Herpes genital masculino: tratamentos e prevenção

pimenta vermelha em formato fálico, lembrando a sensação de queimação da crise de herpes genital
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Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

4 de março 2022

Dois vírus são responsáveis pelo herpes: o tipo 1 (ou HSV-1), que é responsável pelas infecções na boca, nos lábios ou nos olhos; e o tipo 2 (HSV-2), que é responsável pelo herpes genital masculino.

Infelizmente, o sexo oral também contribui para a transmissão de várias ISTs, incluindo o herpes genital: estima-se que o HSV-1 é agora responsável por 10 a 30% dos casos da doença. Os casos aumentam, seja por negligência ao sexo seguro, seja por desinformação.

O herpes genital é um verdadeiro problema de saúde, afetando aproximadamente dois terços da população brasileira sexualmente ativa.

O que é o herpes genital masculino: números sobre a doença

Herpes é uma doença viral sexualmente transmissível e altamente contagiosa.

No momento da primeira infecção de herpes genital, o vírus se manifesta através do surgimento de pequenas bolhas nos (ou ao redor dos) órgãos genitais, que podem parecer feridas.

Em seguida, o vírus “adormece” no organismo. Mas ele pode reaparecer várias outras vezes.

O vírus tipo 2 (HSV-2) é o principal responsável pelo herpes genital, mas como já dissemos, o HSV-1 também pode ser transmitido durante o sexo oral, no contato com as mucosas. Portanto, os dois vírus podem provocar a herpes genital.

Herpes genital tem cura? [Omenscast #32]

No nosso 32º episódio do Omenscast, o médico urologista João Brunhara vai falar sobre a herpes genital, que infelizmente afeta muitas pessoas no Brasil e no mundo todo. Vamos falar sobre tratamentos e prevenção? A transcrição do áudio você poderá encontrar aqui.

Transmissão, primeira infecção e reativação do vírus

Quando o vírus do herpes entra no corpo, ele causa o que se chama de infecção primária. Ele é ativado pelo surgimento temporário de pequenas bolhas, assim o herpes se instala no organismo antes de adormecer.

A partir de então, é impossível se livrar completamente do vírus da herpes simples, mesmo que as suas manifestações no corpo desapareçam.

Infecção primária de herpes

Essa primeira infecção se caracteriza pelo primeiro contato entre o herpes e o organismo. Raramente transmitido de mãe para filho (ao contrário do herpes labial), o herpes genital é transmitido durante a relação sexual, que não precisa incluir obrigatoriamente a penetração.

Os sintomas variam em intensidade, dependendo do indivíduo. A pessoa infectada que transmite o vírus

  1. ou possui feridas de herpes nos órgão sexuais, nas coxas, nas nádegas, etc.,
  2. ou não apresenta nenhum sintoma, mas porta o vírus nas mucosas.

Em casos de infecção por HSV-1 e na presença de uma ferida na boca, é possível contrair o herpes genital pelo contato oral com o órgão sexual.

Reativação do vírus

Uma vez em contato com o corpo, o vírus do herpes se desloca através das terminações nervosas da área infectada e permanece adormecido em um gânglio nervoso. Ele pode permanecer latente dessa forma por várias semanas, vários anos, sem reaparecer… Aliás, ele pode permanecer latente para sempre.

Mas geralmente o herpes reaparece de forma esporádica na área da primeira infecção: são as chamadas recidivas (ou reincidências).

Ao percorrer os nervos, o vírus da doença coloniza a região da pele ou das mucosas infectadas pela primeira vez, provocando machucados menores, mas recorrentes. Os fatores que podem incentivar uma recidiva são:

  • estresse;
  • uma outra infecção;
  • cansaço físico;
  • um sistema imunológico fragilizado;
  • alterações hormonais (como durante a menstruação, por exemplo).

Por fim, sabe-se que as recidivas são mais frequentes no ano seguinte à primeira infecção.

Os sintomas do herpes genital masculino

Em casos raros, a infecção pelo vírus do herpes passa completamente despercebida.

