Tudo sobre a cirurgia de mastectomia masculinizadora

mesa de cozinha com dois melões e uma faca
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Seth Zanette

Última atualização

23 de julho de 2026

A mastectomia masculinizadora é um procedimento cirúrgico cujo objetivo é ajudar homens trans e pessoas de gênero não-binário a se adequarem à sua identidade de gênero. Por meio dessa cirurgia, é possível remover os tecidos mamários, conferindo ao peito uma aparência mais masculina e alinhada com a identidade de gênero do paciente. 

Esse procedimento gera muitas dúvidas em quem vai passar por ele. Afinal, como vai ser a recuperação? O que vai acontecer antes e depois da cirurgia? Quais os resultados esperados? A Omens te ajuda a entender melhor a mastectomia masculinizadora e o que esperar desse momento tão importante na vida de muitas pessoas trans. Acompanhe com a gente!

O que é a mastectomia masculinizadora? Para quê ela serve?


A mastectomia masculinizadora é uma cirurgia de afirmação de gênero destinada a pessoas que desejam reduzir o volume do tecido mamário em seus corpos. O intuito é o de alcançar uma aparência física mais congruente com sua identidade de gênero masculina ou não-binária. 

A mastectomia masculinizadora pode ser uma etapa crucial no processo de transição de gênero para muitos indivíduos. Ela pode melhorar significativamente a imagem corporal e a qualidade de vida dessas pessoas. É também a mastectomia masculinizadora que evita complicações relacionadas ao uso do binder: um colete ou faixa utilizado para restringir o volume do peito.

Que tipo de médico preciso procurar para realizá-la?

Para realizar a mastectomia masculinizadora, é essencial procurar um cirurgião plástico especializado em cirurgia de afirmação de gênero. É essencial que o cirurgião tenha experiência específica em mastectomias masculinizadoras. 

Busque sempre um profissional qualificado, com um histórico de sucesso nesse tipo de procedimento, para garantir um resultado seguro e satisfatório. Avalie a experiência do cirurgião, busque referências de outros pacientes e agende consultas para esclarecer todas as dúvidas. Essas são etapas importantes antes de tomar a decisão de realizar a cirurgia com determinado profissional.

O médico precisa pedir diagnósticos antes da realização da mastectomia masculinizadora?

O médico que vai realizar a cirurgia pedirá para assinar um termo de consentimento e informando que, como toda a cirurgia, o procedimento pode ter complicações. Esse é um documento exigido para qualquer tipo de cirurgia. 

Quando se trata de planos de saúde e até mesmo de conseguir a cirurgia pelo SUS, podem ser solicitados laudos psicológicos, endocrinológicos ou psiquiátricos antes da realização da mastectomia. 

Tipos de mastectomia masculinizadora


Além de escolher um bom profissional cirurgião, é necessário entender que existem diferentes técnicas de mastectomia masculinizadora. Cada tipo de procedimento recomendado pode variar de acordo com as características individuais do paciente e suas preferências. Alguns dos principais tipos de mastectomia masculinizadora incluem:

  • Mastectomia Subcutânea ou Periareolar: Nessa técnica, a incisão é feita em torno da aréola (a parte mais escura ao redor do mamilo) para remover o tecido mamário. Ela é especialmente adequada para casos em que o tamanho das mamas é pequeno.
  • Mastectomia Dupla ou Bilateral: Esse procedimento envolve a remoção do tecido mamário através de duas incisões, uma na aréola e uma abaixo das mamas. O mamilo é completamente retirado e depois recolacado, o que pode afetar a sensibilidade da região após a cirurgia.
  • Mastectomia em T: São feitas incisões abaixo das mamas, na aréola e uma incisão vertical ligando as outras duas. Esse tipo de mastec é especialmente recomendado para quem tem mamas grandes e gostaria de manter a sensibilidade nos mamilos, já que eles não são totalmente retirados, como acontece na mastectomia dupla.
  • Mastectomia Keyhole: Especialmente indicada para quem tem mamas muito pequenas. Nela a incisão é feita apenas na parte de baixo da aréola, por onde o tecido e gordura das mamas é retirado.
  • Batwing: A incisão é feita no meio das mamas, passando pelos mamilos. Aqui se mantem uma boa sensibilidade da região.
  • Mastectomia com Reconstrução: Em alguns casos, o paciente pode optar pela reconstrução do peito após a mastectomia. Nesse cenário, o cirurgião pode utilizar enxertos de gordura do próprio paciente ou implantes para criar uma aparência mais natural.

Pré-operatório: o que acontece?


