O que é squirt?

que as polêmicas comecem: o squirt existe mesmo?
BLOG OMENS / Sexualidade
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Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

27 de janeiro 2022

Por que sabemos tão pouco sobre a ejaculação feminina (squirt)? Ainda é um tabu esse assunto?

Na área científica, há muito tempo se debate o tema da ejaculação feminina. No entanto, ainda explicaram pouco sobre essa reação sexual do corpo da mulher. É difícil encontrar estudos e informações sérias na internet, pois o assunto squirt fascina e alimenta discussões acirradas!

O que acontece durante a ejaculação feminina? Todas as mulheres podem ter essa experiência? Por que uma mulher quando tem um orgasmo não necessariamente ejacula?

Primeiro, estudaremos a fisiologia dessa reação sexual do organismo feminino, a fim de explicar melhor o que acontece durante o squirt.

Squirt: um reflexo sexual do corpo feminino

A primeira fase do desejo sexual feminino pode ser vista como um desejo “espontâneo” ou “inato”.

A reação sexual e os humores da mulher são moldados sob a influência de hormônios e dos receptores de estrogênio, progesterona (hormônio esteróide) e androgênio (hormônio masculino).

Início dos pensamentos sexuais

Consideramos que o primeiro ciclo sexual feminino começa com o desenvolvimento de um pensamento ou fantasia sexual. Logo após, outro tipo de desejo, secundário à excitação física, acontece: o desejo reativo.

Embora nem todas tenham a mesma resposta sexual, esse padrão diz respeito à maioria das mulheres, levando em consideração as características fisiológicas delas.

Na verdade, a questão da motivação sexual feminina é muito complexa, porque existir motivação sexual não pressupõe necessariamente a presença ou ausência de desejo.

Quando uma mulher inicia uma relação sexual, ela aumenta sua proximidade emocional. O desejo sexual geralmente começa com estímulos externos (através do olfato, do tato…) ou psicológicos (fantasias, memórias…).

O humor e os hormônios influenciam o desejo e a atividade sexual, seja aumentando os diferentes estímulos, seja os inibindo.

Podcast: Desmistificando o orgasmo [Omenscast #26]

No nosso 26º episódio do Omenscast, o médico urologista João Brunhara vai falar um pouco sobre o ápice do prazer sexual: o orgasmo. Fique à vontade para ouvir o nosso podcast: a transcrição do áudio você poderá encontrar aqui.

Aumento na atividade do sistema nervoso

Esse aumento da atividade do sistema nervoso permite que o corpo “se prepare” para a atividade sexual. Percebe-se, então:

  • Em primeiro lugar, um aumento do fluxo sanguíneo em direção ao tecido erétil do clitóris.
  • Em seguida, um ritmo cardíaco acelerado: essa fase da excitação normalmente tem como características a lubrificação vaginal, o fluxo de sangue no clitóris e pequenos lábios e o alargamento dos grandes lábios.

As zonas erógenas estimuladas (lábios menores, clitóris, seios…) e as informações sensoriais genitais são comunicadas ao cérebro através de terminações nervosas. A lubrificação vaginal, aliás, só acontece devido à chegada do fluxo sanguíneo no clitóris, nos lábios genitais e na vagina.

Fase de excitação

Durante essa fase, a vagina muda de forma. A área perineal do diafragma se contrai, fazendo com que a entrada do canal vaginal se estreite, enquanto o diafragma pélvico deixa o fundo do canal mais largo.

Essa fase de excitação, que é a mesma que ocorre nos homens, possui uma duração que irá variar dependendo dos aspectos fisiológicos da pessoa.

A chegada do orgasmo

Geralmente o orgasmo ocorre alguns segundos antes das (dezenas de) contrações musculares bruscas e involuntárias da vagina e dos músculos pélvicos.

Ao contrário dos homens, a estimulação sexual deve ser mantida até o orgasmo; se não, existe o risco da excitação diminuir.

Junto do orgasmo, vem a aceleração da respiração e do ritmo cardíaco. Além disso, é possível repeti-lo em um intervalo de alguns segundos. Quando o orgasmo termina, os músculos pélvicos relaxam e a vasodilatação diminui. Nesse momento, as mulheres descrevem um sentimento de satisfação, bem-estar e euforia. 

O contato com os músculos do diafragma pélvico é involuntário e afeta a duração e intensidade do orgasmo. Normalmente o orgasmo feminino se manifesta através de uma sensação de prazer, na maioria das vezes acompanhada de uma lubrificação vaginal que pode durar alguns minutos.

No entanto, a existência de uma ejaculação feminina ainda é motivo de debate.