Isso quer dizer que algumas pessoas talvez tenham tido contato com a doença sem nunca desenvolver sintomas. Mesmo assim elas continuam sendo contagiosas se o vírus estiver presente nas mucosas – ainda que sem sintomas.

Sintomas da infecção primária por herpes genital

Apesar de passar despercebida na maioria das vezes, essa primeira infecção pode se manifestar de várias formas:

  • Feridas na área infectada: pequenas bolhas agrupadas (com um líquido transparente dentro), que rapidamente evoluem para úlceras, causando irritação, formigamento, coceira, ardência ou dor;
  • Outros machucados nos órgãos sexuais (ou em áreas próximas), mais abundantes e graves:
    • inflamação do ânus e do reto;
    • úlceras cobertas de uma camada esbranquiçada e dolorosa.
  • Febre, dores de cabeça, dores musculares, dores de barriga, dor ao urinar ou defecar.

A cicatrização e o desaparecimento das feridas podem levar várias semanas.

Reincidências do herpes genital masculino

As recidivas de herpes se caracterizam por:

  • sinais de alerta, como formigamento, dormência ou ardência na área acometida pela infecção;
  • sintomas como bolhas, vermelhidão, crostas, etc.;
  • feridas espalhadas pelo pênis, prepúcio ou testículos (a cicatrização costuma ser mais lenta nos testículos);
  • machucados nas nádegas, nas coxas ou no ânus.

A cicatrização pode levar de 7 a 10 dias.

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Tratamentos, proteção, prevenção

Não existe até o momento vacina contra o herpes genital, por isso é importante se proteger durante as relações sexuais.

Para evitar transmitir o vírus, uma pessoa infectada deve evitar ter relações sexuais assim que os sintomas aparecerem e até que as feridas tenham cicatrizado por completo (aguardar até as crostas caírem).

Se os parceiros em questão não quiserem esperar, eles podem utilizar preservativos e protetores orais de látex, mas isso não é aconselhável. Mesmo porque os preservativos reduzem o risco de transmissão do vírus, mas não o erradicam.

O preservativo deve, então, ser usado da seguinte maneira:

  • durante qualquer contato com regiões íntimas;
  • durante todas as relações sexuais, seja na penetração anal ou vaginal, seja no sexo oral.

Também é possível fazer um protetor oral a partir de uma camisinha de látex, usando-o para cobrir a vulva ou o ânus durante o sexo oral: ele reduz o risco de infecção, evitando o contato entre a boca e os órgãos genitais.

Ao utilizar brinquedos sexuais, também se recomenda o uso de preservativos.

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Como tratar o vírus do herpes?

Não há cura para o herpes genital, embora alguns medicamentos possam aliviar a dor, reduzir o risco de recidivas e diminuir o risco de transmissão.

No entanto, existem fármacos antivirais que ajudam a enfrentar a crise de reativação de herpes e fazer com que ela dure menos. Por exemplo, o aciclovir é uma substância que bloqueia os mecanismos de multiplicação do vírus, impedindo que a infecção se mantenha e se prolifere.

Do mesmo modo, existe a opção do uso de aciclovir em forma de creme, para aplicar nas lesões, que pode reduzir a duração da crise

Mas outro medicamento possível de ser utilizado além dos antivirais é a lisina, um aminoácido essencial encontrado nas proteínas, disponível em cápsulas para administração oral ou pomada para aplicação no local.

O nosso corpo não produz essa substância, por isso você pode precisar consumi-la através de suplementos alimentares ou dieta específica. Alguns alimentos comuns ricos em lisina são, por exemplo: carne bovina, frango, peru, porco, sardinha, ovos, iogurte, queijo parmesão, soja…

A lisina é essencial para a saúde humana, ajudando na absorção de cálcio e na formação de colágeno. Muitas pessoas consomem quantidade suficiente do aminoácido em sua dieta normal. Mas algumas outras (atletas e veganos especificamente) podem precisar consumir mais. Assim, caso você não disponha de lisina suficiente no seu organismo, pode ser que experimente sintomas como: fadiga, náusea, perda de apetite, agitação, anemia.

