Depressão tem cura ou não?

Balões com carinhas tristes e felizes mostrando fases possíveis da depressão sob tratamento
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Escrito por

Marjorie Tieny

Revisado por

Dra. Thais Della Tonia

Psicóloga
Última atualização

25 de janeiro 2024

A depressão não tem uma cura definitiva, mas não se preocupe, existem muitas opções de tratamento que podem ajudar a melhorar seus sintomas e diminuir o impacto no dia a dia.

Você pode estar pensando: “Mas se meus sintomas desaparecerem, isso significa que estou completamente curado, certo?”

Bem, não exatamente. Os sintomas podem melhorar a ponto de você poder voltar a fazer atividades diárias como de costume. Mas ainda é possível notar algumas mudanças persistentes no seu humor e na forma como você pensa. Além disso, a depressão costuma ocorrer em momentos diferentes, então você pode ter outra crise no futuro.

Aqui, vamos compartilhar informações sobre tratamentos recomendados por especialistas para a depressão, abordagens complementares e alternativas, e tratamentos imediatos. Além disso, daremos dicas simples para ajudar a evitar que a depressão retorne.

Por que tem quem diga que depressão não tem cura?


A afirmação de que a depressão não pode ser “curada” é frequentemente mencionada no contexto do entendimento médico e científico atual. 

A depressão é uma condição de saúde mental complexa, com várias causas, que incluem fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Para muitas pessoas, a depressão tende a ser recorrente ou crônica. Embora existam tratamentos eficazes que podem ajudar a gerenciar e aliviar os sintomas, não há uma única “cura” que elimine a depressão de forma permanente.

A depressão é uma condição complexa, sabemos pouco sobre como o cérebro funciona por dentro quando se trata de diagnósticos psiquiátricos. 

Diagnósticos são feitos com base nos sintomas, não na neuropatologia subjacente (problemas no cérebro, como anormalidades que podem causar transtornos no funcionamento mental e emocional.), porque, na verdade, não sabemos muito sobre esse transtorno neurológico.

É como tentar consertar um carro sem saber exatamente o que há de errado debaixo do capô. No entanto, isso não significa necessariamente que irá impactar alguém diariamente ao longo de toda a vida. Com um plano de tratamento apropriado, é possível alcançar a melhora. Esse plano de tratamento pode necessitar de ajustes ao longo da jornada da pessoa.

A depressão é um dos distúrbios de saúde mental mais tratáveis. Entre 80% e 90% das pessoas com depressão respondem positivamente à terapia, o que significa que elas experimentam uma melhora em seus sintomas ou até mesmo a remissão completa. 

Depressão Clínica vs. Depressão Situacional: quais são as diferenças?

Olha, a depressão situacional e a depressão clínica têm algumas semelhanças, mas não são a mesma coisa. Entender as diferenças entre esses tipos de depressão é o primeiro passo para procurar ajuda, e você não está sozinho nessa jornada.

Essa variante de depressão de curto prazo geralmente surge em resposta a eventos traumáticos ou mudanças significativas na vida, como divórcio, perda de emprego, falecimento de um amigo próximo, acidentes graves ou aposentadoria. A depressão situacional emerge da luta para se adaptar a essas mudanças, e a recuperação se torna possível quando a pessoa consegue lidar com a nova realidade.

A depressão situacional, que os médicos chamam de transtorno de adaptação, muitas vezes melhora com o tempo. É como quando você tem um dia ruim, mas com o apoio certo e conversando sobre o que está acontecendo, as coisas tendem a melhorar.

Agora, a depressão clínica, tecnicamente conhecida como “transtorno depressivo maior,” pode se tornar mais séria se não for tratada. É como se fosse uma versão mais pesada, e é super importante procurar ajuda profissional quando você acha que pode estar enfrentando essa situação. Lembre-se, sempre há pessoas dispostas a ajudar.

