A Erva de São João é originária da Europa e apresenta flores amarelas em forma de estrela. Muitas vezes utilizada para tratar a depressão, é importante ter em mente que pode causar interações sérias com certos medicamentos.
O nome “São João” é atribuído à planta em homenagem a João Batista, já que floresce perto do dia dedicado a ele (24 de junho). Essa planta contém diversas substâncias que atuam nos mensageiros cerebrais responsáveis por regular o nosso humor.
Descubra aqui como essa planta pode ser sua aliada contra a depressão leve a moderada. A Omens guia você para entender e aplicar seus benefícios, promovendo bem-estar de forma natural. Encontre o caminho certo para seu tratamento!
Índice
Primeiramente, para que serve a erva-de-são-joão?
Extraída de uma planta com flores chamada Hypericum perforatum, a Erva de são joão é uma planta frequentemente utilizada na medicina alternativa para tratar problemas como depressão, ansiedade e em alguns casos TDAH, embora não existam evidencias que comprovem sua eficácia.
Além disso, parece ter propriedades que combatem bactérias e pode agir como um agente antiviral. Essa planta contém hipericina, uma substância química que pode ser a responsável pela maioria dos seus benefícios. Outros elementos, como hiperforina e flavonóides, também podem desempenhar um papel importante.
Apesar de não sabermos exatamente como ela funciona, acredita-se que a erva pode ter um efeito semelhante a certos tipos de antidepressivos, aumentando a quantidade de substâncias químicas no cérebro, como dopamina, serotonina e norepinefrina.
O papel da Erva de São João no tratamento do TDAH
A Erva de são joão tem sido usada por séculos como uma espécie de remédio versátil, útil no tratamento de diversos problemas, desde questões mentais até dores nos nervos, ferimentos e queimaduras.
Hoje em dia, cada vez mais, se têm procurado alternativas mais naturais. E a Erva de são joão, por ser de fácil cultivo, é um dos suplementos herbais mais populares e amplamente adquiridos. No entanto, assim como muitas outras ervas e suplementos, é comum o uso inadequado dela para tratar condições de saúde para as quais não há comprovação.
Será que funciona para TDAH?
Uma pesquisa divulgada em 2008 sugere que a Erva de são joão não é um tratamento eficaz para um dos muitos transtornos de humor com os quais tem sido associada: o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH.
Pesquisadores da Universidade de Bastyr em Seattle, Washington, analisaram 54 crianças entre 6 e 17 anos que têm TDAH. O que descobriram foi que a Erva de são joão não teve resultados significativos na melhoria da atenção ou hiperatividade das crianças, quando comparada aos efeitos de um placebo.
Segundo Wendy Weber, líder do estudo e professora associada de pesquisa na Universidade de Bastyr, a equipe decidiu conduzir esse estudo devido ao alto índice de uso relatado da Erva de são joão no tratamento do TDAH em crianças. Apesar de Weber e sua equipe terem informado que a erva era segura para o uso infantil e não causou efeitos colaterais graves, o estudo parece apresentar evidências robustas contra o uso dela no tratamento do TDAH.
Estudos adicionais
Um outro estudo publicado em 2010 investigou os efeitos da Erva de são joão em dois pacientes do sexo masculino, de 14 a 16 anos, diagnosticados com TDAH do tipo desatento. Ambos receberam a Erva de são joão durante 4 semanas e, em seguida, placebo por 4 semanas. Os resultados mostraram uma melhora nos escores de inatenção, hiperatividade/impulsividade e total da escala de avaliação do TDAH. No entanto, a melhora observada foi menor do que a relatada em estudos com estimulantes.
A Erva de são joão não foi associada a nenhum efeito colateral grave. Os autores do estudo concluíram que pode ser uma opção de tratamento, mas são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia e segurança.
É importante ressaltar que o estudo foi realizado com uma amostra pequena de pacientes e, por isso, os resultados devem ser interpretados com cuidado. Além disso, o estudo não investigou a eficácia da Erva de são joão em crianças e adolescentes com outros tipos de TDAH, como o tipo hiperativo/impulsivo.
No entanto, os resultados do estudo são promissores e sugerem que a Erva de são joão pode ser uma opção de tratamento segura e eficaz para o tratamento. Ainda sim são necessários mais estudos para confirmar a sua eficácia e segurança no tratamento do TDAH.


A erva-de-são-joão e a depressão
Embora os efeitos da Erva de são joão no corpo não sejam totalmente compreendidos, acredita-se que ela atue de forma semelhante aos medicamentos antidepressivos.
Estudos indicam que diversos de seus componentes ativos, como hipericina e hiperforina, podem ser responsáveis por esses benefícios.
Esses componentes parecem aumentar os níveis de mensageiros químicos no cérebro, como serotonina, dopamina e noradrenalina. Essas substâncias, por sua vez, agem para elevar e regular o seu humor. Curiosamente, a Erva de são joão não apresenta alguns dos efeitos colaterais comuns dos antidepressivos receitados, como a perda do desejo sexual.
