Homens e mulheres têm fantasias sexuais diferentes, afinal?

Quais as fantasias sexuais mais comuns?
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

7 de julho 2021

Essa é uma questão muito interessante: quais são as fantasias sexuais mais comuns e como elas diferem entre os gêneros? Será que homens e mulheres compartilham das mesmas fantasias? Ou elas são específicas para cada um?

Vamos tentar juntos compreender melhor as fantasias sexuais (o que define algo como fantasia?) antes de olharmos para as possíveis diferenças entre os “fetiches” de homens e mulheres.

Definição de fantasia sexual

Em primeiro lugar, dizemos que a fantasia sexual é uma imagem mental que desperta excitação ou erotismo em um indivíduo.

Mais especificamente, o termo fantasia se refere a ter a capacidade de controlar através da imaginação aquilo pelo qual somos atraídos.

É uma forma de “auto erotização” mental.

Essas imagens mentais podem tomar muitas formas: símbolos, cenários, mitos, histórias, crenças, memórias…. Construímos uma fantasia, algo construído na nossa cabeça, onde cada detalhe conta.

Aliás, é muitas vezes essa noção de controle que permite ao “fantasiador” (a pessoa que cria e vive a fantasia sexual) pôr conscientemente em prática essa projeção.

Uma fantasia, portanto, é uma história elaborada – ou pensamento transitório – de atividade romântica ou sexual.

Mas, embora tenhamos já mencionado a noção de que a fantasia é controlada (ou seja, intencional), ela pode igualmente ser inesperada, provocada por pensamentos, sentimentos ou estímulos sensoriais.

Sabemos, então, que a fantasia pode produzir tanto sentimentos positivos (satisfação, por exemplo) como negativos (vergonha).

E mais: uma fantasia nos diz muito sobre uma pessoa (ou sobre nós mesmos). Ela nunca é “inofensiva”.

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Quais pessoas realmente têm fantasias sexuais?

Em assuntos de sexualidade em geral e na questão das fantasias sexuais, podemos nos aprofundar em dois aspectos: o da ocorrência (ou seja, quem possui fantasias ou não) e o da frequência (o número de ocorrências em um indivíduo ou grupo).

As fantasias sexuais são comuns?

As pesquisas sobre essa questão mostram que experienciar fantasias sexuais é universal.

Durante a masturbação, homens parecem se envolver em suas fantasias um pouco mais do que mulheres: estima-se que 85,9% dos homens fantasiam durante o ato, em comparação com 68,8% das mulheres.

Durante as relações sexuais, os homens teriam recorrido a fantasias em 76% dos casos, e as mulheres em 70% dos casos.

O mesmo se aplica às fantasias na vida quotidiana (fora de qualquer ato sexual), com homens e mulheres quase equiparando-se um ao outro: 93% dos homens e 84,5% das mulheres. Em 2011 e 2012, duas pesquisas realizadas mostram números ligeiramente menores (83% e 71%).

Esse último estudo revelou também que as mulheres que não tinham fantasias respondiam de forma menos satisfatória ao sexo.

Assim, podemos concluir que, mesmo a fantasia não sendo especificamente a causa da insatisfação, ela é um indicador mais da normalidade do que de algum desvio ou de patologia.

Ela é um sinal de boa saúde sexual!

Diferenças na frequência de fantasias sexuais entre os gêneros

Existe realmente uma diferença entre os gêneros com relação a frequência das fantasias sexuais.

Entre homens e mulheres, por exemplo, as pesquisas indicam uma maior frequência delas entre o público masculino.

A questão é se essa proporção indica uma diferença na satisfação sexual entre homens e mulheres ou uma diferença na experiência do sexo.

Quais são as expectativas sexuais de homens e mulheres? Um homem está satisfeito da mesma forma que uma mulher? Quais são os desejos de cada um ou as expectativas em relação à performance?

Podemos recorrer a estudos psicológicos, biológicos, socioculturais ou mesmo feministas para responder a essas dúvidas.

