Você sabe o que é o tantrismo?

O tantrismo pode estar relacionado tanto ao budismo como ao hinduísmo
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Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

28 de outubro 2021

Hoje abordaremos um tema bastante extenso: as origens do Tantrismo (Tantra) e os seus vários rituais, através do Hinduísmo e do Budismo.

Isso porque o aspecto sexual é apenas um pequeno ramo dos ensinamentos do tantrismo (um termo inventado no século XIX no Ocidente). Na realidade, ele é uma religião complexa e voltada para a espiritualidade.

O termo Tantrismo é derivado da palavra sânscrita tantra, que significa “regra” ou “tratado”.

Ela designa um conjunto de textos, doutrinas, rituais e métodos de iniciação que têm influenciado a maioria dos ramos do hinduísmo, incluindo o budismo.

O tantrismo pode ser expressado através de diferentes práticas: yoga, ensinamentos de iniciação ou ritos – para citar apenas alguns.

Tantrismo: quais as origens?

O termo tantra corresponde a um sistema metafísico prático (voltado para a ação) cujas origens provêm da Índia. Nesse sistema existem dois princípios simbolizados pelo masculino e pelo feminino, que seriam a base do universo.

O Tantra tradicional é um “caminho de transformação integral do ser humano”, passando através do corpo e dos cinco sentidos.

Enquanto o Vedismo (uma cultura importada para a Índia antiga por povos do Irã) colocou o desejo (Kama) na origem da Criação, o Bramanismo desenvolveu uma ideologia mais restritiva.

O tantrismo quis, portanto, restabelecer o desejo no centro do seu caminho de libertação, com base em dois princípios essenciais: uma “presença” omnisciente e uma “ação de conscientização”. Shiva (macho) simboliza essa “presença” e Shakti (fêmea) representa um princípio ativo e exteriorizado dessa divindade masculina.

Hoje, muitas pessoas interpretam o termo Tantra como práticas que estão muito longe do espírito original do Tantrismo.

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Doutrina do Tantra (Tantrismo)

Para o Tantrismo alcançar esse caminho de libertação, foi necessário integrar a noção de desejo na espiritualidade, através de rituais e exercícios baseados em meditação e no yoga. 

A ideia era transformar o próprio corpo a fim de integrá-lo com as leis do universo. E, para conseguir isso, usou-se o desejo como símbolo da energia do mundo.

Tudo isso é entendido a partir da manifestação e do contato feitos com uma divindade.

Essa divindade possui dois símbolos:

  • um do deus (Shiva), representando o masculino: ação de conscientização, mas inativa;
  • e do feminino, Shakti: o princípio ativo (exteriorizado de Shiva) e criador da energia.

Tantrismo e sexualidade

Tantrismo e energia vital

Muitos veem no tantrismo uma forma de “aumentar a satisfação sexual”. No entanto, a sexualidade é apenas uma pequena parte dos escritos tântricos.

Por estarem localizados nas mesmas áreas anatômicas, a energia sexual e a energia vital estão associadas: a fonte dessa energia vital, por exemplo, estaria localizada no cóccix.

Em teoria, prestando atenção às regiões genitais, se conseguiria através de diferentes práticas (yoga, por exemplo) despertar e libertar a energia da vida, de modo a difundi-la no corpo para alcançar o êxtase.

É nesse quesito que dizemos que o Tantrismo está voltado para a satisfação sexual. Mas uma observação importante: essa satisfação sexual passa primeiro pela nossa atenção ao próprio interior.

É a atenção que prestamos de forma diferente a certas zonas do corpo, o que nos permite despertá-las e, mais tarde, uma satisfação sexual maior. O prazer vem em segundo lugar e do interior do corpo (não do exterior).

Tantrismo: entre a espiritualidade e a sexualidade

O tantrismo deve, portanto, ser visto como uma forma de desenvolver todo o ser. Através de diferentes técnicas, espera-se que ele traga um despertar dos sentidos, permitindo principalmente que a pessoa se conheça melhor, libertando tensões ou refinando as próprias percepções.

Nesse sentido, ele pode ajudar a resolver problemas sexuais (tais como “falhas” muitas vezes psicológicas).

No entanto, tal como o Kâmasûtra, a sexualidade é apenas um fragmento do ensino tântrico: ele ensina um estilo de vida muito mais amplo. E a meditação, massagem ou exploração dos sentidos são técnicas ou meios para alcançar um nível superior de consciência através do êxtase.

Acredita-se que a difusão de energia vital no corpo promove um estado de bem-estar e de realização pessoal.

Onde entra a massagem no Tantrismo?

A massagem permite que os dois corpos se aproximem através do despertar dos sentidos. Ela é um convite ao amor-próprio.

Além disso, é através da massagem que se consegue despertar a energia vital (ou energia sexual). Por conta disso, pode-se considerar a massagem tântrica como erótica.

