Pessoas intersexo: o I da sigla LGBTIQA+

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Seth Zanette

Última atualização

23 de julho de 2026

A sociedade é composta por uma rica diversidade de identidades e características humanas. Entre essas, encontram-se as pessoas intersexo, um grupo que tem sido muitas vezes incompreendido e marginalizado. Temos muitas vezes a noção de que coisas como gênero e sexo biológico são divididas apenas em duas categorias: homem e mulher, masculino e feminino. Na realidade, nem mesmo a natureza e a biologia humana é tão definida assim.

Hoje, a Omens te explica com detalhes o que é uma pessoa intersexo, quais os desafios dessa comunidade e como nem sempre as coisas são binárias como achamos que são.

O que é uma pessoa intersexo? Qual o significado?


Uma pessoa intersexo é aquela que nasce com variações biológicas em suas características sexuais. Essas variações não se encaixam nas definições típicas binárias de masculino ou feminino. 

Enquanto algumas pessoas são designadas como homem ou mulher com base em características sexuais definidas, como cromossomos, órgãos genitais e hormônios, as pessoas intersexo apresentam uma gama diversificada de características que não se enquadram nessas categorias tradicionais.

Nascer intersexo não é sinal de um problema de saúde. Apenas uma variação que vai além do que designamos como masculino e feminino.  

Gênero, sexo biológico e o que isso significa para uma pessoa intersexo

É importante entender a distinção entre gênero e sexo biológico quando se fala sobre pessoas intersexo. Existe muita confusão quando tratamos dos dois termos. Isso gera concepções erradas sobre a comunidade de pessoas intersexo e sobre outras comunidades.

O que nós chamamos de sexo biológico é geralmente determinado por uma série de características físicas e genéticas. Por exemplo, cromossomos XX, níveis altos de estrogênio, vulva e útero para mulheres e cromossomos XY, altos níveis de testosterona, pênis e escroto para homens. Mas nem sempre as coisas são tão bem definidas assim. Algumas pessoas intersexo podem ter combinações de cromossomos diferentes, como XXY, XYY, outras pessoas podem ter órgãos sexuais internos que não se encaixam na categoria masculina/feminina, em outros casos os hormônios podem não se encaixar nos níveis de masculino e feminino.

Já o gênero, por outro lado, é gênero é uma construção social, que se baseia nas relações impostas sobre as características de um grupo de indivíduos. Para pessoas intersexo, o gênero pode ser tão diverso quanto suas características biológicas. Alguns se identificam como homens, algumas como mulheres, e outros como não-binários ou de gênero fluido. Cada indivíduo tem sua própria experiência de gênero, e é essencial respeitar sua autoidentificação.

Se você quer entender mais a fundo as diferenças entre sexo biológico, identidade de gênero e gênero, a Omens tem um artigo completo pra você. Acesse e aprenda mais sobre o assunto.

O que acontece quando alguém nasce intersexo?


Quando uma criança nasce com características sexuais que não se enquadram nas definições binárias típicas, os pais e os profissionais de saúde podem se deparar com desafios na compreensão do que isso significa para o desenvolvimento da criança. Hoje, em dia, no Brasil, o Sistema Único de Saúde busca informar médicos e pais de crianças intersexo para que a experiência não seja tão assustadora quanto parece.

Apesar da abordagem médica sobre o assunto em tempos passados ter sido a de intervir cirurgicamente para “corrigir” as características ambíguas e alinhar a criança com uma categoria binária de sexo, hoje essas intervenções só acontecem quando extremamente necessário. 

Hoje em dia, as ações cirúrgicas só devem acontecer quando existe algum problema de saúde relacionado a condição intersexo. Por exemplo, caso haja problemas ao urinar ou em órgãos internos como a bexiga. Os pais dos bebês que nascem intersexo podem optar por não registrar o sexo da criança ao nascer. A certidão sairá normalmente, apenas não constando o sexo da criança.

Além disso, um bebê intersexo pode se desenvolver naturalmente, como todas as outras crianças. O ideal, porém, é que os pais e a pessoa intersexo tenham acompanhamento psicológico e médico para entender as particularidades da sua condição.

Posso saber se meu bebê é ou não intersexo?

Apesar de ser possível identificar o sexo de uma criança em ultrassom, ainda na gravidez, na maioria das vezes a condição intersexo só é conhecida após o nascimento. Em alguns casos, ela pode ser identificar logo nos primeiros anos de vida de uma criança, quando as características sexuais ambíguas são aparentes. No entanto, existem características da intersexualidade que podem não ser visíveis externamente e só serem descobertas mais tarde na vida.

É importante lembrar que a identidade de gênero de uma pessoa intersexo pode não estar relacionada com suas características sexuais visíveis ou cromossômicas. Cada indivíduo tem o direito de se identificar e expressar seu gênero de acordo com sua própria experiência.

Desafios de quem nasce intersexo

As pessoas intersexo podem enfrentar vários desafios em suas vidas. A falta de compreensão e consciência sobre a intersexualidade pode levar ao estigma e ao preconceito por parte da sociedade em geral. Algumas vezes essa falta de compreensão pode atingir essas pessoas logo ao nascer ou nos primeiros anos de vida.

Além disso, questões relacionadas à saúde mental, como ansiedade e depressão, podem surgir devido à falta de aceitação e ao sentimento de não pertencer a um determinado grupo.