Depressão Situacional


No decorrer deste artigo, já discutimos alguns exemplos de depressão clínica. Agora, concentraremos nossa atenção na depressão situacional, examinando como identificar e compreender as distinções, bem como sua origem.

Bom, o que é a depressão situacional? A depressão situacional é um tipo de tristeza temporária que ocorre quando passamos por situações estressantes, eventos traumáticos ou até mesmo uma sequência de eventos. É categorizado como transtorno de adaptação, ou seja, transforma a adaptação a vida diária difícil após um acontecimento traumático. É como sentir um peso extra em nossos ombros por um tempo, o que torna o dia a dia mais desafiador. Algumas pessoas chamam isso de “depressão reativa”. Mas lembre-se, essa tristeza geralmente melhora à medida que você se adapta à situação.

Eventos que podem desencadear a depressão situacional incluem, por exemplo:

  • problemas no trabalho ou na escola;
  • doenças;
  • morte de um ente querido;
  • mudança de residência;
  • problemas de relacionamento.

Vale ressaltar que eventos estressantes, tanto positivos quanto negativos, podem desencadear a depressão situacional. 

Tratamentos para depressão situacional

Se estiver enfrentando dificuldades para cumprir suas obrigações e atividades diárias devido aos sintomas, é uma boa ideia consultar um psicólogo ou um médico. O tratamento pode ser uma ajuda valiosa para lidar melhor com situações estressantes.

Tratamentos podem envolver o uso de medicamentos, como:

  • Antidepressivos como sertralina e citalopram, que ajudam a equilibrar substâncias químicas no cérebro.
  • Outras opções como  a bupropiona, venlafaxina, que agem de maneira diferente no cérebro,  ajudando também no tratamento.

É importante lembrar que os medicamentos possuem ação diferente no cérebro e, assim, cada remédio auxilia na maneira e na intensidade em que sentimos as emoções. Além disso, possuem um tempo médio para começar a mostrar seu efeito.

Psicoterapia

Já a terapia de apoio, ou a terapia breve, é uma opção preferencial para a depressão situacional. Isso ocorre porque essa abordagem pode fortalecer suas habilidades de enfrentamento e resiliência, o que é fundamental para lidar com desafios futuros e possivelmente evitar recaídas na depressão situacional.

Uma modalidade terapêutica eficaz, segundo estudos, é a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a EMDR – que, em português, significa dessensibilização e reprocessamento através dos movimentos oculares.

À medida que o tratamento começa a fazer efeito no enfrentamento da depressão, com a melhora do humor e ânimo, também é possível adotar mudanças no estilo de vida. Essas mudanças diárias contribuem para a melhora e você pode fazer por conta própria, mas concomitante ao medicamentos ou terapias! Todos juntos podem ajudar no bem-estar e trazer mais disposição. Por exemplo:

  • Praticar exercícios físicos para liberar endorfinas e melhorar o ânimo.
  • Estabelecer uma rotina de sono saudável, para garantir um descanso reparador.
  • Tirar mais tempo para relaxar e cuidar de si.
  • Rotina de autocuidado, incluindo tempo para sentir as emoções e lidar com elas.  
  • Alimentar-se de forma mais saudável, o que pode impactar positivamente no seu estado de espírito.
  • Reforçar sua rede de apoio social, buscando o suporte de amigos e familiares.

Vale ressaltar que ocasionalmente, algumas pessoas podem começar com uma depressão situacional que evolui para uma depressão profunda. Da mesma forma, pessoas com depressão clínica podem enfrentar uma situação avassaladora que agrava seus sintomas depressivos.

Mas é tratável! “Cura definitiva” vs. Controle ou Tratamento


Como já foi abordado, não existe uma cura definitiva em casos clínicos, porém, se for deixada de lado e não receber tratamento, a depressão pode continuar por longos períodos, por vezes anos, e ter impactos negativos na vida de alguém. Por sorte existem tratamentos comportamentais e medicamentosos que ajudam a controlar os sintomas e garantir qualidade de vida.

