoproxil (300 mg de disoproxil fumarato de tenofovir ou 136 mg de tenofovir).

Além disso, todos os comprimidos contêm 96 mg de lactose monoidratada.

Lista completa de componentes do Truvada

O núcleo contém:

  • Croscarmelose sódica
  • Lactose monoidratada
  • Estearato de magnésio (E572)
  • Celulose microcristalina (E460)
  • Amido pré gelatinizado (sem glúten)

O revestimento contém:

  • Triacetato de glicerol (E1518)
  • Hipromelose (E464)
  • Lago de indigotina de alumínio (E132)
  • Lactose monoidratada
  • Dióxido de titânio (E171)

Trata-se de um comprimido revestido azul e comprido.

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Indicações e informações clínicas

O Truvada foi inicialmente indicado para o tratamento da infecção pelo HIV-1. Assim, seria possível combiná-lo ele com outros medicamentos antirretrovirais para tratar adultos ou adolescentes infectados.

Mais tarde então, surgiu um segundo uso para ele: a PrEP ou a Profilaxia de Pré-Exposição.

Esse segundo tratamento, associado a práticas sexuais de baixo risco, é indicado como um tratamento preventivo para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Mais uma vez, tanto os adultos como os adolescentes podem receber o tratamento.

Dosagem e modo de administração

Apenas um médico experiente na gestão da infecção pelo HIV pode prescrever o truvada. O medicamento pode ser adquirido pelo SUS com uma receita médica.

Dosagem para o tratamento do HIV ou para a prevenção da infecção pelo HIV (PrEP)

A dosagem descrita abaixo é para adultos e adolescentes a partir dos 12 anos de idade, com um peso mínimo de 35 kg:

um comprimido, uma vez por dia, seja para tratar a infecção ou para prevenir a infecção pelo HIV.

Em todos os casos, é importante o acompanhamento médico se precisar de alterar a dose de qualquer um dos componentes do truvada – ou mesmo a fim de interromper o uso.

Caso a pessoa não tome uma dose de truvada dentro de 12 horas após o horário habitual, deve-se tomar um comprimido o mais cedo possível. Então, é necessário continuar o tratamento como habitualmente.

Por outro lado, se já passaram mais de 12 horas desde a última dose de Truvada e está perto do horário da próxima dose:

  1. então, não tome a dose perdida e continue com o tratamento.
  2. mas, se ocorrer vômito após tomar o Truvada (no espaço de 1 hora), é necessário ingerir outro comprimido.
  3. no entanto, se o vômito ocorrer após 1 hora da dosagem de Truvada, não precisa consumir o remédio novamente.

Como tomar Truvada

É melhor consumir o Truvada junto da refeição ou de alguma comida. Além disso, é possível dissolver o comprimido em 100ml de água, suco de laranja ou suco de uva e ingeri-lo imediatamente depois.

Contraindicações

O Truvada é contraindicado principalmente a pessoas hipersensíveis aos princípios ativos ou a qualquer um dos ingredientes ativos mencionados acima.

Certamente a PrEP também é contraindicada se a pessoa já estiver infectada com o HIV.

Antes da implementação desse tratamento preventivo a pessoa deve, portanto, passar por uma série de exames. A receita médica é obrigatória e altamente recomendada.

Em todos os casos, é obrigatório e essencial consultar um médico especializado na gestão do HIV, principalmente para iniciar um tratamento com a PrEP.

