Como o pornô pode influenciar a sexualidade

Por que a pornografia pode fazer muito mal?
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

18 de junho 2021

Utilizar a internet para a sexualidade é muito comum: pornografia, vídeos pela webcam, encontros virtuais, etc.. Embora a utilização moderada não pareça ter efeitos negativos na sexualidade (pelo contrário), o consumo excessivo de pornografia pode ter muitas repercussões. Dentre eles existem fatores psicológicos (evitar relações muito íntimas) e sintomas depressivos, além da sua influência sobre a realidade sexual das pessoas.

A pergunta que devemos fazer: qual é o lugar da pornografia na nossa sociedade?

Como relatado num estudo de 2017, a sexualidade (e particularmente a pornografia) ocupam um lugar importante nos mecanismos de busca (lê-se Google): as procuras relacionadas ao sexo estão entre as mais frequentes na rede.

E, por uma boa razão: a oferta é diversa, na maioria das vezes gratuita, por conteúdos acessíveis e rápidos 24 horas por dia.

Além disso, quem consome esse conteúdo pode ter a impressão de estar sozinho em frente à tela. Assim, encoraja-se ainda mais o consumo de pornografia.

A internet aumentou, então, o acesso à pornografia e a ilusão do anonimato.

A sexualidade na internet

Existem muitas práticas orientadas para o sexo na internet.

Podemos, portanto, identificar comportamentos muito diferentes, dependendo da experiência ou interação. Por exemplo: ver pornografia sozinho ou em grupo, em chats, webcams, sites de encontros e apps, realidade sexual virtual, jogos de videogame…

A principal motivação para essas práticas é provavelmente a busca pela excitação sexual ou por informação sobre a própria sexualidade.

Isso tudo é perigoso?

Essa disponibilidade que existe na internet não é, por si só, realmente ruim. Ela pode até mesmo ajudar na comunicação e na interação sexual entre as pessoas, promovendo assim o conhecimento sexual. 

Mas, segundo outros estudos recentes, parece que uma parte da população é viciada nessas práticas virtuais. No entanto, ainda é difícil definir uma norma ou medida precisa para esses vícios.

Certamente a sexualidade e a constatação da dependência sexual estão sujeitas aos valores morais, atrasando estudos e o aparecimento de medidas ou definições claras. A definição de uma norma de acordo com as práticas ou frequência permanece, aliás, bastante subjetiva.

Entretanto, podemos confiar em numerosos estudos que demonstraram a influência negativa das dependências em geral (jogos de videogame, apostas esportivas – para não mencionar as dependências químicas, claro…), todas elas nocivas à saúde.

Podemos, então, prever com bastante certeza que uma dependência pela pornografia tem uma série de consequências negativas para o indivíduo.

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Como o pornô pode influenciar a sexualidade?

Vamos salientar principalmente a influência negativa do consumo de pornografia quando ela é excessiva: todos os vícios têm um impacto na saúde.

O pornô pode ser problemático se se tornar algo compulsivo e viciante.

Em geral, a pornografia transmite uma certa objetificação do corpo, que é despersonalizado e muito frequentemente desnaturalizado. Vemos principalmente a objetificação da figura feminina, sujeita a comportamentos agressivos e quase sempre em uma posição submissa. 

O excesso de consumo pornográfico pode ser associado a um distanciamento da realidade, de si mesmo – uma forma de escapar do mundo real.

Dessa forma, as nossas práticas acabam se adaptando e mudando: elas passam a tentar refletir o aspecto comercial vendido pela pornografia.

Esse meio visual pornográfico reforça mesmo os impulsos voyeurísticos ou exibicionistas dos espectadores.

Mas ele reflete também um certo número de fantasias inconscientes que a pessoa não reconhece ou não assume. Na internet, o indivíduo, com o poder do anonimato virtual, dá livre curso aos seus impulsos. A fronteira entre esse virtual e o real fica, então, muito tênue e a influência da pornografia atinge as práticas dos consumidores desse tipo de conteúdo.