Cada pessoa precisa descobrir o tratamento que melhor funcione para ela. Encontrar uma abordagem eficaz pode demandar tempo e paciência. Alguns dos tratamentos são:

Terapia

Na maioria dos casos, o primeiro passo para tratar a depressão envolve a terapia com um profissional de saúde mental treinado.

A terapia para a depressão pode adotar diversas formas, incluindo:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Frequentemente apontada como um dos  tratamento mais eficaz para a depressão, a TCC ensina a identificar e reformular padrões de pensamento e comportamento prejudiciais. Durante a TCC, você pode adquirir habilidades como reestruturação cognitiva, autoavaliação positiva, ativação comportamental ou exploração e questionamento orientados.
  • Terapia Interpessoal (TIP): Esta abordagem terapêutica auxilia na identificação e enfrentamento de desafios em seus relacionamentos pessoais que podem contribuir para os sintomas de depressão. Durante a TIP, você aprenderá estratégias para lidar com emoções difíceis, aprimorar a comunicação e participar em atividades sociais.
  • Terapia Cognitivo-Comportamental baseada em Mindfulness (TCC-M): Essa abordagem combina os princípios da TCC com técnicas de mindfulness, como meditação e atenção plena ao momento presente. Ela se mostra promissora na redução de sintomas de depressão e na prevenção de recaídas.
  • Terapia EMDR (dessensibilização e reprocessamento através dos movimentos oculares, em português). Essa abordagem atua estimulando o cérebro de maneiras que o levam a processar memórias não processadas ou não curadas, possibilitando a restauração natural e resolução adaptativa e, assim, diminuindo a carga emocional traumática através da dessensibilização (o “D” de EMDR) e da ligação a redes de memórias positiva (reprocessamento, o “R” de EMDR). A eficácia dessa abordagem se mostrou tão eficaz ou mais que a TCC se comparado a horas de tratamento, e remissão de sintomas.  

A escolha da abordagem terapêutica mais adequada para você pode depender de vários fatores, incluindo: seus sintomas específicos e como a depressão impacta sua vida diária e relacionamentos. Caso uma determinada abordagem não pareça eficaz, é importante dialogar com seu terapeuta sobre outras opções terapêuticas ou trocar de terapeuta.

Terapia medicamentosa

Se você está considerando em experimentar medicamentos para tratar a depressão, a maioria dos profissionais de saúde mental sugerirá combinar remédios com terapia. Isso acontece porque os medicamentos nem sempre tratam as raízes ou os fatores desencadeantes subjacentes que contribuem para os sintomas depressivos.

Os remédios utilizados no tratamento da depressão incluem:

  • Inibidores de recaptação de serotonina (ISRS), geralmente a primeira opção de tratamento.
  • Inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN), que podem ser úteis se você estiver lidando com depressão e uma condição crônica de dor.
  • Antidepressivos tricíclicos, que podem aliviar sintomas que não respondem a outros antidepressivos.
  • Antidepressivos atípicos, que podem reduzir os efeitos colaterais sexuais de outros antidepressivos.
  • Estabilizadores de humor ou antipsicóticos, que podem intensificar a eficácia do seu antidepressivo.

Quando os sintomas são graves a ponto de:

  • Afetar significativamente suas rotinas diárias e bem-estar geral.
  • Dificultar a presença ou o desempenho nos estudos/trabalhos e não melhoram com outros tratamentos, os psiquiatras podem considerar a prescrição de antidepressivos.

É importante lembrar que a utilização de medicamentos não significa necessariamente um compromisso de longo prazo. Se seus sintomas estão dificultando a participação na terapia ou o cuidado com as necessidades básicas do dia a dia, a medicação pode aliviar os sintomas o suficiente para permitir a tentativa de outros tratamentos.