Mas, na verdade, a grande utilidade da lisina seria o uso diário e contínuo fora das crises, com o intuito de diminuir o risco de recorrências das crises com lesões genitais.

Além disso, é importante avisar os parceiros sexuais anteriores quando a pessoa se descobre infectada com o vírus do herpes, sobretudo para informá-los de que o vírus pode ser transmitido mesmo sem qualquer sintoma.

Conclusão

Se você descobrir que tem herpes, não se desespere: há algumas maneiras de impedir que ela se espalhe para parceiros ou parceiras e até para outras partes do seu corpo.

Como não transmitir herpes genital?

  • Use sempre preservativos (ou mesmo a camisinha recortada nas pontas, no caso do oral na vulva) durante o sexo oral, anal e vaginal.
  • Converse com seu médico sobre o uso de medicamentos diários contra herpes, pois isso pode diminuir as chances de se espalhar a infecção.
  • Não faça sexo durante uma crise de herpes, mesmo com preservativo, porque pode haver feridas em locais que a camisinha não cobre.
  • Aprenda a sentir quando a crise está chegando e interrompa as relações sexuais assim que perceber esses sinais. Por exemplo, você pode sentir uma sensação de queimadura, coceira ou formigamento que vai te ajudar a saber que as feridas estão prestes a aparecer.

Por sinal, quando sentir que uma crise está chegando, procure um médico rapidamente e inicie logo o tratamento com antiviral, no intuito de abortar a crise antes até de as feridas surgirem.

  • Não faça sexo até que os machucados desapareçam completamente e as casquinhas cicatrizem e caiam.
  • Não toque nas feridas! Assim pode ser que a infecção se espalhe para outras partes do corpo ou mesmo para outras pessoas. Se você tocar em um machucado de herpes, lave as mãos com água e sabão logo em seguida.
  • Caso use óculos, não limpe as lentes com saliva, já que isso pode passar uma herpes oral para o olho.
  • Se você tiver uma ferida na boca, não beije ninguém, principalmente bebês, crianças ou gestantes.
  • Antes da relação, sempre avise aos seus parceiros ou parceiras sexuais que você tem herpes, para que vocês possam trabalhar juntos para evitar que ela se espalhe. Sabemos que dizer a alguém que você tem uma IST pode ser difícil, mas saiba que a herpes é super comum e não traz sérios problemas de saúde. 

Atenção!

As pessoas que têm herpes têm duas vezes mais probabilidade de contrair o HIV do que as pessoas que não têm. Além disso, os indivíduos que têm herpes e HIV possuem uma chance muito maior de transmitir o HIV. Por isso, é realmente importante usar preservativos para ajudar a proteger tanto os outros como a si mesmo.


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6 comentário(s) sobre “Herpes genital masculino: tratamentos e prevenção

  1. Antônio Carlos says:

    Gostaria de saber ,se a possibilidade de confundir o vermelhidão de herps com vermelhidao da balanopostite pois o médico disse quexeu estava com balanopostite estou a tempos fazendo tratamento e não se resolve agora está aparecendo umas feridas no meu pênis pequenas espalhadas pode ser herps ??

    • Dr. João Brunhara says:

      Um profissional treinado deve conseguir diferenciar os diagnósticos, ainda que em alguns casos essa avaliação seja mais difícil. A herpes tende a dar crises que duram de 7 a 10 dias, começam com pequenas bolhas e costumam doer.

  2. Luiz Claudio says:

    Bom dia ….Estou tendo problemas com herpes, porem consigo me cuidar bem,
    Mas quero deixar um comentario, pois tenho muito estresse e tenho 53 anos e sou negro, porem depois que tive um recesso em meu reto tenho pouca sensibilidade em meu penis, quando ele esta reto nao sinto ele totalmente reto(duro)….E isso esta me deixando incomodado…..Gostaria se isso poderia ter algo haver com o abcesso .

    • Dr. João Brunhara says:

      Pode ter a ver com fatores psicológicos, mas também físicos por conta de idade, depende de como está sua saúde. Em princípio o abscesso no reto, a menos que tenha tido sequelas de grande proporção (como síndrome de Fournier) não causa problemas de ereção.

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