Existem evidências sólidas que apoiam o uso da Erva de são joão no tratamento da depressão.
Em 2016, uma revisão minuciosa de 35 estudos analisou esses efeitos.
- Foi concluido que a erva foi responsavel pela diminuição dos sintomas de depressão leve a moderada mais do que um placebo.
- Reduziu os sintomas de forma similar aos antidepressivos prescritos.
- Parece ter menos efeitos colaterais do que antidepressivos prescritos.
- Parece não afetar ou reduzir o desejo sexual, um efeito colateral comum dos antidepressivos.
- No entanto, houve uma falta de pesquisa sobre seus efeitos na depressão grave.
Entretanto, é importante observar que existe uma carência de pesquisa sobre os seus efeitos na depressão grave.
Além dos resultados científicos, depoimentos de usuários podem enriquecer a compreensão da eficácia da erva na prática, destacando experiências individuais e perspectivas pessoais sobre seu impacto na depressão.
Estudos sobre Depressão Leve e Moderada
Além disso, foi realizado um estudo que comparou a Erva de são joão com a Paroxetina, um antidepressivo sintético, no tratamento da depressão moderada a grave. O estudo incluiu 251 pacientes com depressão moderada a grave. Os pacientes foram randomizados para receber extrato de hipericão (erva de são joão) 900 mg/dia ou paroxetina 20 mg/dia durante seis semanas.
Os resultados mostraram que o extrato foi pelo menos tão eficaz quanto a paroxetina na redução dos sintomas de depressão. A pontuação média na escala de depressão de Hamilton diminuiu em 14,4 pontos no grupo que utilizou a Erva de são joão e 11,4 pontos no grupo da Paroxetina. A diferença entre os dois grupos foi estatisticamente significativa.
Por fim, outro estudo clínico foi realizado para demonstrar a não inferioridade da Erva de são joão em relação à Sertralina no tratamento de depressão. 241 pessoas que tomaram tanto o extrato de hipericão quanto a Sertralina constatou que 68,6% experimentaram uma redução nos sintomas com o extrato, em comparação com 70,4% daqueles que usaram a Sertralina.
A tolerabilidade do extrato de hipericão e da sertralina foi avaliada como “boa” ou “muito boa” na maioria dos casos. Os resultados indicam que o extrato não é inferior à sertralina e é um medicamento bem tolerado para o tratamento da depressão moderada. Estes efeitos favoráveis foram alcançados com uma dose única diária de 612 mg de extrato administrada por até 24 semanas.
Como tomar?
A Erva de são joão é frequentemente consumida em forma líquida ou em cápsulas. Além disso, a erva seca pode ser utilizada para preparar uma reconfortante infusão (chá). Para aplicação tópica, é possível obter uma mistura que consiste em um extrato medicinal em uma solução de álcool.
A dose comum em cápsulas ou comprimidos secos é de 300 mg três vezes ao dia, sendo recomendado tomar junto com as refeições ou conforme as instruções de um profissional de saúde. É aconselhável monitorar de perto a dosagem que está sendo ingerida, garantindo uma abordagem cuidadosa ao utilizar a erva.
Se você está se perguntando como usar a Erva de são joão, há uma variedade de maneiras de utilizar essa planta:
- Chá: Você pode consumir a erva como chá, secando algumas flores ou comprando em uma loja de produtos naturais. Basta adicionar 1 colher de chá a cada 150 ml de água quente e deixar em infusão por 5 minutos para fazer um chá que ajuda o seu humor e sistema nervoso. Tomar esse chá não afeta seus medicamentos, pois usa apenas os componentes solúveis em água.
- Extrato: O extrato também é uma boa opção para consumir a Erva de são joão. O extrato é feito quando a planta fica embebida em álcool por pelo menos 4 semanas. O álcool extrai muitos dos ingredientes ativos da planta, e você pode consumir pequenas doses diariamente. Devido às suas propriedades anti-inflamatórias, é possível aplicar na pele para ajudar na cicatrização de feridas e queimaduras.


Contraindicações
Tomar a Erva de são joão pode ter alguns riscos. Algumas pessoas precisam ser cautelosas ou evitar o uso dessa planta. São elas:
Pessoas que estão usando medicamentos: se você estiver tomando alguns tipos de medicamentos, é melhor evitar a Erva de são joão, pois ela pode diminuir a eficácia desses remédios. Isso inclui:
- Anticonvulsivantes
- Ciclosporina
- Digoxina
- Anticoncepcionais orais
- Alguns medicamentos anti-HIV, como indinavir e nevirapina
- Omeprazol
- Varfarina
- Paroxetina
A Erva de são joão também pode potencializar o efeito de antidepressivos como fluoxetina, paroxetina e sertralina, o que pode causar problemas sérios, como tremores, diarreia, confusão, rigidez muscular e até mesmo uma condição perigosa chamada síndrome serotoninérgica (uma condição desencadeada pelo excesso de serotonina no cérebro, resultante da combinação ou overdose de medicamentos)
Além disso, ela pode interagir com medicamentos para enxaqueca, como sumatriptano, aumentando seus efeitos.