Cuidados e efeitos

Lembrando também que os medicamentos podem afetar diretamente a parte sexual – alterações de libido e controle ejaculatório muitas vezes são consequências.

Uma vez que você encontre uma abordagem de tratamento que funcione para você, pode ser possível parar de tomar medicamentos. Mas vale ressaltar: nunca interrompa seu antidepressivo sem orientação de um médico. Parar abruptamente a medicação sem o suporte profissional pode agravar seus sintomas.

Se você não perceber melhora após tomar o antidepressivo prescrito por várias semanas, ou se experimentar efeitos colaterais indesejados, é aconselhável consultar o psiquiatra ou clínico que prescreveu a medicação sobre alternativas.

Depressão Clínica e seus tipos


Existem diferentes tipos de depressão, e os sintomas de cada um podem variar de leves (mas ainda incapacitantes) a muito graves. Os principais tipos de depressão incluem:

  • Depressão maior (comumente chamado apenas de depressão)
  • Distimia (depressão crônica também conhecida como depressão hereditária/genética)
  • Transtorno bipolar (anteriormente chamado de depressão maníaca)
  • Depressão Pós-Parto
  • Transtorno ciclotímico
  • Depressão Psicótica
  • Transtorno afetivo sazonal (TAS)

Depressão psicótica

A depressão psicótica é um tipo de depressão maior com características de psicose, uma forma específica de depressão que inclui sintomas como alucinações, delírios, prejuízo da atividade mental e um estado de paralisia.

Estimativas baseadas em amostras de pessoas da comunidade sugerem que entre 10% e 19% das pessoas que vivenciam um episódio de depressão maior experimentam depressão psicótica. Entre aquelas que recebem tratamento hospitalar para depressão, esses números aumentam para:

  • Entre 25 e 45% dos adultos. 
  • Até 53% dos idosos.

Alguns especialistas acreditam que o TDM com psicose pode ocorrer realmente em taxas mais elevadas, uma vez que os clínicos nem sempre reconhecem a psicose ao diagnosticar a depressão.

De fato, um estudo de 2008, que analisou dados de quatro centros médicos diferentes, revelou que os profissionais de saúde diagnosticaram erroneamente essa condição em 27% das vezes.

Depressão pós-parto

O nascimento de um bebê pode desencadear uma ampla gama de emoções intensas, que vão desde a empolgação e a felicidade até o receio e a inquietação. No entanto, também pode levar a algo que pode pegar você de surpresa: a depressão.

A maioria das novas mães passa pelo que é conhecido como “baby blues” pós-parto (tristeza materna), que geralmente envolve mudanças de humor, momentos de choro, ansiedade e dificuldades para dormir. Esses sentimentos costumam surgir nos primeiros 2 a 3 dias após o parto e podem durar até duas semanas.

No entanto, algumas novas mães enfrentam uma forma mais séria e duradoura de depressão, denominada depressão pós-parto. Às vezes, é chamada de depressão periparto, pois pode começar durante a gravidez e persistir após o parto. Raramente, pode ocorrer um distúrbio de humor extremo chamado psicose pós-parto após o parto.

É importante entender que a depressão pós-parto não é um defeito de caráter ou sinal de fraqueza, às vezes é simplesmente uma complicação do processo de dar à luz. Se você estiver lidando com a depressão pós-parto, buscar tratamento imediato pode ajudar a controlar seus sintomas e estabelecer um vínculo saudável com seu bebê.

Transtorno bipolar

Vamos falar sobre depressão e o transtorno bipolar. Eles têm algumas semelhanças, mas também são bem diferentes. É bom entender a diferença para conseguir a ajuda certa.

A depressão clínica ou depressão maior não é apenas se sentir triste, é um tipo de tristeza que não passa. Pode fazer você se sentir sem esperança, inútil e agitado. Você pode perder o interesse nas coisas que costumava gostar. Às vezes, a depressão (também chamada de transtorno depressivo maior) causa problemas para dormir, mudanças na fome e dificuldade de se concentrar. Ela pode até fazer você pensar em se machucar. As pessoas com depressão podem ter dias melhores, mas, sem tratamento, o humor geralmente fica para baixo.

