O que é a PrEP?

pote com cápsulas azuis de medicamento
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Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

24 de janeiro 2022

A PrEP serve para prevenir o HIV: trata-se do uso de medicamentos antirretrovirais, por indivíduos soronegativos, a fim de reduzir o risco de contrair a infecção. Muitos estudos importantes mostraram que a PrEP poderia ajudar a prevenir novas infecções pelo HIV quando usado por pessoas com alto risco de contraí-lo.

PrEP: significado e como administrar o medicamento

PrEP significa Profilaxia Pré-Exposição ao vírus do HIV.

A única PrEP que comprovadamente mostrou ser eficaz é a combinação dos medicamentos tenofovir + emtricitabina (300mg + 200mg), administrados uma vez por dia. Não há informações suficientes sobre qualquer outra dosagem ou medicação. Ainda não se sabe se outras substâncias ou outras frequências (como algumas vezes por semana em vez de todos os dias, por exemplo) também podem reduzir o risco de contrair o HIV da mesma forma.

Os estudos dessa PrEP se concentraram em pessoas que apresentariam um alto risco de infecção pelo HIV: em geral, homens soronegativos que fazem sexo com outros homens, mulheres trans e heterossexuais de maior risco. Os resultados desses estudos têm variado, mas as pesquisas mostraram que a PrEP administrada diariamente pode reduzir o risco de infecção de 44% a 90%. Além disso, os estudos mostraram que a PrEP funciona melhor para as pessoas que tomam o medicamento todos os dias.

É possível tomar a PrEP tanto no meio da comida ou entre as refeições. Ela está disponível gratuitamente pelo SUS, mas somente sob receita médica.

Quem deve usar a PrEP?

A PrEP não é indicada para todo mundo: ela é para pessoas que não têm HIV, mas que correm um risco maior de contrair a infecção. Você pode conversar com um médico sobre a PrEP caso você:

  • não use preservativos com frequência;
  • mantenha relações sexuais com um parceiro ou parceira que tenha HIV (às vezes se chama essa relação de sorodivergente);
  • tenha um(a) parceiro(a) sexual que apresente alto risco de contrair o HIV (que faz sexo anal ou vaginal com outras pessoas sem preservativos ou que seja usuário de drogas injetáveis, por exemplo);
  • faça sexo anal ou vaginal com muitos parceiros diferentes, principalmente se você não costuma usar preservativos;
  • recentemente teve outra IST (como clamídia, gonorreia ou sífilis);
  • realize trabalho sexual que inclua penetração vaginal ou anal;
  • tenha injetado drogas, compartilhado agulhas ou feito tratamento contra abuso de drogas nos últimos 6 meses.

Se você corre bastante o risco de contrair HIV e está grávida, tentando engravidar ou amamentando, a PrEP também pode ajudar você e seu bebê a evitar contrair o retrovírus.

Peça orientação a um médico a fim de descobrir se a PrEP é adequada para você. É importante ser honesto para que você possa obter a melhor assistência possível (aqui, os médicos estão disponíveis para te ajudar, não para te julgar). Quanto mais informações corretas e exatas eles tiverem, mais eles vão poder te ajudar.

Além disso, vale lembrar que a PrEP não é a mesma coisa que a PEP (profilaxia pós-exposição). A PEP é um tratamento de curto prazo para pessoas que já foram expostas ao HIV nas últimas 72 horas, enquanto a PrEP é um comprimido de uso diário e contínuo para pessoas que podem se ver expostas ao HIV no futuro.

Outros cuidados importantes

A PrEP deve fazer parte de um amplo programa de prevenção do HIV, incluindo o uso de preservativos e um aconselhamento médico. Além disso, antes de tomar a PrEP, a pessoa deve passar por alguns testes para confirmar que ainda não está infectada com o HIV.

As pessoas que fazem uso da PrEP devem continuar fazendo exames para garantir que não foram infectadas. Do mesmo modo, elas devem ser testadas quanto a problemas nos rins, hepatite B e quaisquer infecções sexualmente transmissíveis.

Enfim, recomenda-se que as pessoas que tomam PrEP passem por atendimento médico no mínimo a cada 2 ou 3 meses, para:

  • fazer teste para infecção por HIV,
  • checar os efeitos colaterais do tenofovir e da emtricitabina,
  • verificar se há algum problema em tomar PrEP todos os dias,
  • reforçar o uso do preservativo e de outras orientações quanto à prevenção

Afinal, a PrEP funciona?

Se você usá-la corretamente, a PrEP pode diminuir em mais de 90% as suas chances de contrair o HIV através do sexo. E, usando preservativos + PrEP, você fica ainda mais seguro. Por fim, ela também pode reduzir as suas chances de contrair o HIV por meio do compartilhamento de agulhas em mais de 70%.

É realmente importante tomar a medicação todos os dias, pois a PrEP não funciona tão bem se você pular os dias. Se você não tomar todos os dias, pode não haver o suficiente da substância no seu corpo para bloquear o HIV.

No entanto, não se esqueça que a PrEP não previne outras infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia. Portanto, continue usando preservativos.

A PrEP e seus efeitos colaterais mais comuns

Os efeitos colaterais mais comuns observados nos estudos com tenofovir + emtricitabina incluem: dor de cabeça, náuseas, vômitos, erupções cutâneas e perda de apetite. Em algumas pessoas, o tenofovir pode aumentar os níveis de creatinina e transaminases no organismo, isto é, enzimas relacionadas aos rins e ao fígado. Assim, níveis elevados podem indicar lesões nesses órgãos: o uso prolongado do tenofovir pode prejudicar os rins.

Além disso, o tenofovir pode reduzir a densidade mineral óssea. Nesse caso, então, pode ser útil a suplementação de cálcio ou vitamina D (isso vale principalmente para pessoas com osteopenia ou osteoporose).

Os níveis de ácido lático no sangue aumentam em alguns indivíduos que tomam tenofovir e emtricitabina; também podem ocorrer problemas de fígado, incluindo o fígado gorduroso (esteatose hepática). Em casos raros, pessoas que tomaram emtricitabina tiveram algumas mudanças temporárias na cor da pele.

A PrEP apresenta algum risco?

Além desses efeitos colaterais mais raros e de possíveis consequências do uso a longo prazo (perda de densidade mineral óssea e danos aos rins), tem pessoas que acham que o uso da PrEP pode dar a falsa impressão de que o indivíduo está 100% protegido e que, por isso, ele vai ser menos cuidadoso em seus comportamentos sexuais. Até o momento, vale lembrar, as pesquisas apontam que isso não é verdade.

Conclusão

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é o uso de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao HIV, com o objetivo de reduzir o risco de infecção pelo retrovírus. Quando a combinação de tenofovir e emtricitabina é usada corretamente e com consistência, ela pode reduzir a taxa de infecção pelo HIV via relações sexuais em até 90%.

Os benefícios da PrEP são muito altos em relação a diminuir novas infecções pelo HIV em pessoas que reconhecem seu risco e que podem tomar o medicamento para se protegerem. Tem gente que teme que a PrEP possa encorajar comportamentos inseguros, mas isso jamais foi comprovado.


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