PrEP injetável com Cabotegravir: melhor do que a PrEP convencional?

Profissional da saúde aplicando a PrEP com cabotegravir em um paciente
BLOG OMENS / Tratamentos
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

12 de abril 2021

Uma nova substância chamada cabotegravir pode ser a transformação, um marco importante na luta contra o HIV. Ainda não é uma vacina contra a doença, mas é o que mais chega próximo de uma!

Desde a chegada do HIV, vimos etapas importantes para o seu tratamento.

A Omens irá contar tudo sobre esse novo método que pode revolucionar a prevenção contra o vírus da AIDS.

A luta anti-HIV e o cabotegravir

O cabotegravir é um antirretroviral (ARV) injetável e que tem um efeito prolongado por até dois meses a cada injeção. O medicamento parece ser uma forma poderosa de se prevenir a infecção pelo HIV.

Tudo isso de acordo com a UNAIDS e com estudos internacionais sobre a substância!

O estudo: uma injeção a cada dois meses

Em um dos vários estudos, indivíduos do sexo masculino que não possuem HIV e mantêm relações sexuais com outros homens ou com mulheres trans receberam o tratamento de prevenção para evitar contrair o vírus, enquanto prosseguiam com sua vida sexual normalmente.

Os 4.500 participantes foram separados em dois grupos e, em seguida, receberam:

  • ou 1 injeção de cabotegravir a cada dois meses
  • ou comprimidos de Truvada (Emtricitabina e Tenofovir disoproxil, ambos componentes da PrEP), administrados diariamente

Esses estudos começaram em 2016. E, em abril de 2020, os pesquisadores observaram que, no grupo de pessoas que tomavam os comprimidos convencionais da PrEP todos os dias, havia 38 casos de infecção pelo HIV – apesar do tratamento. Por outro lado, havia apenas 12 casos no grupo de pessoas que recebiam a injeção de cabotegravir a cada dois meses. 

Houve, portanto, uma diferença de 69% entre os dois grupos: o que é enorme! São ótimos resultados, mesmo porque sabemos que o Truvada tomada diariamente já é considerado um tratamento bastante eficiente.

Cabotegravir: rumo a uma vacina e ao risco de infecção zero?

Esses resultados foram tão impactantes que os pesquisadores modificaram o protocolo para que todos os participantes dos estudos recebessem a injeção de cabotegravir. Por isso, tal tratamento parece ser o mais poderoso atualmente na prevenção da infecção pelo HIV.

Além disso, durante esses 4 anos de estudo, os únicos efeitos colaterais notados foram o incômodo e a dor da picada da agulha.

Em novembro de 2020, tivemos mais ótimas notícias. Os resultados dos estudos, feitos dessa vez com mulheres expostas ao risco de infecção pelo HIV, foram importantes novamente: com as injeções de cabotegravir, o risco de contrair a doença foi nove vezes menor.

Mas ainda há outras etapas a se seguir antes que o tratamento esteja disponível no Brasil. Mesmo assim, tais resultados sugerem que estamos muito próximos de um novo tratamento, que sem dúvida revolucionará as estratégias anti-HIV em todo o mundo.

Realmente não é uma vacina, mas, de todos os tratamentos disponíveis hoje, é o que mais se aproxima!

A meta de erradicar novas infecções pelo HIV dentro de alguns anos parece cada vez mais realista.

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