Outro desafio é a pressão para se encaixar em padrões de gênero estabelecidos. Segundo dados da pesquisa realizada pelo Center of American Progress, 9 entre 10 pessoas intersexo relata algum nível de precariedade na própria condição de saúde. Ainda na mesma pesquisa, 3 entre 5 dessas pessoas relata não frequentar médicos por medo de sofrer discriminação.

Algumas pessoas intersexo podem passar por procedimentos médicos invasivos quando crianças, na tentativa de alinhar sua aparência física com as normas binárias. Isso pode resultar em questões de identidade e autoestima ao longo da vida, especialmente se a pessoa não se identifica com o gênero atribuído. 

Alguns conceitos errados sobre pessoas intersexo

Há vários mitos e conceitos errados que cercam as pessoas intersexo. Algum deles são:

  • A ideia de que a intersexualidade é uma condição rara. Na realidade, a porcentagem de pessoas intersexo é tão grande (ou até maior) quanto a de pessoas naturalmente ruivas (de 1 a 2% da população mundial);
  • A noção de que a intersexualidade é uma “anomalia” que precisa ser “corrigida”. Essa ideia desconsidera a diversidade natural do ser humano e perpetua a discriminação contra pessoas intersexo;
  • A ideia de que ser intersexo quer dizer ser transgênero. Uma pessoa transgênero é quem não se identifica com o gênero recebido ao nascer. Já uma pessoa intersexo é alguém que tem suas características sexuais fora do sexo binário (masculino, feminino). Uma pessoa intersexo pode ser uma mulher ou um homem, pode ser identificado como tal ao nascer e se encaixar nisso, ou não.
  • A informação errada de que uma pessoa intersexo tem genitais mutilados ou diferentes do usual. Nem toda pessoa intersexo passa por cirurgias de adequação, nem todas pessoas intersexo tem genitais externos diferentes do usual. As características um indivíduo intersexo são variadas e nem sempre essa variação está disponível ao olhar.

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Como é uma pessoa intersexo?


As pessoas intersexo podem ter uma ampla variedade de características físicas imensas. Algumas podem ter órgãos genitais que não se encaixam nas categorias típicas de masculino ou feminino. Outras podem apresentar variações nos cromossomos ou nas glândulas produtoras de hormônios. Outras ainda podem ter diferenças apenas nos órgãos sexuais internos.

É importante ressaltar que a intersexualidade não é uma “escolha” ou uma “condição errada”; é simplesmente uma variação biológica. Como qualquer pessoa, as pessoas intersexo merecem respeito e dignidade em relação a sua identidade e privacidade dos seus corpos.

Quais as variações que caracterizam uma pessoa intersexo?

Existem várias condições médicas que podem levar ao desenvolvimento de características intersexo. Algumas delas incluem;

  •  Síndrome de Klinefelter (presença de um cromossomo X extra em homens), 
  • Síndrome de Turner (ausência de um dos cromossomos X em mulheres), 
  • Hiperplasia Adrenal Congênita (produção excessiva de hormônios andrógenos) 
  • Disgenesia gonadal (verdadeira, total ou parcial)
  • Eunucoidismo ou Hipogonadismo
  • Sindrome da insensibilidade androgênica total ou parcial
  • Disturbio do desenvolvimento sexual ováriotesticular (DDS ou Hermafroditismo verdadeiro)

… E muitas outras variações. É essencial lembrar que nem todas as pessoas intersexo compartilham das mesmas características ou experiências. Cada indivíduo é único em sua diversidade biológica e identitária.

Quantas pessoas intersexo existem?


Embora seja difícil estimar com precisão o número exato de pessoas intersexo em todo o mundo, estima-se que a prevalência seja de aproximadamente 1,7% da população global. Isso equivale a milhões de pessoas em todo o mundo que nascem com variações biológicas em suas características sexuais. 

Segundo dados do IBGE de 2018, 2500 crianças intersexo nascem por ano apenas em São Paulo. Essa é uma estimativa. Os números podem ser maiores.

Como saber se sou intersexo?


Se você tem dúvidas ou preocupações sobre sua própria identidade, ou características sexuais, é fundamental consultar um profissional de saúde ou um especialista em medicina sexual. 

Eles podem ajudar a realizar exames e fornecer informações adequadas sobre a intersexualidade. Como vimos, existem muitas variações possíveis que influenciam no sexo biológico de um indivíduo. Algumas vezes não necessariamente afetando os órgãos genitais externos. Além disso, mesmo que a família saiba sobre a questão intersexo, nem sempre o indivíduo que possui a variação é informado sobre a questão. Alguns pais decidem esconder o fato dos filhos. 

Procurar a ajuda de um profissional e entender melhor as questões de sexo, gênero e identidade pode ser essencial para a manutenção da saúde psicológica. Portanto, não hesite. Procure a ajuda que você precisa imediatamente.

Devemos promover a conscientização sobre a diversidade biológica e identitária, educando-nos e respeitando as identidades de gênero de todas as pessoas. Ao fazer isso, estaremos dando passos importantes em direção a um mundo mais empático e acolhedor para todos, independentemente de suas características sexuais ou identidade de gênero. 

Vamos celebrar a riqueza da diversidade e abraçar a beleza de cada indivíduo em toda a sua singularidade.

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