Como funciona a excitação sexual?

a excitação sexual masculina e feminina são fenômenos complexos
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

8 de julho 2021

Os homens acabam expressando a excitação sexual através da ereção do pênis e da chegada do orgasmo ou da ejaculação. Vários neurotransmissores estão envolvidos nesses processos: dopamina, serotonina, óxido nítrico e oxitocina.

Mas qual a diferença entre o desejo sexual (libido) e a excitação sexual? Qual o papel do cérebro no desejo sexual e na excitação? A Omens vai explicar com detalhes e diferenciar essas duas fases da resposta sexual masculina: 

Como diferenciar o desejo da excitação sexual?

Estou excitado porque tenho desejo? Ou é a excitação que desencadeia o desejo? Essa questão há muito tempo atravessa a ciência e a literatura. 

Em meados da década de 1950, Kaplan, seguindo o trabalho de Masters, Johnson, Freud e Lacan, descreveu o desejo sexual como “a primeira fase da resposta sexual”.

Essa definição implica portanto uma causalidade, uma cronologia, entre o desejo sexual e a excitação sexual: é o desejo que dá origem à excitação.

Porém, do ponto de vista clínico, isso nem sempre é assim.

Em outras palavras, as relações sexuais podem começar apesar da falta de desejo, mas depois, o desejo surge quando a relação sexual desencadeia uma excitação fisiológica (física e psicológica).

Assim, a função sexual não parece necessariamente seguir um padrão linear que seria:

  1. uma fase de desejo; e
  2. uma fase de excitação (pelo menos não nas mulheres). 

Na realidade, o desejo sexual parece envolver muitos mecanismos interpessoais, evolutivos, cujas origens podem ser complexas.

Sabemos que diversos fatores motivam não só a libido (desejo sexual), mas também a excitação sexual: seja por questões pessoais (idade, cultura, educação, etc.) ou relacionais (a vida de casal, por exemplo). 

Mas antes de diferenciarmos mais precisamente o desejo sexual e a excitação, vejamos de perto como eles funcionam do ponto de vista neurológico e fisiológico. 

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Definição: o que é desejo sexual?

Define-se o desejo sexual como uma experiência subjetiva, um impulso pessoal que leva alguém a procurar, iniciar, ou ser receptivo a uma experiência sexual ou estimulação sexual. 

O objetivo do desejo seria o de dar o impulso para a satisfação subsequente do potencial prazer sexual. É também para responder essa questão que Kaplan nos dá uma definição mais clara do desejo sexual. Assim, segundo ele, o desejo é:

“o aumento da frequência e intensidade dos pensamentos sexuais (ou fantasias)”.

Também podemos dizer que o desejo sexual é “espontâneo” ou “reativo”. No caso do desejo sexual reativo, é o que acontece quando o desejo ocorre depois de uma excitação fisiológica o ter desencadeado. 

Vários tipos de estimulação também podem desencadear o desejo sexual: imaginação erótica, memória de experiências passadas, emoções ou, em uma escala maior, o efeito combinado dos cinco sentidos.   

Em resumo: é muito difícil “medir” o desejo sexual. Isso porque ele é, acima de tudo, uma experiência subjetiva. A um nível neurofisiológico, isso envolve:

  • o sistema límbico, responsável pelas emoções;
  • e o hipotálamo, que permite a síntese e secreção de hormônios neurais. 

O desejo sexual, então, se caracteriza por uma complexa interação envolvendo diferentes hormônios sexuais e diferentes neurotransmissores, específicos do prazer e do sistema de motivação e recompensa. Os principais hormônios sexuais (e neurotransmissores) são: testosterona, progesterona, estrogênio, dopamina, oxitocina e serotonina. 

No entanto, ainda é difícil identificar o papel preciso desses hormônios e neurotransmissores e determinar quais aumentam o desejo e quais o inibem (ou o diminuem).

Como funciona uma ereção? [Vídeo]

Nesse vídeo, nosso médico Dr. João Brunhara explica um pouco sobre como funciona a ereção, para que ela serve, e até mesmo como avaliar sua função sexual, para saber se você tem ou não uma disfunção sexual (disfunção erétil) e se é o caso de procurar um urologista especializado em sexualidade.

