Você sabe o que é erotomania?

BLOG OMENS / Sexualidade
Escrito por

Caio Vega

Revisado por

Dr. João Brunhara

CRMSP 161.642
Última atualização

4 de abril 2021

Hoje vamos tratar de um assunto mais complexo: a erotomania. Como explicar melhor esse transtorno peculiar sem cair nos clichês?

Clerambault definiu pela primeira vez as características dessa síndrome em 1885. Mas também encontramos descrições sobre o problema desde a antiguidade, em Hipócrates. Popularmente chamada de erotomania, essa síndrome se caracteriza pela ilusão de ser amado, um problema que pode causar bastante sofrimento.

Vamos apresentar um breve olhar sobre esse transtorno:

Erotomania: significado

Os estudos clínicos se referem, na maioria dos casos, a mulheres erotomaníacas; nos homens, o problema apareceu com menos frequência.

O paciente se convence de que é amado por um indivíduo que ele considera ser de classe social e/ou profissional mais elevada.

Ao desenvolver um elaborado processo de delírio em cima dessa pessoa, o paciente experimenta a incapacidade de escapar do ser que supostamente o ama.

E esses sintomas podem durar muito tempo: de algumas semanas a alguns meses. Depois disso, o paciente pode redirecionar a ilusão a outro alvo.

Aliás, há relatos científicos de pessoas que sofrem dessa síndrome há mais de 25 anos… Isso traz consequências devastadoras ao indivíduo e àqueles ao redor dele.

Além disso, o diagnóstico do transtorno é complexo.

Devido à natureza desproporcional dessa alucinação, que afeta a pessoa e todas as experiências dela na vida, com ilusões de perseguição, megalomania, grandeza ou ciúme, muitos profissionais falam em esquizofrenia paranoide.

Por fim, essa autodepreciação, além das ilusões que ela provoca, leva a comportamentos anormais e até mesmo perigosos.

A síndrome de Clerambault e o desespero pelo amor

Em 1921, o psiquiatra francês Clerambault descreveu uma síndrome que ele chamou de psicose passional.

O indivíduo afetado se identifica como sendo objeto de amor e pensa ser inocente; o paciente se sente perseguido, apesar de ser ele quem persegue, manda mensagens constantemente e assedia o outro.

Clerambault também menciona as crenças delirantes que o paciente gradualmente integra ao seu esquema ilusório.

Por exemplo, ele pensa que o seu admirador ou a sua admiradora não pode ser feliz sem ele (mesmo que este/a talvez já seja casado/a) e não acredita no fato do indivíduo recusá-lo várias vezes.

Isso, pelo contrário, até reforça os seus sentimentos e o seu problema.

O paciente, então, acredita que esse comportamento paradoxal é fruto do orgulho ou da timidez da outra pessoa.

Há também a falsa ideia de que a posição social ou profissional do outro o impediria de revelar seus sentimentos.

Erotomania “fixa” ou “recorrente”

Os estudos sobre esse assunto dividem a erotomania em duas formas: a fixa e a recorrente

Considera-se a forma fixa como a mais grave. Isso porque a ilusão é constante e pode perdurar por toda a vida do paciente.

Na maioria das vezes, essa forma de erotomania ocorre em pacientes mal integrados à sociedade; são pessoas independentes, mas imprevisíveis e tímidas. Tais indivíduos geralmente possuem pouca ou nenhuma experiência sexual e às vezes se sentem inferiores aos outros.

Na sua forma fixa, o paciente geralmente escolhe um alvo considerado “comum”.

Por outro lado, na erotomania recorrente, os delírios são mais curtos e mais intensos, aparecendo de forma recorrente ao longo do tempo. Nesse caso, a pessoa tende a selecionar o seu “amante” dentre indivíduos mais poderosos e importantes.

Ao contrário dos pacientes do outro tipo de erotomania, estes costumam ter uma saúde melhor, além de serem sexualmente ativos, impulsivos e mais agressivos. Eles acreditam na ilusão de estar sendo amado durante vários meses, antes de desistir do alvo e escolher um novo

Na verdade, essa ilusão serviria como uma defesa contra uma baixa autoestima, uma relação conflituosa com a própria sexualidade e a agressão do mundo exterior.


Por fim, o que se sabe é que esse transtorno ainda é mal explicado. Isso justamente porque os erotomaníacos são muito raros: houve aproximadamente centenas deles desde os primeiros casos observados e descritos na literatura psiquiátrica.

O diagnóstico continua complicado e os tratamentos ainda são delicados.

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