Para alguns, essa diferença na frequência das fantasias sexuais pode ser explicada por: diferentes estratégias para se obter relações sexuais, aspectos fisiológicos, hormônios diferentes, processos de identidade de gênero ou jogos de poder entre os indivíduos.

Outros acreditam que não existem grandes diferenças entre os gêneros nesse caso e apontam para os métodos utilizados pelos estudos.

Certamente nem toda pesquisa é clara ou explícita sobre a sua definição de “fantasia sexual” ou sobre a sua natureza. A fantasia sexual também pode ser diferenciada dos recursos sexuais do cérebro em geral.

A mecânica dos pensamentos sexuais vai mais além das fantasias.

Existem fantasias sexuais apenas “masculinas” ou “femininas”?

Assim como a fantasia sexual pode se expressar de formas diferentes, o conteúdo das fantasias pode ser diferente ente homens e mulheres.

A questão é saber se isso condiz com a realidade e como colocar essa informação em contexto.

Sobre isso, podemos apontar 3 tipos de posicionamento:

  • aqueles que identificam as diferenças homem/mulher
  • aquelas que refutam a posição anterior (a minoria das pesquisas)
  • e aquelas que preferem ir além desse debate, mesmo que reconheçam algumas diferenças mínimas

Entre aqueles que consideram que existem diferenças entre homens e mulheres, encontramos a pesquisa feita por Leitenberg e Henning (1995).

Crépault, em 1981, apresenta os resultados de um questionário conduzido por 523 participantes (288 mulheres e 235 homens) heterossexuais.

As fantasias dos homens de acordo com os questionários

As fantasias das mulheres de acordo com os questionários

As diferenças entre homens e mulheres: a fantasia extraconjugal

Outro estudo realizado em 2003 apontou que os homens teriam mais fantasias com pessoas desconhecidas ou com várias(os) parceiras(os).

Os homens também teriam mais fantasias em torno da dominação, enquanto as mulheres prefeririam a submissão em geral.

De acordo com um ponto de vista evolutivo, homens e mulheres também diferem nas suas estratégias na hora de conseguir um parceiro ou parceira.

Por exemplo, os homens procurariam múltiplas parceiras porque têm uma quantidade ilimitada de esperma; enquanto as mulheres, que possuem um número limitado de óvulos, dariam mais valor à qualidade.

Também se levanta a hipótese de que os homens têm mais fantasias sobre sexo em grupo a partir dessa mesma perspectiva. Por conta disso, os homens parecem ter mais fantasias “extraconjugais”, mesmo que essa proporção se mantenha tão elevada quanto entre as mulheres (98% entre os homens e 80% entre as mulheres).

Mas esses dados dizem respeito a apenas um questionário, que produziu questões já orientadas.

Se olharmos os pormenores dos resultados de vários questionários, notamos que as mulheres têm mais fantasias em relação ao parceiro ou parceira atual, enquanto os homens têm mais fantasias extraconjugais.

No entanto, como já dissemos, a metodologia da pesquisa e a orientação dos questionários pode levar a muitas mudanças nos resultados.

Por essa razão, alguns acreditam que os estudos não permitem diferenças claras, e outros reconhecem pequenas diferenças, mas dizem que elas não são significativas.

Talvez devamos orientar o debate para outros fins:

O que devemos aprender com as fantasias sexuais, então?

Em vez de tentar identificar as fantasias de uns ou de outros de acordo com o gênero (o que é complicado porque os questionários e métodos não são universais), deveríamos reorientar essa questão da fantasia sexual para:

  • que tipo de fantasias são essas?
  • por que é que temos fantasias?
  • qual é o papel da fantasia sexual?

A partir dessas perspectivas, aprenderemos sobre os seres humanos como um todo, a essência das fantasias e o que elas significam; o que, no fundo, é mais importante do que procurar classificações baseadas no gênero da pessoa.

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