Truvada: advertências e precauções especiais

  • Embora o Truvada reduza significativamente o risco de transmissão sexual do HIV, o risco ainda existe. Por isso, é necessário continuar a se proteger de acordo com as recomendações. Isso é válido especialmente para aqueles que estão infectados (mesmo que em tratamento).
  • A utilização da PrEP deve fazer parte de uma estratégia abrangente de prevenção do HIV. Essa estratégia inclui outros métodos de prevenção (utilização correta e recorrente de preservativos, por exemplo).
  • São também necessários testes regulares de 3 em 3 meses. Além disso, é necessário ter a certeza de que se é HIV-negativo antes de iniciar o tratamento com a PrEP. Assim, em caso de infecção pelo HIV, deve-se combinar a PrEP com outros medicamentos antirretrovirais.
  • Além disso, se desenvolver sintomas semelhantes aos da gripe (febre, fadiga, vômitos, dores no corpo, dores de cabeça, glândulas inchadas, erupções cutâneas, etc.), informe imediatamente o seu médico. Esses sintomas podem ser um sinal de infecção pelo HIV.
  • Por fim, vale lembrar que, em caso de insuficiência renal, é necessário aumentar a vigilância. Normalmente se realiza um exame sorológico completo antes do tratamento com o Truvada.

Enfim, os medicamentos antirretrovirais podem causar danos ósseos: isso vale para quem estiver sob tratamento com corticosteróides, se for obeso, depressivo ou se beber muito álcool. 

Você deve também informar ao seu médico se tiver dores na cintura, no joelho ou no ombro, ou dificuldades em se mover.

Interações do Truvada com outros medicamentos

Em primeiro lugar, alguns tratamentos devem ser evitados ou requerem uma supervisão especial da função renal. E os principais são:

Aminoglicosídeos, AINE (anti-inflamatórios não esteroides), anfotericina B, foscarnet, ganciclovir, pentamidina, cidofovir, vancomicina.  

Além disso, a combinação de tenofovir e didanosina pode levar a um aumento do risco de toxicidade no sangue. Nesse caso, então, deve-se ajudar a dose de didanosina e realizar exames de sangue durante o tratamento.

O seu médico terá também em conta outros tratamentos antivirais associados, principalmente os da família dos inibidores de protease.

Fertilidade, gestação e lactação

Não se conhece o efeito do Truvada na gravidez. Se ocorrer uma gravidez durante o tratamento, consulte o seu médico.

As crianças cujas mães tomaram esse tratamento devem estar sob supervisão médica mais próxima. Além disso, o medicamento passa para o leite materno. A amamentação não é recomendada, embora a infecção pelo HIV em si geralmente contraindica a amamentação.

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Os efeitos colaterais do Truvada

Como qualquer medicamento, o Truvada tem seus efeitos colaterais.

Efeitos colaterais muito comuns (mais de um a cada 10 pacientes) incluem:

  • diarreia
  • vômito
  • náuseas
  • tonturas
  • dores de cabeça
  • fadiga
  • erupções cutâneas

Efeitos colaterais comuns (1 em 10 pacientes)

  • dores abdominais
  • insônia
  • sonhos anormais
  • digestão difícil
  • inchaço
  • erupção cutânea
  • coceira
  • urticária

Efeitos colaterais pouco frequentes (1 a cada 100 pessoas) incluem:

  • pancreatite
  • fraqueza muscular
  • angioedema

Efeitos colaterais raros: acidose láctica e insuficiência renal

Por fim, pôde-se notar em pouquíssimas pessoas o ganho de peso e o aumento dos níveis de glicose no sangue.

Truvada: o que você deve lembrar

O Truvada, quer seja utilizado para tratar o HIV ou como medida preventiva, permite que as pessoas soropositivas deixem de infectar e que as pessoas em risco fiquem significativamente protegidas.

No entanto, é preciso combinar esses tratamentos com outros métodos de prevenção. Converse com um médico se estiver interessado ou achar que é necessário tomar a PrEP.


Referências

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2 comentário(s) sobre “Truvada: PrEP, tratamento para o HIV. Em que patamar estamos?

    • Dr. João Brunhara says:

      Não está entre os efeitos colaterais mais comuns da PrEP, porém algumas pessoas podem ter reações mais raras com uma medicação. Veja se o sintoma persiste com o passar dos dias e, na dúvida, consulte seu médico.

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