Ejaculação retrógrada e Aspermia

BLOG OMENS / Ejaculação precoce
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

25 de fevereiro 2021

Há muitos outros problemas de ejaculação além da ejaculação precoce. Por exemplo: aspermia, hipospermia, ejaculação retrógrada, ejaculação retardada, anejaculação, anorgasmia, ejaculação dolorosa, etc.. Por isso, é importante definir o que causa esses problemas. Um medicamento pode estar provocando isso, ou talvez uma cirurgia realizada, ou o diabetes, ou uma doença neurológica…

Aqui neste artigo, nós vamos nos concentrar na aspermia e na ejaculação retrógrada, que não são exatamente a mesma coisa!

Com exceção da ejaculação precoce, os homens raramente consultam um médico a respeito desses problemas que citamos. Porém, são condições que podem incomodar muito (quando a pessoa em questão quer ter filhos, por exemplo).

Aspermia: não é o mesmo que ejaculação retrógrada!

Aspermia é a completa ausência de liberação de esperma durante o momento da ejaculação. O homem ainda assim tem um orgasmo e sente contrair normalmente os músculos responsáveis pela ejaculação. Mas é um “orgasmo seco”, sem liberar fluidos.

Causas medicamentosas

Frente a um problema de ejaculação (sobretudo a aspermia), devemos sempre procurar medicamentos que podem ser a causa. 

As causas medicamentosas da anejaculação (ausência de ejaculação), são principalmente os antidepressivos (paroxetina, fluoxetina, citalopram, sertralina, escitalopram, fluvoxamina).

Os antipsicóticos também podem provocar anejaculação, na maioria das vezes acompanhada de anorgasmia (incapacidade de alcançar o orgasmo).

Mas, quando o orgasmo está presente, não há emissão externa de esperma.

Portanto, existem diferentes causas relacionadas a medicamentos, com efeitos diversos, como: aspermia, anejaculação com anorgasmia, anejaculação com orgasmo (e sem liberação de esperma), ejaculação retrógrada…

Causas anatômicas

Nesses casos, a causa mais comum é a ausência de canal deferente (que conduz o esperma a partir dos testículos). O diagnóstico é feito através do exame físico, complementado com uma ressonância magnética da pelve ou próstata. No entanto, nessas situações, é mais comum haver emissão de líquido espermático, porém sem espermatozóides.

Existem também causas obstrutivas, por exemplo, quando o crescimento de um cisto na região da próstata ou das vesículas seminais obstrui os ductos ejaculatórios. Nesses casos, a remoção dos cistos pode resolver o problema. A obstrução também pode ser causada, por exemplo, por uma inflamação da próstata.

Causas cirúrgicas

A operação para remover tumores pélvicos ou de retroperitônio pode provocar aspermia. Isso acontece porque, em algumas dessas cirurgias, ocorre a lesão dos nervos que produzem a ejaculação, mesmo que não haja envolvimento direto na cirurgia da próstata ou das vesículas seminais.

Muitas vezes percebemos a aspermia em decorrência da cirurgia de próstata (como a cirurgia de adenoma da próstata).

Em geral, em cirurgias para doenças benignas da próstata (com remoção do excesso da próstata, o chamado adenoma) a ejaculação retrógrada aparece. Já a prostatectomia radical, usada para tratar o câncer de próstata, envolve a remoção completa da próstata e das vesículas seminais, levando assim a uma aspermia total.

Conhecemos muito bem esses problemas ejaculatórios pós-operatórios, mas ainda não há prevenção para eles. Por isso, o paciente pode pedir para conservar o seu esperma antes da operação.

Mas não há por que se desesperar: mesmo após a cirurgia radical, podemos coletar espermatozóides diretamente dos testículos ou dos epidídimos e utilizá-los para algum método de reprodução assistida (como a Fertilização in Vitro). Já no caso de uma cirurgia prostática benigna, passada a operação, ainda podemos encontrar esperma em amostras de urina pós-masturbação, já que nesses casos a ejaculação é retrógrada.

Causas neurológicas

Problemas ejaculatórios podem acompanhar qualquer doença neurológica. Principalmente se o paciente possui esclerose múltipla, diabetes ou mal de Parkinson. Do mesmo modo, entram também nesse grupo as alterações na ejaculação decorrentes de lesões medulares resultantes de traumatismo raquimedular.

Além disso, infelizmente essas condições são permanentes na maioria das vezes. O acompanhamento médico só é feito caso a pessoa queira ter filhos.

Causas endócrinas

O sistema reprodutor se desenvolve durante a puberdade. Qualquer doença que afete o desenvolvimento do aparelho sexual pode comprometer do mesmo modo a liberação de esperma ou a contração dos músculos responsáveis pela ejaculação.

Dentre as doenças, podemos citar:

Infecções do trato urinário

Esse tipo de infecção é uma causa comum de problemas ejaculatórios, principalmente a hipospermia (quantidade de sêmen inferior a 1,5 ml). Esse problema se torna relevante sobretudo em casos de prostatite.

No entanto, os tratamentos de agora são bastante eficazes e essas situações atualmente são raras.

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Ejaculação retrógrada: o que é, quais as causas

A ejaculação retrógrada e a aspermia possuem quase os mesmos diagnósticos e tratamentos.

A diferença é que, na ejaculação retrógrada, em vez de o esperma ser expelido normalmente, ele é liberado dentro da bexiga. Mas isso não apresenta grandes riscos.

Uma obstrução na uretra e a disfunção do esfíncter uretral são, com frequência, as causas da ejaculação retrógrada.

Causas cirúrgicas da ejaculação retrógrada

A remoção de linfonodos para-aórticos em caso de câncer do endométrio, por exemplo, e a correção de aneurisma da aorta abdominal podem causar uma ejaculação retrógrada parcial ou total.

O tratamento cirúrgico do adenoma da próstata também apresenta tal risco.

Mas vale lembrar que a ejaculação retrógrada, às vezes, pode melhorar com o tempo.

Causas medicamentosas da ejaculação retrógrada

Os alfa-bloqueadores são frequentemente apontados como causadores da ejaculação retrógrada. Esses medicamentos (como a tansulosina e a silodosina) são utilizados no tratamento de problemas urinários relacionados à hiperplasia prostática benigna.

Além disso, essa associação ainda é relativamente desconhecida. Mas estudos recentes mostram que mudar o princípio ativo utilizado pode resolver o problema. Podemos substituir, por exemplo, a tansulosina ou a silodosina pela alfuzosina.

Causas neurológicas da ejaculação retrógrada

As neuropatias também podem provocar a ejaculação retrógrada. O tratamento irá depender do transtorno neurológico.

Conclusão: ejaculação retrógrada e aspermia

Esses problemas de ejaculação ou de orgasmo são pouco frequentes nos homens.

No entanto, como podem ser diferentes (anorgasmia, ejaculação retrógrada, aspermia,…), é importante que um especialista saiba diferenciá-las. Você precisará responder a um questionário médico a fim de facilitar a definição do tratamento.

Isso pode ser importante, sobretudo, em caso de projeto parental. É importante identificar o problema adequadamente e, assim, encontrar as melhores soluções.

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