Chemsex: há riscos para a saúde?

Os héteros fazem isso há muito tempo, então o que há de diferente no chemsex?
BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

29 de julho 2021

Muito se tem falado sobre chemsex, principalmente nos últimos anos. Mas o que é que esse termo realmente significa? Chemsex se refere a um conjunto de práticas bastante novas, que às vezes aparece dentro da comunidade LGBT, especialmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH). Essas práticas misturam sexo (na maioria das vezes em grupos) com o uso de drogas.

Mas esse fenômeno não é novo (os heterossexuais já fazem isso há séculos)… Então, o que é que há no chemsex de diferente?

Vamos debater essa prática que envolve uma série de perigos.

Por que o chemsex é diferente de outras práticas que misturam sexo e drogas?

Consumir drogas ou álcool, de uma forma recreativa, em particular durante as relações sexuais, é uma prática muito comum. Quase todos fazem isso – pessoas de todos os grupos sociais.

Mas há uma pequena especificidade com o chemex. Nesse caso, as drogas consumidas para estimular a excitação giram principalmente em torno de 3 substâncias; são elas:

  • GBL (ou “ecstasy líquido”): um sedativo líquido com efeitos eufóricos, mais conhecido como GHB quando é transformado no corpo.
  • Mefedrona: um estimulante barato que diz aumentar a resistência. 
  • E cristais de metanfetamina, que estimulam a excitação dos usuários.

A popularização do chemsex e dos seus usuários

Uma pesquisa foi realizada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Conduzida em 2020, esse estudo nos forneceu uma certa quantidade de informação a respeito do chemsex, principalmente durante a pandemia do coronavírus. O seu objetivo era permitir um melhor entendimento dos casos na pandemia e a redução dos riscos para as pessoas envolvidas na prática sexual.

(Se você prefere ou deseja praticar chemsex, recomendamos consultar um médico para evitar correr riscos).

Esse estudo mostra, entre outras coisas, que os HSH que moram no Brasil têm 15 vezes mais chances de fazer sexo sob o efeito de drogas quando comparado aos que residem em Portugal, por exemplo.

Mas o mais importante é que esse consumo está muito frequentemente ligado à sexualidade da pessoa, tanto em termos de práticas sexuais como de identificação social.

Além disso, outras pesquisas identificaram os diversos usuários desses tipos de drogas e as suas práticas sexuais. Por um lado, temos aqueles que usam para fins de entretenimento (principalmente o ecstasy), em clubes, boates e raves, antes de terem relações sexuais; e, por outro lado, há aqueles que consomem especificamente para a prática do chemsex.

Esses últimos consomem produtos na maioria das vezes estimulantes diretamente em contextos sexuais.

Todas essas observações levantam vários pontos importantes: as ligações entre sexualidade, socialização e a percepção das populações oprimidas ou julgadas.

A diversidade de origens e de usuários adeptos do chemsex

Embora encontremos o chemsex principalmente com homens que fazem sexo com homens (HSH), os praticantes podem ser bastante diversos. Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais destaca a diversidade das populações de HSH: pessoas trans, indivíduos estigmatizados como muito jovens ou muito velhos e muitos outros.

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O chemsex em períodos específicos da vida

As entrevistas dedicadas ao estudo desse tipo de questão destacaram a correlação entre os momentos-chave de uma época da vida e o uso de substâncias psicoativas.

  • esses momentos podem ser positivos: sucesso social e pessoal, autonomia após períodos em ambientes opressivos, experiências de quase-morte…
  • mas, para outros, são eventos problemáticos: um término de relacionamento, uma desilusão, ou outros “acidentes” da vida…

Em outras palavras, os adeptos do chemsex, quer seja de forma “positiva” ou “negativa”, não consideram as suas práticas como algo que pode ser fatal ou como uma prática perigosa. Além disso, o chemsex pode afetar todos os estratos sociais.

Trata-se ainda atualmente de uma prática desejada por muitos. O chemsex evidencia, dessa forma, a condição complexa dos HSH hoje em dia.