O transtorno bipolar, por outro lado, é um pouco diferente. Se você o tem, passa por mudanças intensas de humor. Isso significa que você pode ter momentos de tristeza (parecidos com a depressão) e também momentos de grande alegria.

O mundo complexo do Transtorno Bipolar: oscilações entre dois extremos

A palavra “bipolar” se refere a opostos, como dois extremos em um espectro de emoções, isto é, você pode ficar muito triste por algumas horas, dias, semanas ou até meses antes de entrar em um período de muita alegria (chamado de mania). Esse período de mania pode durar de alguns dias a 2 meses ou mais.

Também é possível ter um tipo de transtorno bipolar em que você tem sintomas de mania e depressão ao mesmo tempo. Isso significa que você pode se sentir triste e desanimado, mas também muito agitado.

Os momentos de alegria no transtorno bipolar podem ser agradáveis, mas também perigosos, porque você pode fazer coisas arriscadas que podem te machucar e/ ou colocar em risco. A hipersexualidade, euforia e excesso de confiança em agir e se vestir, chegando à extravagância são também características desse episódio mania. Muitos consideram estar no seu melhor estado mental, apesar de apresentarem também fala e pensamento acelerado, irritabilidade, comportamento de risco em jogos, altos negócios, e agir sem pensar em consequências. Além disso, a fase de alegria é geralmente seguida por uma tristeza extrema.

Cerca de 6 milhões de adultos nos EUA têm transtorno bipolar, o que pode parecer muito, mas é bem menos comum do que a depressão, que afeta um pouco mais de 17 milhões de adultos nos EUA em um ano típico.

Os sintomas da depressão bipolar são os mesmos da depressão maior, mas eles se manifestam de maneiras diferentes em pessoas diferentes. Por exemplo, algumas pessoas podem ter dificuldade para dormir, enquanto outras dormem demais e têm dificuldade para acordar. Também pode ser difícil tomar decisões pequenas. Sentimentos de fracasso, culpa ou perda profunda podem levar a pensamentos de se machucar

A depressão crônica: uma preocupação constante?

Algumas profissionais da saúde mental chamam de “remissão” a fase em que a maioria dos sintomas da depressão melhora. Essa palavra também aparece no “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)”. Mas nem todos concordam com essa palavra, porque sugere que a depressão pode voltar.

Na realidade, a depressão tem uma alta probabilidade de voltar, embora isso não aconteça com todo mundo.

De acordo com uma pesquisa feita em 2018:

  • Entre pessoas que não estão recebendo cuidados médicos, cerca de um terço com depressão terá mais de um episódio (fase prolongada de tristeza, desânimo e baixo funcionamento emocional).
  • Entre pessoas que estão recebendo cuidados médicos, mais de 75% das pessoas com depressão terão episódios múltiplos.

De acordo com outra pesquisa, essa mais antiga, de 2007:

  • Pelo menos metade de todas as pessoas com depressão terá mais de um episódio.
  • Aproximadamente 80% das pessoas que tiveram dois episódios terão episódios adicionais.

Como ajudar

Se alguém próximo está frequentemente mal-humorado e pessimista, é crucial considerar a possibilidade de depressão crônica, um problema tratável. Incentive-os a buscar auxílio médico, principalmente se há sinais disfarçados em crianças e adolescentes, como baixo rendimento escolar e comportamento antissocial. Se você se sente mal-humorado e insatisfeito nos últimos dois anos, procurar um médico é essencial. Não subestime os sintomas, pois o uso de drogas para alívio é comum, podendo levar a pensamentos suicidas em 15-20% dos casos.