Entre as imagens inevitavelmente produzidas pela pornografia, encontramos a venereção ao falo, representando o poder, a dominação exercida pelos homens sobre as mulheres – além disso, encontramos bastante violência.

Outras consequências do pornografia em excesso

As consequências ocorrem após uma utilização repetida e excessiva.

Por exemplo, a pornografia pode levar a problemas emocionais (depressão, culpa, vergonha, etc.), problemas de relação (isolamento social), problemas profissionais ou acadêmicos (menor produtividade ou diminuição geral do desempenho, etc.).

Mas também afeta a sexualidade: disfunção erétil, problemas de desejo… A pornografia pode até mesmo levar à infidelidade ou à perda de interesse nas relações sexuais reais.

Além disso, essa utilização problemática responde frequentemente à necessidade de “aquietar” obsessões ou fantasias, emoções (raiva, medo, tédio, etc.) ou necessidades físicas (excitação sexual).

Fora isso, parece que, entre os jovens, a pornografia encoraja expectativas irrealistas a cerca da sexualidade ou das práticas sexuais.

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Como saber se sou viciado em pornografia?

A comunidade científica ainda debate muito sobre essa questão.

Isso porque o comportamento sexual considerado problemático pode ser definido de várias formas: vício, dependência, compulsão, impulsividade, desejo sexual hiperativo…

Quando se trata da utilização problemática da pornografia, o debate é mais frequentemente entre a definição de vício e a de distúrbio sexual.

Os sintomas ligados ao uso excessivo da pornografia são muitas vezes idênticos aos dos vícios comportamentais: dificuldade em se controlar, consequências negativas no bom funcionamento da própria vida privada e pública. Muitas vezes, a pessoa recorre à pornografia da mesma forma como recorre a um outro vício qualquer: cigarro, jogos de azar, álcool, enfim… Trata-se de um comportamento compulsivo, que ocorre de forma automática e quase que inconsciente, e que muitas vezes cumpre o papel de atenuar ansiedade ou outras angústias

Uma hipersexualidade pode também estar ligada ao consumo excessivo da pornografia, mas também à masturbação, a conversas sexuais na internet, à busca incessante por encontros sexuais em diversos contextos, etc..

A partir do momento em que essas práticas ficam repetidas, excessivas ou atrapalham a vida do indivíduo, que não pode deixar de praticá-las, falamos mais frequentemente de um desejo sexual hiperativo (ou apenas hipersexualidade).

O indivíduo então se excita apenas por tais comportamentos sexuais. Isso geralmente provoca sofrimento nela e nas pessoas do seu círculo social, e um certo número de comportamentos podem até se tornar perigosos.

Como parar de consumir pornografia?

Existem vários “tratamentos” que assumem a forma de uma abordagem cognitiva e comportamental. Dentre as abordagens possíveis, temos, por exemplo:

  • colocar o próprio computador apenas em espaços comuns
  • instalar software de controle parental (inclusive em smartphones)
  • limitar a quantidade de tempo que se passa online
  • pedir ajuda a alguém de confiança

Em segundo lugar, é preciso encontrar formas saudáveis de viver com a internet, em vez da abstinência total. Um especialista em saúde sexual poderá ajudar você a identificar comportamentos sexuais problemáticos e os seus mecanismos (pensamentos, situações, estímulos, etc.).

De qualquer forma, é necessário se conscientizar para avançar na recuperação. Consulte um especialista em saúde sexual para obter ajuda.

Conclusão

A pornografia com um consumo moderado pode não ser um problema em si.

Mas se ela se tornar algo excessivo e repetido (e gradualmente se tornar um vício), trará consequências graves à vida da pessoa.

É possível ver pornografia ocasionalmente sem ser influenciado por ela, mas a linha é rapidamente ultrapassada quando ela altera o comportamento sexual e outras coisas.

Se sentir que está perdendo o controle e que está tendo um impacto negativo na sua vida causado pela pornografia, procure o atendimento de um profissional capacitado.

Fontes

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