Tudo que você precisa saber sobre a vasectomia contraceptiva

o interessado pela vasectomia deve ter idade mínima de 25 anos ou ter 2 filhos vivos
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

5 de agosto 2021

A vasectomia é um método permanente ou definitivo de contracepção masculina (apesar de ser possível realizar a operação inversa, a taxa de sucesso varia de 30 a 70%).

Além disso, o Ministério da Saúde adverte que a operação é “permanente e difícil de se reverter”, devido à relativamente baixa taxa de sucesso do ato cirúrgico para ligar os canais previamente cortados.

Aliás, se, por um lado, a vasectomia dura apenas cerca de dez minutos e apresenta apenas 0,15% de falha, a vasovasostomia (reversão da vasectomia) dura 2 horas e possui uma elevada probabilidade de falha. Essa operação consiste em juntar novamente o canal deferente, mas a vasectomia realizada anteriormente evitará que os espermatozóides se misturem com o líquido espermático. Esse é um aspecto pouco conhecido sobre a vasectomia.

Vasectomia: por que realizar essa operação?

Os espermatozoides são produzidos pelos testículos, que também secretam a testosterona (hormônio masculino).

Um homem normalmente tem dois testículos, localizados no escroto (às vezes chamado de bolsa escrotal ou bolsa testicular). O sangue chega aos testículos por artérias e é drenado por veias.

Os espermatozoides são transportados por múltiplos canais microscópicos que se juntam para formar o epidídimo.

Durante a ejaculação, o esperma atravessa o canal deferente até o ducto ejaculatório, permitindo posteriormente a fertilização do óvulo e a gravidez.

Se não houver espermatozoides no líquido seminal, a fertilização é impossível.

O objetivo da vasectomia é, portanto, cortar e amarrar o canal deferente para evitar que o esperma se misture com o líquido seminal; e, assim, impede-se a fertilização.

É uma operação que ainda pode ser descrita como de esterilidade permanente ou definitiva.

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Existem outros métodos de contracepção masculina definitivos?

Juntamente com o preservativo, o homem teria apenas um outro método de contracepção: os tratamentos hormonais; mas, seja em gel, seja em comprimido, eles são considerados hoje ainda experimentais e têm evidência insuficiente para serem adotados como métodos confiáveis.

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Vasectomia: preparação para a operação e técnica cirúrgica

Realiza-se a operação sob anestesia local ou sob sedação, conforme preferência do médico e do paciente.

Nota: fumar aumenta o risco de complicações cirúrgicas; é aconselhável deixar de fumar de 6 a 8 semanas antes da operação. A pessoa que fuma deve informar o seu médico, cirurgião e anestesista.

A vasectomia tornou-se legal e regida por lei no dia 13 de Janeiro de 1996. Por isso, o médico que realiza este procedimento deve respeitar o protocolo e o procedimento descrito a seguir:

  • o paciente interessado deve ter idade mínima de 25 anos de idade ou ter 2 filhos vivos no momento em que manifesta o desejo pela vasectomia;
  • o médico deve fornecer ao paciente as informações e explicações mais precisas sobre a operação e os métodos alternativos a ela;
  • o médico pode recusar a operação se achar que ela não é benéfica para o paciente;
  • deve-se informar o paciente da recusa durante a primeira consulta;
  • o médico deve encaminhar o paciente para outro atendimento médico, se necessário.

Além disso, é necessário um período de 3 meses entre a primeira consulta e a segunda consulta que irá determinar os termos do procedimento.

Por fim, o médico deve fazer com que o paciente assine um consentimento escrito.

A vasectomia é reversível?

Consideramos a vasectomia como reversível, como relatado pelo Ministério da Saúde, já que é possível uma tentativa de correção. Mesmo assim, a taxa de gravidez entre parceiras de homens que fizeram uma vasectomia e reverteram não é de 100%.

Por esse motivo, a esterilização não deve ser considerada se for tida pelo paciente como algo passageiro.

Nos casos em que a reversão falhar, basta realizar uma aspiração do epidídimo com uma agulha, obtendo os espermatozoides que ficaram acumulados ali. Mas, nesse caso, será necessário um processo de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.

Além disso, a fim de evitar qualquer arrependimento, o médico deve discutir todos os outros aspectos da contracepção com o paciente.

Técnica cirúrgica

A operação consiste em fazer uma pequena incisão em cada bolsa escrotal para alcançar o canal deferente e cortá-lo.

Após a operação, o cirurgião fecha a pele.

Por outro lado, existe agora outro método: a vasectomia sem bisturi.

O cirurgião, apalpando a bolsa escrotal, localiza o canal deferente para aproximá-lo da pele. Usando uma pequena pinça pontiaguda, ele faz uma mini incisão a fim de encontrar cada canal e cortá-lo.

O objetivo deste segundo método é evitar o risco (muito pequeno) de cicatrização do canal e de reparação do mesmo, o que restabeleceria a fertilidade do homem.

A operação demora entre 10 e 20 minutos e o paciente pode então ir para casa.

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Quais são as consequências da operação de vasectomia?