Pessoas com distúrbios de humor: se você foi diagnosticado com depressão, não é recomendado substituir os tratamentos médicos pela Erva de são joão. Se a planta não funcionar, a depressão pode piorar. Em alguns casos, pode até desencadear psicose, especialmente em pessoas com depressão grave ou transtorno bipolar.
Gravidez e amamentação: não está claro se a Erva de são joão é segura durante a gravidez ou amamentação. Alguns estudos sugerem que pode ser seguro durante a gravidez, mas outros mostraram que ela pode causar defeitos de nascimento em animais. Se estiver amamentando, é importante saber que a substância pode passar para o leite materno, podendo deixar o bebê irritado, sonolento ou com cólicas.
Sempre é recomendável conversar com um médico antes de começar a tomar a Erva de são joão, outros suplementos ou terapias alternativas.
Efeitos colaterais
A maioria das pessoas que consome a Erva de são joão não apresenta efeitos colaterais. Entretanto, algumas pessoas mencionam alguns efeitos colaterais, como dificuldades para dormir, desconforto no estômago, irritação, cansaço e erupções na pele.
Apesar disso, estudos indicam que a planta possui bem menos malefícios do que os medicamentos antidepressivos. Além disso, ela está associada a menos sintomas incômodos, como aumento da transpiração, disfunção sexual e fadiga.
Os efeitos costumam ocorrer em menos de 3% das pessoas que utilizam a Erva de são joão e podem incluir:
- Desconforto no estômago
- Cansaço
- Inquietação
- Reações alérgicas
- Tontura
- Confusão
- Boca seca
Em casos raros, a Erva de são joão pode causar sensibilidade à luz solar, tanto para a pele quanto para os olhos. Isso parece estar relacionado a doses elevadas
É importante observar que a maioria dos efeitos colaterais relatados também são sintomas comuns da depressão. Por isso, é útil estar ciente de como você se sente antes de começar a utilizar no dia a dia.
Já foram relatos efeitos colaterais graves, tais como:
- Crise hipertensiva
- Crise de Mania
- Toxicidade renal
- Sensibilidade ao sol, especialmente em doses elevadas, como 2 a 4 gramas por dia
- Colapso cardiovascular
Se combinada com outros medicamentos que aumentam os níveis de serotonina, como antidepressivos e alguns remédios para enxaqueca, a Erva de são joão pode provocar a síndrome da serotonina, uma condição potencialmente fatal.
Os sinais da síndrome da serotonina incluem:
- Aumento da frequência cardíaca
- Pressão arterial elevada
- Sudorese
- Alucinações
Perder peso custa menos do que você imagina!
Precauções
Ao utilizar a Erva de são joão, é importante ter em mente as seguintes precauções:
- Reação alérgica severa: evite o uso se tiver alguma alergia conhecida à planta ou a seus ingredientes biologicamente ativos (Hipericina e Hiperforina).
- Gravidez: embora tenha sido usada com segurança em ensaios clínicos com gestantes, geralmente não é recomendada durante a gravidez devido à falta de comprovação de eficácia e a possibilidade de causar defeitos de nascimento em estudos com animais.
- Amamentação: não é aconselhável durante a amamentação, pois pode ser transmitida pelo leite materno, causando cólicas, sonolência ou irritação no bebê.
- Adultos com mais de 65 anos: a interação entre a Erva de são joão e medicamentos prescritos pode ser mais provável nessa faixa etária. Antes de incluir no uso diário, discuta seus medicamentos, incluindo prescrições, produtos de venda livre e suplementos, com um profissional de saúde ou farmacêutico.
- Crianças: não há dados suficientes sobre a segurança para recomendar o uso da Erva de são joão em crianças.
Conclusão
A erva-de-são-joão, conhecida por suas propriedades antidepressivas e anti-inflamatórias, oferece uma opção potencialmente eficaz no tratamento da depressão leve a moderada. Seus benefícios, destacados por estudos e revisões científicas, incluem a melhoria de sintomas semelhante a antidepressivos prescritos, com menor incidência de efeitos colaterais. Contudo, é crucial ponderar suas contraindicações, especialmente em relação a interações medicamentosas, como a diminuição da eficácia de certos medicamentos e o risco de síndrome serotoninérgica. Além disso, a carência de pesquisas sobre sua eficácia na depressão grave e a necessidade de precauções em grupos específicos, como gestantes e idosos, reforçam a importância de uma abordagem cautelosa e orientada por profissionais de saúde ao considerar a inclusão da erva-de-são-joão em regimes de tratamento.