Não atribua queixas de idosos apenas ao envelhecimento; a depressão crônica pode afetar pessoas na terceira idade. Buscar ajuda médica é essencial. Manter o tratamento, seja com medicamentos ou psicoterapia, é crucial. Medicamentos corrigem problemas físicos, enquanto a psicoterapia ensina novas formas de relacionamento. Abordar a distimia eficazmente é crucial para melhorar a qualidade de vida.

A depressão volta para muitas pessoas, mas ter um episódio não significa automaticamente que terá outro. O tratamento, o cuidado pessoal e as técnicas de enfrentamento podem ajudar a diminuir as chances de que isso aconteça. E, de forma crucial, essas abordagens podem facilitar o manejo de qualquer sintoma que possa reaparecer, o que nos leva a falar sobre a Distimia (uma forma crônica de depressão).

O que é Distimia?


A distimia é um tipo mais moderado, mas constante, de depressão. Às vezes, chamam isso de “transtorno depressivo persistente”. Imagine que as pessoas com essa condição podem ter momentos de depressão mais intensa de tempos em tempos, como nuvens escuras que aparecem no céu de vez em quando.

A depressão é como um convidado indesejado que se instala na sua mente e no seu corpo: ela afeta como você come, dorme, enxerga o mundo e se sente consigo mesmo. E, olha, não é como se estivesse apenas tendo um dia ruim ou se sentindo meio triste. Não é sinal de fraqueza, e não adianta ficar desejando que ela vá embora. Não dá para simplesmente “dar um jeito” ou se forçar a melhorar. O tratamento é o caminho para se sentir melhor.

Outra coisa interessante é que a distimia parece gostar mais de fazer visitas às mulheres, afetando-as duas vezes mais frequentemente do que aos homens. Algumas pessoas até têm a distimia acompanhada de depressão ou transtorno bipolar, como se tivessem mais de um intruso indesejado na sua mente.

O que causa a distimia?

A causa exata dessa depressão não é clara, mas especialistas em saúde mental acreditam que ela tem a ver com desequilíbrios químicos no cérebro. Diversos fatores, como o ambiente, sentimentos, biologia e genética, também podem contribuir para a depressão. Estresse duradouro e traumas também estão relacionados a essa condição.

A distimia parece ter tendencia em acometer famílias, uma depressão hereditária ou até mesmo genética, mas ainda não encontraram genes específicos relacionados a ela.

Quais são os sintomas da distimia?

Cada pessoa pode sentir os sintomas de maneira diferente. Os sintomas podem incluir:

  • sentimento de tristeza, ansiedade ou vazio persistente;
  • dificuldade em concentrar, pensar e tomar decisões;
  • pouca disposição;
  • cansaço;
  • sensação de desespero;
  • mudanças no peso e/ou no apetite devido a comer demais ou comer pouco;
  • alterações nos padrões de sono, como sono agitado, dificuldade em dormir, acordar cedo demais ou dormir demais;
  • baixa autoestima.

No entanto, para diagnosticar essa condição, um adulto deve apresentar um humor deprimido por pelo menos 2 anos (ou um ano em crianças e adolescentes), juntamente com pelo menos 2 dos sintomas mencionados acima. Os sintomas dessa condição podem parecer com os de outras condições de saúde mental. Sempre consulte um profissional de saúde para obter um diagnóstico.

Conclusão


A depressão é um desafio complexo, com tratamentos disponíveis que podem melhorar sintomas e qualidade de vida. Embora não haja cura definitiva, entender que os sintomas podem melhorar e permitir a retomada das atividades diárias é fundamental. A depressão é propensa a recorrências, mas é tratável com terapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida, possibilitando uma vida mais plena. Encontrar o tratamento adequado demanda tempo e paciência. Lembre-se de que não está sozinho nessa jornada, pois há pessoas dispostas a ajudar. Portanto, apesar das nuances da depressão, é possível alcançar uma vida mais satisfatória.

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