Antes da cirurgia, o paciente passará por um processo de avaliação com o cirurgião plástico. Nessa consulta, o profissional realizará um histórico médico detalhado, discutirá os objetivos da cirurgia, explicará os diferentes tipos de mastectomia e os resultados esperados, além de esclarecer eventuais riscos e complicações associadas ao procedimento.

O cirurgião pode solicitar exames pré-operatórios, como exames de sangue e avaliação cardíaca, para garantir que o paciente esteja apto a passar pela cirurgia. É essencial que o paciente forneça informações precisas sobre sua saúde e histórico médico para garantir a segurança do procedimento. Além disso, é recomendado parar de fumar, evitar ao máximo o consumo de álcool, e fazer preparações para o transporte após a cirurgia. 

O momento de recuperação precisa ser realizado em um ambiente seguro, confortável e, de preferência, com a assistência de uma rede de apoio. Prepare-se com antecedência, comunique a sua rede de apoio do que você vai precisar e com quem você poderá contar.

Como acontece a mastectomia masculinizadora?


A mastectomia masculinizadora é realizada sob anestesia geral, para garantir que o paciente não sinta dor durante o procedimento. A duração da cirurgia pode variar dependendo do tipo de mastectomia e das características individuais do paciente.

Durante a cirurgia, o cirurgião fará as incisões planejadas no peito para remover o tecido mamário. Em seguida, ele esculpirá o peito para alcançar a aparência desejada pelo paciente. Após a remoção do tecido mamário, o cirurgião fechará as incisões com suturas e aplicará curativos adequados.

Logo após a cirurgia, será necessário ficar em observação durante algumas horas. No geral, de 24 até 30 horas após o procedimento. Depois disso, é possível ir para casa e continuar o processo de recuperação lá.

Antes e depois


A mastectomia é um procedimento cirúrgico seguro e muitos pacientes relatam uma grande melhora na qualidade de vida após a sua realização. Uma pesquisa publicada na revista médica Transgender Health mostrou que mais de 90% dos pacientes transgêneros que realizaram a mastectomia masculinizadora demonstraram satisfação total ou parcial com os resultados da cirurgia.

O que afeta o resultado?


O resultado da mastectomia masculinizadora pode ser afetado por diversos fatores, incluindo a técnica cirúrgica utilizada, a habilidade do cirurgião, o estado da pele do paciente, o tamanho original das mamas e o processo de cicatrização individual.

Alguns fatores que são conhecidos por afetarem os resultados da cirurgia são o tempo de hormonização com testosterona do paciente e o uso dos coletes e faixas para restrição das mamas (binder). O uso da testosterona pode reduzir o tamanho das mamas durante o primeiro ano de uso, portanto, pode ser que um resultado melhor seja alcançado após esse primeiro ano de terapia hormonal. No caso dos binders, o uso da restrição pode afetar os tecidos da pele na região das mamas. Por isso, caso exista a vontade de realizar o procedimento, o ideal é reduzir ao máximo a utilização do binder. 

É importante lembrar que cada pessoa é única, e os resultados da cirurgia podem variar de indivíduo para indivíduo. Além disso, as expectativas realistas são essenciais para garantir a satisfação com o resultado final.

Se preparando para o pós-operatório

Antes da cirurgia, o paciente deve se preparar para o período pós-operatório, uma vez que a recuperação é uma parte importante do processo. É fundamental seguir as orientações do cirurgião em relação aos cuidados com as incisões, uso de faixas de compressão e restrições de atividades físicas durante o período de recuperação.

Além disso, contar com um sistema de apoio sólido, como amigos, familiares ou grupos de apoio a pessoas trans, pode ser muito útil para ajudar o paciente durante o processo de recuperação. 

Prepare sua casa ou o local em que você poderá se recuperar com itens essenciais perto do local de repouso. Coloque itens em níveis mais baixos de altura, já que na maioria dos casos cirurgicos, o paciente não poderá levantar os braços.

Pós-operatório e recuperação

O período pós-operatório é essencial para a cicatrização adequada e o sucesso do procedimento. Durante as primeiras semanas após a cirurgia, o paciente pode experimentar inchaço, desconforto e sensibilidade no peito. O uso de analgésicos prescritos pelo médico pode ajudar a aliviar o desconforto.

Após a mastectomia, o paciente precisará usar uma faixa de compressão ou colete cirúrgico para reduzir o inchaço e promover a cicatrização adequada. Será também necessário utilizar drenos. Esses drenos poderão ser retirados dentro de duas semanas após o procedimento cirúrgico.  O tempo de recuperação varia, mas a maioria dos pacientes pode retornar às atividades diárias leves dentro de algumas semanas até um mês após a cirurgia.