Excitação sexual: o que isso significa?

A excitação sexual é geralmente vista como a segunda fase da resposta sexual, embora tenhamos visto que nem sempre é assim tão simples. A definição clássica de excitação sexual é:

“a sensação subjetiva de prazer sexual, acompanhada de mudanças fisiológicas”.

Nos homens, essas mudanças incluem, por exemplo, o crescimento e a rigidez do pênis. Nas mulheres, essa excitação leva à vasocongestão (aumento do fluxo sanguíneo) em direção aos órgãos sexuais, além de um aumento na lubrificação vaginal e da dilatação da vagina. 

Assim, a excitação pode ser causada por uma variedade de estímulos que vão desde beijos, palavras à estimulação manual dos órgãos genitais e não genitais do corpo (as zonas erógenas em geral).

A excitação também causa um aumento nos níveis de testosterona e ocitocina. Parece que o hipotálamo e o sistema límbico também estão envolvidos nos mecanismos de excitação.

No entanto, poucos estudos até a presente data se concentraram nessas áreas do cérebro, deixando poucas conclusões acerca das diferenças entre o desejo e a excitação sexual. 

As 4 fases da excitação sexual

De acordo com os últimos estudos científicos, a excitação sexual passa por 4 fases:

  • uma fase autônoma;
  • uma fase emocional;
  • a fase motivacional;
  • e a fase cognitiva.

Essas diferentes fases podem interagir umas com as outras e não ocorrem necessariamente em uma ordem cronológica definida.

Dependendo da fase de excitação, diversas áreas do cérebro podem se ativar. 

Apesar do desenvolvimento dos exames de imagem, que permitiram destacar as áreas do cérebro envolvidas nos processos de excitação sexual em homens e mulheres (hipotálamo, sistema límbico, etc.), a distinção precisa entre excitação mental (subjetiva), física e desejo sexual ainda não está clara.

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Como funciona a excitação sexual?

A excitação sexual pode ocorrer durante a atividade sexual, por antecipação à atividade sexual ou através de mecanismos psicológicos (imagens mentais). Portanto, é uma mistura sutil de estímulos (visuais, físicos, etc.) e de secreções hormonais específicas do prazer. 

Geralmente a excitação sexual tem origem no cérebro, de um pensamento ou sentimento de afeto ou proximidade a uma pessoa; mas também pode ocorrer quando um parceiro estimula o outro de alguma forma (física ou mental) que não inclui necessariamente os órgãos sexuais

Certamente as fontes de excitação sexual são específicas para cada pessoa. 

Para alguns, a atração (física, intelectual, etc.) é importante; para outros, alguma forma de interesse em áreas particulares do corpo, práticas, objetos que despertam a atração ou fantasias sobre uma pessoa ou sobre certa ação, etc.  

Nos homens, as respostas fisiológicas à excitação sexual resultam na ereção do pênis; nas mulheres, a excitação resulta no inchaço dos mamilos, da vulva e do clitóris e na lubrificação vaginal.

A pressão arterial, respiração e ritmo cardíaco aumentam tanto nos homens como nas mulheres. Quando a excitação atinge o seu auge, é possível atingir o orgasmo.

Por fim, muitos fatores podem interagir com a excitação sexual, provocando aceleração ou diminuição; por exemplo: o grau de relaxamento, a fadiga, o estresse, descansos, álcool, cigarro, fatores ligados ao relacionamento, etc.

Conclusão

Tanto nos homens como nas mulheres, os exames de imagem revelam a ativação de áreas cerebrais específicas e comuns durante a excitação sexual. 

Mas essas áreas do cérebro não são ativadas da mesma forma e especialmente não com a mesma intensidade, o que sugere que homens e mulheres não estão receptivos da mesma forma aos mesmos estímulos (físicos e/ou mentais). 

Certamente os mecanismos da excitação variam muito de uma pessoa para outra e envolvem muitos fatores subjetivos, biológicos e fisiológicos, bem como fatores relacionais específicos de cada pessoa.

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