Pesquisa Datafolha | Libido na pandemia | Omens

A pandemia alterou a rotina sexual das pessoas?

No mês de maio, a Omens encomendou uma pesquisa, junto ao Instituto Datafolha. A pesquisa buscou identificar mudanças na libido e na rotina sexual das pessoas desde que a pandemia começou. A pesquisa teve abrangência nacional e entrevistou 999 pessoas, sendo homens e mulheres.

O que foi mais afetado?

De acordo com os dados adquiridos na pesquisa, quatro em cada dez brasileiros relataram uma diminuição da frequência de relações sexuais, consumo de pornografia e uso de aplicativos de paquera. Outra diminuição foi no número de parceiros ou parceiras sexuais.

Para um terço (33%) dos respondentes, a frequência de relações sexuais se manteve igual, um número levemente maior entre as mulheres (35% diante de 31% dos homens). Enquanto isso, para 22% a frequência aumentou, dessa vez mais entre os homens (26% a 18%). Mas de modo geral, a maioria - quase metade, cerca de 45% - alegou uma diminuição, de forma que 25% disseram ter diminuído muito e aproximadamente 19% uma queda menor. De acordo com a psicóloga Michelle Sampaio, “um ponto importante para ser observado é que outras pesquisas levantaram um aumento de sintomas de ansiedade, stress e depressão na população devido ao isolamento social e a pandemia em si. Estes são aspectos psicológicos relevantes que podem impactar na função sexual, como por exemplo, a libido”. Nesse caso, os números entre homens e mulheres foi muito semelhante, diferindo apenas entre quem disse ter diminuído muito ou pouco. O urologista João Brunhara ainda complementa: “esses dados são compatíveis com pesquisas realizadas em outros países que mostraram redução da libido e da frequência de relações sexuais, por conta das modificações de hábitos e comportamentos impostas pela pandemia e pelas medidas de isolamento social”.

O consumo de pornografia também foi afetado levemente afetado. Enquanto 43% alegaram uma diminuição, 38% disseram que permaneceu igual. Apenas 20% dos respondentes disseram ter consumido mais pornografia durante este tempo e, curiosamente, este é o único índice em que houve maior prevalência dos homens com relação às mulheres (20% a 12%). De acordo com Michelle, o levantamento condiz com comportamentos já levantados em pesquisas anteriores realizadas no Brasil sobre a prevalência da prática de consumir pornografia dos homens em relação às mulheres.

Poucas pessoas (17%) disseram ter utilizado mais vezes os aplicativos de paquera. Os números, por outro lado, foram bem parecidos entre aqueles que alegaram uma diminuição (41%) ou uma frequência igual (42%). Isso pode ter relação, inclusive, com uma grande diminuição no número de parceiros sexuais (coincidentemente ou não, para 41% dos respondentes). Mais da metade disse ter permanecido com o mesmo número, e apenas 7% disseram ter tido mais parceiros durante esse tempo. Quanto a isso, pode ser possível até mesmo traçar um paralelo entre a diminuição de parceiros, o uso de aplicativos de paquera e a queda na frequência de relações sexuais, fatores estes que poderiam talvez estar relacionados. A Dra. Michelle comenta também este dado: “na minha prática clínica ouvi alguns relatos de pacientes sobre terem usado menos os aplicativos já que, por causa da pandemia, não teriam a possibilidade daquela interação virar um encontro de fato. Em contrapartida, alguns também relataram ter feito uso sim até como uma forma de interagir (social e sexualmente) com outras pessoas”.

Outro índice que não demonstrou aumento - e que pode fazer sentido, inclusive pela menor frequência de relações sexuais - foi quanto às dificuldades e problemas no momento do sexo. Apenas 1 a cada 10 respondentes disseram ter ocorrido um aumento, enquanto 38% relataram uma diminuição. Para 53%, a situação permaneceu igual. Isso, entretanto, não quer dizer que somente 10% da amostra teve problemas, visto que aqueles que relataram uma igualdade podem tanto não ter tido, quanto já ter desde antes. E, independente de qualquer coisa, todos os casos que possam estar implícitos merecem atenção.