O cirurgião também fornecerá orientações sobre os cuidados com as incisões, como a troca de curativos e a higienização adequada do local. É fundamental seguir essas orientações para evitar infecções e promover uma cicatrização mais rápida.

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Cicatrizes: consigo reduzir as marcas após cirurgia? Posso decidir qual cicatriz quero?


As cicatrizes são uma parte inevitável da mastectomia masculinizadora, mas sua aparência pode variar dependendo do tipo de técnica cirúrgica utilizada e da resposta individual à cicatrização. 

Após a cirurgia, o paciente pode utilizar algumas técnicas, como massagem e uso de produtos específicos para cicatrização, para ajudar a reduzir a aparência das cicatrizes. No entanto, é fundamental seguir as orientações do cirurgião e evitar qualquer tipo de tratamento sem o aval médico.

É importante lembrar que, embora o cirurgião possa discutir as opções de incisões com o paciente antes da cirurgia, a decisão final dependerá das características individuais do paciente e da técnica cirúrgica mais adequada para o caso.

Cirurgia pelo SUS


No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) cobre a mastectomia masculinizadora para homens trans e pessoas de gênero não-binário, proporcionando acesso gratuito ao procedimento. Para realizar a cirurgia pelo SUS, o paciente precisará passar por um processo de avaliação e seguir os critérios estabelecidos pelas diretrizes do sistema de saúde.

Esses critérios são:

  • Acompanhamento com a equipe multidisciplinar do SUS por no mínimo 2 anos;
  • Realização da terapia hormonal com testosterona por no mínimo 1 ano;
  • Ser maior de 21 anos de idade para qualquer cirurgia;

É importante verificar a disponibilidade do procedimento em sua região e seguir os protocolos estabelecidos pelo SUS para garantir o acesso à cirurgia.

Preço médio no particular


Os custos da mastectomia masculinizadora em clínicas particulares podem variar significativamente, dependendo do local e da experiência do cirurgião. Em média, o preço da cirurgia particular pode variar de R$ 25.000 a R$ 30.000, considerando os honorários médicos, custos hospitalares e outros gastos relacionados ao procedimento.

É fundamental obter orçamentos detalhados em diferentes clínicas e considerar as credenciais e a experiência do cirurgião antes de tomar uma decisão.

Com quantos anos posso fazer a mastectomia masculinizadora?


A idade mínima para realizar a mastectomia masculinizadora pode variar de acordo com as políticas e diretrizes de cada país e de cada cirurgião. No Brasil, a cirurgia pelo SUS só pode ser realizada a partir dos 21 anos de idade. 

Segundo a resolução do Conselho Federal de Medicina, os pacientes precisam esperar até a idade de consentimento legal (18 anos) para realizar a cirurgia, para garantir que o paciente esteja preparado emocionalmente e compreenda plenamente as implicações do procedimento. Além disso, é necessário no mínimo 1 ano de acompanhamento multidisciplinar, já que a mastectomia masculinizadora entra nas cirurgias de afirmação de gênero reguladas na mesma resolução.

A mastectomia masculinizadora é um procedimento seguro?


A mastectomia masculinizadora é considerada segura quando realizada por um cirurgião plástico qualificado e experiente. No entanto, como em qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos potenciais associados.

Quais as complicações possíveis?

É essencial que o paciente esteja bem informado sobre os riscos e benefícios do procedimento antes de tomar a decisão de realizar a cirurgia. O cirurgião plástico fornecerá informações detalhadas sobre os riscos e trabalhará em conjunto com o paciente para minimizar as chances de complicações.

Algumas das possíveis complicações incluem infecção, sangramento excessivo, formação de hematomas, reações adversas à anestesia, problemas de cicatrização e alterações na sensibilidade das mamas ou mamilos.

Conclusão


A mastectomia masculinizadora é um procedimento importante que pode ter um impacto positivo significativo na vida de homens trans e pessoas de gênero não-binário. A cirurgia pode ajudar a melhorar a imagem corporal, reduzir a disforia de gênero e promover a afirmação da identidade de gênero.

No entanto, é fundamental que os pacientes se informem completamente sobre o procedimento, considerem as implicações físicas e emocionais e tomem uma decisão informada em conjunto com um cirurgião plástico qualificado. Cada indivíduo é único, e o processo de transição de gênero é altamente pessoal. A mastectomia masculinizadora é apenas uma das opções disponíveis para apoiar a afirmação da identidade de gênero e promover o bem-estar de cada pessoa.

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