Comunidades marginalizadas e estigmatizadas

Sabemos que a discriminação é gigante com todas as minorias de gênero e de orienação sexual na nossa sociedade; mas, como vimos, dependendo de certos eventos (positivos ou negativos), os usuários são de variadas condições sociais.

A condição social não é um fator predominante, ainda que a homossexualidade esteja bastante ligada à prática.

De um lado, há o estigma, o preconceito diário e a discriminação que paira sobre a comunidade homossexual, reforçando o isolamento e a vulnerabilidade dela. E, por outro lado, há as redes de encontros como bares, clubes e boates (também importantes para a socialização e organização dos grupos), em que se pode encontrar o consumo dessas substâncias.

Um ponto importante para se lembrar é que os indivíduos e comunidades marginalizadas são mais susceptíveis de sofrer de dependência de drogas por muitas razões. Quer se trate de homofobia institucional, abandono familiar ou pouca consciência do risco, as minorias HSH sofrem mais com isso.

Porém, não queremos ligar aqui uma coisa à outra: não é porque uma pessoa frequenta esses locais de festa que ela é dependente química.

Em qualquer caso, se tiver dificuldades relacionadas com o uso excessivo de drogas ou de álcool, é melhor consultar um psicólogo ou médico: um profissional da saúde especializado poderá te ouvir sem qualquer julgamento.

Por que praticam?

Os depoimentos da pesquisa também nos permitem conhecer mais precisamente essas práticas:

  • Por exemplo, encontramos usuários que fazem chemsex sem saber, muitas vezes por estarem distantes desses grupos ou comunidades. Assim, desconhecem o termo ou as consequências dessas ações – ou, ainda, estão em uma espécie de negação (“só os outros fazem isso, eu consigo me controlar”).
  • Outros utilizam substâncias psicoativas para “amenizar” a relação sexual, para se sentirem mais relaxados. Para algumas pessoas, as drogas também permitem lidar com situações difíceis (orientação sexual estigmatizada, medo do risco de HIV, etc.).

Essa pluralidade de experiências relatadas pelos estudos mostra o que está envolvido no chemsex: mas essas práticas continuam sendo destrutivas e perigosas.

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HIV e os perigos do chemsex

Para além do risco de ISTs, existem riscos clínicos reais (neuropsicológicos, sociais…) para os usuários dessas drogas.

Os dados são alarmantes acerca dos riscos para a saúde sexual de quem pratica chemsex. As pesquisas destacaram uma certa relação entre as experiências de chemsex e o HIV: do lado das pessoas soropositivas e também soronegativas.

  • muitos dos soronegativos explicaram que se “protegeram” procurando parceiros com carga viral indetectável ou com a PrEP;
  • algumas pessoas soronegativas tornaram-se soropositivas devido ao compartilhamento de objetos durante o chemsex, como seringas, por exemplo;
  • às vezes a informação sobre a PrEP só chegou aos ouvidos da pessoa durante uma experiência de chemsex: isso alerta as autoridades sanitárias e de prevenção para o baixo nível de informação desses grupos.

Conclusão

O fenômeno do chemsex continua difícil de quantificar, tanto que é praticado de todas as formas: em apps de relacionamento, com encomendas de substâncias pela internet… Atualmente é muito fácil recorrer ao chemsex – e a comunidade médica alerta para os riscos reais dessas práticas.

Tratamentos como a PrEP permitiram a muitos se protegerem do HIV, mas não de outras ISTs. Essa “transferência” de risco continua a ser preocupante, mesmo porque o uso de drogas nessas práticas inclui novos riscos para a saúde em geral.

Vamos lembrar de algumas regras simples ao se praticar o chemsex:

  • utilizar sempre preservativos e, se necessário, um gel lubrificante adequado
  • conhecer os seus limites e respeitar os limites impostos pelo outro
  • estar atento aos medicamentos que se está tomando
  • tomar tratamentos preventivos tais como a PrEP (quando disponíveis), tendo em mente que você estará vulnerável a ISTs.  
  • nunca partilhar agulhas e outros instrumentos com substâncias

Consulte esse site para mais informações e lembre-se que você pode decidir, com a ajuda de um médico urologista, qual é a melhor estratégia para não arriscar a sua saúde.


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