A atração e a excitação sexual são fenômenos naturais: então, mesmo que a massagem tântrica não tenha essa função primária, ela pode naturalmente conduzir a essas sensações. 

Mas não se trata de uma busca pelo orgasmo. É uma massagem entre duas pessoas desinteressadas.

A excitação pode ser sentida como uma vibração, um estremecimento, ou uma energia difusa em todo o corpo.

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História do Tantrismo

Hinduísmo tântrico

Como dissemos, Tantra, para o Hinduísmo, significa tanto “regra” como “tratado” ou “método”.

Há, portanto, duas tradições principais:

  • a tradição Vishnuite: culto a Vishnu (deus supremo simbolizado por mantras);
  • e os Shivaístas, caracterizados pelos ágama e pelo tantra: respectivamente a “tradição” ou o culto a Shiva.

Para realizar os ritos tântricos, era necessário iniciar uma prática de meditação, de mentalização ou de controle da respiração. Há também sessões de declamação (recital).

De acordo com alguns autores, o foco das práticas religiosas tântricas era sexual, seja de forma simbólica ou real. Por exemplo, algumas formas de yoga se destinavam a permitir a união à energia shakti. O yoga se baseou, então, numa descrição sutil do corpo e dos seus centros energéticos.

Era, portanto, necessário receber a iniciação de um mestre competente. Certas práticas sexuais podiam, para os mais experientes, ser realizadas com posições de yoga.

Durante esses ritos tântricos, as práticas tinham que possibilitar a transgressão da noção de bem e mal, alcançando um estado de poder e libertação.

Havia assim dois caminhos do Tantrismo, que podiam ser seguidos simultaneamente.

Budismo tântrico

O budismo tântrico surgiu entre os séculos III e IV, com base no hinduísmo. No século VII, um compêndio completo escrito em sânscrito se difunde no Tibete, através de vários mestres indianos, nepaleses e afegãos.

O budismo também atinge certos territórios do sudeste asiático (como, por exemplo, na China). Mais tarde, ele terá também grande influência no Japão.

No budismo, o Tantra é interpretado como “continuidade” ou “integração”.

Na prática, o objetivo é desenvolver a sabedoria, a compaixão, a morte da ignorância e uma perfeita compreensão das “realidades intrínsecas”. Ao contrário do hinduísmo, o budismo não tem divindades com uma natureza própria.

  • Os textos tântricos encontram-se em um ramo do budismo, apresentados como superiores a outras práticas. Certas práticas de yoga, por exemplo, permitem um despertar de consciência mais rápido.

A prática reservada aos iniciados de alto nível pode ter transmitido uma imagem erótica ou sexual do budismo tântrico.

O Tantrismo no Ocidente

O Ocidente frequentemente vê o tantrismo como uma forma de “transgressão” (algo que não respeita necessariamente a lei moral estabelecida). Essa fama contribuiu para o seu sucesso (na Europa e em outros locais).

O aspecto sexual de certos ritos raros (reservado aos já iniciados na prática) reforçou o aspecto fantasioso e místico do Tantrismo para os ocidentais.

O tantrismo pode representar tanto a desobediência às proibições morais e sociais como o uso da energia sexual (ou força).

No entanto, mesmo que tenha suscitado fantasias para alguns países, devemos abordar o assunto de forma mais complexa, tanto religiosa como espiritual.

Aqui, essa ideia dá à luz a muitos círculos esotéricos ou espirituais.

Conclusão: o que podemos tirar de tudo isso?

Vimos que o Tantrismo se baseia em um sistema muito mais rico do que simplesmente uma “prática subversiva” ou “sexual”.

Em particular, o grau de espiritualidade ou religião que requer para sua prática é elevado. Sem esquecer, por fim, que uma iniciação exigente e longa é necessária para tentar alcançar esse alto estado de consciência.

O corpo e o espírito estão, portanto, intimamente ligados para essas diferentes religiões e tradições: o aspecto sexual do Tantrismo corresponde apenas a um dos aspectos do ser humano.

E esse aspecto em si representa apenas uma pequena parte do complexo sistema hindu e budista.


Referências

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COMENTÁRIOS SOBRE “Você sabe o que é o tantrismo?

  1. Luis Carlos de Barros says:

    É permitido o sexo (penetração) pelo terapeuta numa sessão feminina? Mesmo que na hora ou antes da sessão ela deseja q aconteça,?
    Outra pergunta, nesse contexto, quais os códigos éticos,protocolos de segurança, cuidados c saúde, por parte do terapeuta, q este deve seguir?
    Pode ser considerado abuso, qdo um terapeuta se aproveite do cliente e faça sexo natural, penetração, mesmo que a cliente ou cliente o permita na hora ou antes da sessão,??

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