A vasectomia é realizada como um procedimento ambulatorial ou como parte de uma cirurgia ambulatorial.

Geralmente, o paciente experimenta pouca ou nenhuma dor temporária na área operada. O médico pode prescrever analgésicos para aliviar a dor.

Por outro lado, o homem pode sentir desconforto ao redor da cicatriz durante vários dias. É importante durante esse período se abster de atividades extenuantes ou esportivas e assegurar que as incisões estejam limpas.

Uma vez que a dor tenha desaparecido, as relações sexuais são novamente possíveis. No entanto, a esterilidade só é eficaz após 12 semanas, sendo absolutamente necessário um espermograma confirmando a ausência de espermatozoides no líquido seminal antes de se liberar a realização de relações sexuais sem uso de outros métodos contraceptivos.

Será que a vasectomia causa alterações hormonais?

Após o procedimento, os testículos continuam a produzir esperma, que o corpo absorve (da mesma forma que num homem não vasectomizado).

As glândulas seminais e a próstata produzem a mesma quantidade de líquido espermático, portanto, o volume de líquido não se altera durante a ejaculação. A única diferença é que ele já não contém espermatozoides.

Além disso, a vasectomia não altera a produção de hormônios. O homem não tem de se preocupar com disfunções eréteis ou problemas de ejaculação.

A operação é eficaz em 99% dos casos e a probabilidade de uma mulher ficar grávida de um homem vasectomizado é muito baixa. No entanto, o homem deve ter o cuidado de se proteger durante as primeiras 12 semanas após a operação.

Um espermograma deve confirmar a ausência de esperma no líquido espermático antes de parar o método contraceptivo adicional.

Vasectomia: riscos e complicações

Na maioria dos casos, a operação é realizada sem complicação. Mas, como qualquer procedimento cirúrgico, a vasectomia acarreta riscos.

Dentre as possíveis complicações e riscos, encontramos :

  • Complicações relacionadas ao estado geral de saúde e anestesia (essas complicações estão presentes em qualquer procedimento cirúrgico)
  • Risco de hematoma ou infecção nas cicatrizes
  • Atraso na cicatrização completa do paciente
  • O fracasso da operação, às vezes exigindo uma reoperação

Por fim, o paciente deve ser avisado de que qualquer operação cirúrgica envolve riscos, inclusive vitais, e que esses riscos nem sempre são previsíveis.

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Discussão sobre a vasectomia: por que essa operação ainda é burocrática no Brasil?

Os países anglo-saxões democratizaram em grande parte a operação, principalmente o Canadá, onde ela é muito comum. Por outro lado, no Brasil, a lei que rege essa operação ainda é repleta de burocracias e diferente interpretações.

Mas e os homens brasileiros: eles ainda são resistentes a ela?

Embora com processos ainda complicados, aqui no Brasil pode ser de real benefício para casais que não desejam mais ter filhos. Trata-se até mesmo de benefício público, a fim de evitar gravidezes indesejadas e o recurso ao aborto, que pode ser muito traumático para a mulher.

Vasectomia: o homem assumindo a responsabilidade pela contracepção

No Canadá, por exemplo, há uma concepção generalizada de que os homens também podem decidir sobre sua própria contracepção, assim aliviando suas esposas do fardo do controle de natalidade.

Mas a realidade é que no Brasil relativamente poucos homens fazem esse procedimento.

O homem e a mulher frequentemente se perguntam sobre os riscos e restrições da contracepção feminina: tomar a pílula todos os dias, sangramento causado pelo DIU, o impacto dos tratamentos hormonais na saúde cardiovascular, etc.

Acontece também que algumas mulheres acham sua contracepção menos tolerável em seus quarenta anos, sem esquecer as mulheres hiperférteis que já recorreram ao aborto apesar de terem seguido corretamente um método de contracepção.

A vasectomia é, portanto, um método simples, eficaz e rápido de resolver todos esses problemas.

Por que então existe uma certa relutância por parte dos brasileiros?

Vasectomia ou o medo da castração

Proibida no Brasil durante muito tempo, alguns podem considerar a vasectomia um ataque à integridade física do homem, o número de homens que desejam a reversão da vasectomia permanece extremamente baixa (entre 4% e 6%).

Portanto, a explicação mais utilizada para o medo dos homens brasileiros terem medo da vasectomia é que para muitos, a vasectomia é sinônimo de castração. Na imaginação popular, infertilidade e impotência estão ligadas; para esses homens, perder sua capacidade reprodutiva também significa perder uma suposta “essência masculina”…

Conclusão

Lembre-se de que sempre a vasectomia deve ser considerada como definitiva. Afinal, religar o canal deferente é uma operação possível, mas complicada.

Entretanto, esta operação, denominada vasovasostomia, ainda oferece uma taxa de sucesso aceitável (de 30 a 70%) quando realizada dentro de 3 anos após a vasectomia.

Após esse período, a probabilidade do homem engravidar naturalmente a sua parceira é muito baixa. Mas a fertilização in vitro ainda é possível quando o homem preservou seu esperma ou retirando o esperma diretamente do epidídimo.


Fontes

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