#NoFapSeptember vale a pena? [Vídeo]

Você conhece o movimento No Fap? É um movimento em relação à masturbação masculina, que consiste em ficar um mês sem se masturbar, geralmente no mês de setembro – por isso chamamos de No Fap September. Mas, afinal, fazer isso traz benefícios reais? O movimento se baseia em crenças de que a masturbação faz mal. Outros acreditam que é uma forma de ajudar aqueles que querem saber como parar de se masturbar, até para quem sofre com vício em masturbação. Mas será que é verdade? Nesse vídeo vamos falar tudo o que você precisa saber sobre o movimento No Fap Brasil.

Squirt: o que é afinal?

Mais do que a natureza do orgasmo, é a manifestação dele que pode mudar de uma mulher para outra.

Definição de ejaculação feminina

No momento do orgasmo, ou quando ele está se aproximando, a mulher libera uma pequena quantidade de líquido que passa despercebido na maioria dos casos. Às vezes, ela libera uma grande quantidade: o chamado squirt.

Características da ejaculação feminina

A ejaculação feminina começa com uma secreção das glândulas de Skene (parauretrais), próximas ao meato urinário. Essa secreção é diferente daquelas da vagina ou da vulva, expelidas pelas glândulas de Bartholin, que são responsáveis pela lubrificação vaginal.

Quando a excitação é muito forte, esse fluido é expelido do corpo como um reflexo. Em relação à sua composição, estudos mostram que o líquido é composto basicamente de urina, mas contém também conteúdo da secreção das glândulas de Skene. Boa parte fluido do squirt é proveniente da bexiga.

Não se trata de incontinência urinária coital, ainda que a ejaculação feminina venha das glândulas parauretrais, da bexiga ou das duas.

A dificuldade das pesquisas

Tem sido difícil identificar a composição da ejaculação feminina. No entanto, os cientistas concordam que sua composição inclui não só urina mas também produtos das glândulas de Skene (como, por exemplo, o PSA feminino).

Um estudo foi realizado com várias mulheres que experienciam o squirt a fim de definir se ele vinha das glândulas parauretrais ou da bexiga. Um cateter foi conectado da uretra até a bexiga delas. Durante o orgasmo induzido pela masturbação, descobriu-se que a maior parte da ejaculação feminina vinha da bexiga, com pouca secreção vindo das glândulas parauretrais.

Todas as mulheres conseguem ejacular?

Tecnicamente, sim. 75% das mulheres expulsam um líquido durante o orgasmo, mesmo que na maioria das vezes ele passe despercebido.

Em outros casos, esse líquido pode estar presente em grande quantidade e até mesmo jorrar durante o orgasmo, várias vezes seguidas. Muitas vezes a mulher, quando descobre essa sensação, não a entende. Assim, ela tem a impressão de que vai urinar e, portanto, tenta segurar.

Essa ejaculação pode tomar a forma de um “vazamento” lento ou de um jato mais forte.

Motivo de vergonha para algumas mulheres?

Uma mulher pode se sentir desconfortável com a chegada de uma ejaculação em quantidade, principalmente porque ela não está acostumada, mas também por ser comparável a uma ejaculação masculina.

Ela pode se sentir envergonhada por estar demonstrando seu prazer ao(à) parceiro(a) dessa maneira.

Na realidade, porém, trata-se de um fenômeno normal que a mulher pode descobrir durante toda sua sexualidade, e normalmente não incomoda em nada.

Conclusões

Todas as mulheres podem ejacular durante o orgasmo, só que isso simplesmente não acontece da mesma forma para todas e depende de fatores fisiológicos e psicológicos.

Isso não significa que uma situação seja mais normal do que outra! A quantidade de líquido durante a ejaculação feminina pode ser baixa ou alta, que isso não vai afetar o prazer.

Na maioria dos casos, a mulher descobre o squirt no decorrer da sua vida sexual: seja através de um melhor conhecimento de seu corpo e um melhor controle da ejaculação (através de exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, por exemplo), seja de forma imprevisível durante a relação ou através da masturbação.

O squirt não é, portanto, uma peculiaridade. Da mesma forma, não ter uma ejaculação em grande quantidade não é de modo algum um problema: é apenas uma resposta diferente do organismo.


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3 comentário(s) sobre “O que é squirt?

  1. Jarmelia says:

    “Um estudo foi realizado com várias mulheres que experienciam o squirt a fim de definir se ele vinha das glândulas parauretrais ou da bexiga. Um cateter foi conectado da uretra até a bexiga delas. Durante o orgasmo induzido pela masturbação, descobriu-se que a maior parte da ejaculação feminina vinha da bexiga, com pouca secreção vindo das glândulas parauretrais.”
    Rs! Ou seja: um bando de mijonas!

  2. Mister says:

    Olá, eu gostaria de saber se o ” squirt ” existe nos homens ? Porque eu não sei ocorreu comigo. Pois os estudos apontam apenas para as mulheres , mas e os homens . Espero uma resposta positiva

    • Dr. João Brunhara says:

      Não entendemos a sua dúvida… Na verdade o “squirt dos homens” seria a própria ejaculação, ou seja, o esperma expelido pelo pênis no momento do orgasmo, que é completamente normal.

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