Talvez o número mais curioso esteja relacionado à frequência da masturbação. Diferente do que podia se imaginar - até pela menor frequência de relações sexuais - apenas um a cada quatro brasileiros alegaram ter se masturbado mais. Pouco mais de um terço (36%) disseram ter feito menos, e 38% mantido a mesma frequência. Ainda sim, este foi o segundo maior índice de aumento, principalmente entre os homens (32%). Mesmo que o aumento da frequência de masturbação signifique uma libido mantida, o Dr. João Brunhara alerta: “Vale lembrar que pode também revelar outras causas por trás, como um hábito de se masturbar motivado por uma compulsão ou ansiedade. E infelizmente, dados consolidados da literatura médica mostram que a masturbação aumentada não tem uma correlação com satisfação com a qualidade de vida sexual”.

O maior índice foi a frequência de pensamentos relacionados ao sexo. Nesse caso, 24% disseram ter diminuído, enquanto 38% alegaram ter aumentado. Essa é, inclusive, a estatística com a diferença mais significativa entre homens e mulheres: 30% das mulheres disseram ter notado uma diminuição no seu desejo sexual, enquanto entre os homens, 48% perceberam um aumento. Mais uma vez, o Dr. João Brunhara traça uma comparação destes dados com os de pesquisas na Europa, novamente alinhados, tendo as mulheres tido um maior impacto negativo na libido. “Esse tipo de dado pode ser explicado pelas diferenças de estímulos para despertar o desejo sexual masculino e feminino. Enquanto os homens pensam mais vezes por dia em sexo e muito motivados por estímulos visuais, o desejo feminino frequentemente depende de um contexto de intimidade e de estímulos mais variados inclusive táteis, fatores mais sujeitos a uma interrupção após a instalação da pandemia”, afirma o doutor.

Mas qual seria a frequência ideal?

No estudo, os entrevistados também foram questionados quanto à frequência de relações sexuais considerada ideal. Dessa vez, a comparação entre os índices dos homens e das mulheres se mostrou mais próxima.

79% dos entrevistados desejariam ter pelo menos uma relação sexual por semana. Para 14% (18% entre os homens, e 10% entre as mulheres) o ideal seria todos os dias, enquanto para 28% seria uma ou duas vezes por semana (27 e 28% para homens e mulheres, respectivamente). Para os outros 38% (39% entre as mulheres e 36% entre os homens), três ou mais vezes seria o ideal. Para o Doutor João, é interessante notar que as porcentagens de frequência ideal entre homens e mulheres nessa pesquisa são muito semelhantes. “De certa forma, esses dados contrariam um mito de que homens e mulheres têm um desejo de relações sexuais muito diferente, com os homens querendo sexo com mais frequência do que as mulheres. Por mais que sabidamente os homens pensem em sexo mais vezes por dia do que as mulheres, a pesquisa mostra que no fim das contas, o desejo por ter relações de fato pode ser muito semelhante nos 2 sexos - um alento para quem acha que conciliar a frequência de relações de um casal heterossexual seja um desafio instransponível”.

Apenas 12% da amostra escolheu a frequência ideal em menos do que uma vez por mês ou afirmou não ter vontade de ter relações sexuais - mais especificamente, 6% para cada caso. A falta de vontade de ter relações sexuais também se mostrou maior entre as mulheres (8%) se comparadas aos homens (4%). Mas o mais curioso é que, entre aqueles que estão na faixa etária de 18 a 24 anos, a porcentagem esteve muito acima destas médias: em 12% para ambos os casos, indicando, novamente, uma menor vontade sexual dentre os mais jovens, como o Dr. João Brunhara analisou anteriormente.

A Omens

A Omens é uma plataforma dedicada à saúde sexual dos homens. Lançada em 2020, a plataforma integra informação, teleconsulta com um médico especialista e entrega ao domicílio de tratamentos em parceria com farmácias registradas para ajudar os homens a resolver os seus problemas de saúde sexual em total confidencialidade e segurança.

Você pode encontrar a pesquisa realizada pela Datafolha na íntegra aqui.

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