A revolução das canetas emagrecedoras

pessoa segura uma caneta emagrecedora em cima da mesa
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Caio Vega

Última atualização

3 de fevereiro de 2026

Se você acompanhou as notícias de saúde nos últimos anos, certamente ouviu falar das “canetas emagrecedoras”. Medicamentos como a liraglutida, a semaglutida e, mais recentemente, a tirzepatida, transformaram o tratamento da obesidade, trazendo resultados que antes só pareciam possíveis com cirurgias. Mas o que existe por trás dessa tecnologia? Analisamos uma pesquisa recente que detalha como esses remédios funcionam e, mais importante, por que o acompanhamento profissional é a chave para o sucesso.

Obesidade não é apenas uma escolha, pode ser uma doença


Antes de entender o remédio, precisamos entender o problema. A obesidade é definida como uma doença crônica e multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura que prejudica a saúde. Ela não surge necessariamente por “falta de vontade”, mas sim por uma interação complexa entre genética, metabolismo, ambiente e comportamento.

O cenário no Brasil é preocupante: em 2010, cerca de 15,1% da população era obesa; em 2023, esse número saltou para 24,3%. Hoje, mais de 60% dos brasileiros adultos estão com excesso de peso. Esse crescimento é impulsionado pelo estilo de vida moderno, marcado pelo sedentarismo e pelo alto consumo de alimentos ultraprocessados.

O impacto vai além do espelho, aumentando o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e até câncer. Além disso, o custo para o sistema de saúde é bilionário, e o impacto psicológico (incluindo ansiedade, depressão e estigma social) é profundo.

Como as canetas funcionam: imitando a natureza


A grande inovação desses medicamentos está em imitar um hormônio que o nosso próprio intestino produz após comermos: o GLP-1. Esse hormônio é uma “incretina”, responsável por avisar o corpo que o alimento chegou.

As canetas de GLP-1 agem de forma integrada no organismo: elas atuam no cérebro, diminuindo a fome e aumentando a sensação de saciedade; no estômago, retardando o esvaziamento gástrico e fazendo com que a comida permaneça lá e você se sinta satisfeito por mais tempo; no pâncreas e no fígado, estimulando a produção de insulina (apenas quando o açúcar está alto) e reduzindo o açúcar produzido pelo fígado.

Comparando as opções: qual a diferença entre elas?


Atualmente, existem três gerações principais desses medicamentos, com potências e formas de uso diferentes:

  1. Liraglutida (Saxenda ou Victoza): Foi a pioneira. É de uso diário e promove uma perda média de peso de cerca de 8% na dose máxima. Em 2025, o Brasil ganhou versões nacionais chamadas Olire e Lirux, o que promete reduzir custos e ampliar o acesso.
  2. Semaglutida (Ozempic ou Wegovy): Representa um salto na eficácia e comodidade, sendo aplicada apenas uma vez por semana. Estudos mostram uma perda média de 14,9% do peso corporal.
  3. Tirzepatida (ou Mounjaro): É a tecnologia mais recente e potente. Ela é um agonista duplo, imitando dois hormônios (GLP-1 e GIP). Em testes clínicos, alcançou reduções de peso impressionantes, chegando a uma média de 20,9%.

O lado B: efeitos colaterais e saúde mental

Apesar dos benefícios, esses medicamentos não são “pílulas mágicas” e exigem cuidado. Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, especialmente no início do tratamento. Em casos mais raros e graves, podem ocorrer pancreatite e complicações renais.

Um ponto de atenção crucial, mencionado no estudo, é o impacto na saúde mental. O uso desses fármacos deve ser monitorado para evitar ou identificar precocemente sintomas de ansiedade, depressão e até ideação suicida. Por isso, o tratamento nunca deve ser feito por conta própria ou motivado apenas por questões estéticas passageiras.

Quais os alimentos proibidos para quem usa caneta emagrecedora?

Alimentos proibidos pra quem usa caneta emagrecedora!

Principalmente alimentos muito gordurosos! Aqueles como fritura, comida muito apimentada, excesso de cafeína, tudo isso pode pesar no estômago diante desse quadro de hipomotilidade do trato gastrointestinal. Então, é preferível que você faça refeições mais leves: mais salada, alimentos grelhados, cozidos,… Isso ao longo do dia para fracionar a dieta. Evitar comer tudo de uma vez. Sabe aquela pessoa que só almoça ou só janta? Então, isso não é bom. É preferível que você coma várias pequenas porções ao longo do dia para sofrer menos.

O farmacêutico: seu maior aliado no tratamento


Muita gente acredita que o farmacêutico apenas “vende” o remédio, mas o artigo destaca que ele é peça fundamental na sua jornada de emagrecimento. Esse profissional atua de várias formas para garantir sua segurança:

  • Orientação de uso: Muitas pessoas têm medo de agulhas ou erram a aplicação. O farmacêutico ensina a técnica correta de aplicação subcutânea, o manuseio das canetas e o armazenamento correto.
  • Gestão de efeitos colaterais: Ele ajuda você a entender que as náuseas iniciais são comuns e podem ser manejadas, evitando que você desista do tratamento antes da hora.
  • Interações medicamentosas: Se você já toma remédios para pressão, colesterol ou depressão, o farmacêutico avalia se a caneta pode interagir com eles, ajustando a conduta com o seu médico.
  • Apoio e motivação: O acompanhamento farmacêutico oferece um acolhimento que ajuda na adesão ao tratamento, funcionando como uma ponte entre você e os demais profissionais de saúde.

O futuro e o risco do “Efeito Rebote”


Um dos maiores desafios apontados pela ciência é o reganho de peso após a suspensão do medicamento. Estudos mostram que, se o paciente parar de usar a caneta sem ter feito uma reeducação alimentar e sem praticar exercícios físicos, a tendência é recuperar parte do peso perdido.

A ciência não para e as perspectivas futuras são promissoras: há, ainda, o desenvolvimento de moléculas mais potentes (como os agonistas triplos) e a expansão da produção nacional, o que pode permitir que esses tratamentos cheguem ao SUS no futuro.

Conclusão


As canetas de GLP-1 representam uma revolução, mas o sucesso duradouro depende de uma mudança real no estilo de vida. O tratamento farmacológico deve ser parte de um plano maior, envolvendo médicos, nutricionistas e farmacêuticos.

Para ilustrar, imagine que perder peso é como fazer uma longa viagem por uma estrada difícil. O exercício e a dieta são as suas pernas e o seu esforço físico. A medicação (Ozempic, Mounjaro ou Saxenda) funciona como um veículo potente que facilita a subida. No entanto, você ainda precisa de um guia especializado (o farmacêutico e o médico) para não errar o caminho, não sofrer com acidentes (efeitos colaterais) e garantir que, quando você sair do carro, já tenha aprendido a caminhar sozinho com saúde.

Se você está considerando iniciar esse tratamento, lembre-se: o uso racional e orientado é a única forma de garantir que o benefício na balança se transforme em qualidade de vida real.

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